22 de dezembro de 2017

Dois mil e dezessete

Eu passei três meses sem saber pra onde ir, e por mais que tenha sido assustador, foi como se eu estivesse experimentando liberdade pela primeira vez. Daí eu me inscrevi no único curso que eu tinha capital pra fazer por cinco anos, e surtei como jamais havia surtado até o dia do resultado. Resultado dado, eu não poderia estar mais feliz e ansiosa, comprei roupas novas, material escolar novo e assisti vlog de faculdade até o dia 06 de março, finalmente, meu primeiro dia de aula. Os primeiros meses de faculdade foram incríveis como tinham que ser! Sempre ouvi que os anos universitários são os melhores anos da nossa vida, então estava feliz e excitada com toda e qualquer coisa sobre a universidade. As pessoas eram estranhas demais, diferentes demais e tristes demais, mas talvez fosse só uma primeira impressão distorcida na minha tola cabeça juvenil e pós-terceiranista. Só que os meses foram passando e a única coisa que mudava era minha animação. 

Relembrei Kiss from a rose do Seal (soundtrack do Batman, se não se lembra) e ela virou uma das minhas músicas do ano, mas a tristeza da faculdade me fez querer ouvir Damien Rice. Parecia estranho que eu não tivesse uma vida nem um pouquinho melhor do que aquelas pessoas e ainda assim, não quisesse chorar no ônibus, mas escutar Spring Awekening e imagina que sou uma estrela da Broadway. Gente que eu achava muito vibe Bette Davis se achava um lixo e isso me fazia desacreditar de todos os meus heróis. Evidentemente, como escrevi nesse post, eu sou facilmente influenciada pelo meu contexto e Kiss from a Rose foi quase estragada pra mim. Nunca fui de realmente sentir a tristeza nem nada, mas às vezes é bom (acabei descobrindo e redescobrindo uma montanha de coisas sobre mim). Tem um quote no filme Heathers que sempre foi um dos meus mantras, "If you were happy every day of your life, you wouldn't be a human being. You'd be a game show host". Só que estar triste o tempo todo não é tão tumblr quanto a Violet de AHS faz parecer. E aí eu bebi um monte porque tava na bad, escrevi só texto triste nesse blog, tive crises de pânico pela primeira vez, minha autoestima decidiu se divorciar de mim e esperei de todo meu coração e alma (se eu tiver uma) que isso fosse apenas um tempo de adaptação. 

Reassisti Capitu, reli A Bolsa Amarela e passei a pôr todos os maus e bons pensamentos no papel. Melhor pra fora do que pra dentro! Completei 18 e foram os dias mais terríveis e intensos da minha vida. De toda forma, foi um ano satisfatório academicamente. E isso pode parecer menor, mas é tão importante pra mim quanto estar bem. Li Lolita* e amei e odiei ao mesmo tempo! Tenho um quarto só meu agora e devo passar mais tempo à noite tentando superar os medos noturnos do que dormindo, mas tudo bem, porque é como se eu tivesse um lugar no mundo. Por causa de quatro paredes, exatamente. Fiz umas amizades esquisitas, mas bem boas. Gente que tinha uma infantilidade admirável, não porque eram imaturas, mas porque eram menos racionais a ponto de não exatamente temerem o que é arriscado. Gente inspiradora que me lembra o Jack Kerouac ou o Alexander Supertramp. Conheci uma galera legal por causa do blog também e isso foi o que me fez continuar com esse espacinho sem muita relevância para o mundo. Daí li o posfácio de Lolita e Meu Deus! Será que é tão especial pra mim quanto O Fantasma da Ópera? e Eu amo o Nabokov! mas depois Eu odeio o Nabokov! O caso é que conheci uns lugares incríveis em Caruaru e estou me esforçando a acreditar que qualquer lugar no mundo pode ser maravilhoso com uma boa companhia (de pessoas ou de Pessoa) e música boa. 

Meu ano foi meio amarelo Van Gogh, mas eu acho que gosto de amarelo.

E eu sobrevivi ao primeiro ano da universidade! Achei que não estivesse preparada para os 71 dias de férias, mas eu estava tão genuína e notavelmente alegre e cansada no último dia de aula que me ultimei a decidir que está na hora do natal. Que venham os especiais na televisão, Mariah Carey, os vlogmas, Dickens, panetone, O Estranho Mundo de Jack... E o último é até engraçado, porque esses onze meses e meio foram realmente a nightmare before christmas

2017 foi tão decepcionante, mas apesar de toda a frustração, me fez lembrar que o mundo é o único lugar onde eu posso ler um bom livro.

E então, enfim, 2018!

*Vai ter um post legal sobre Lolita que tá bem atrasado, mas vai ser realmente legal, eu juro!

18 de novembro de 2017

Diário de Leitura 003 e Assistidos recentemente 004 (Mês do horror!)

Enfim pessoal, demorei anos e anos pra contar os updates das maratonas aqui pra vocês mas cá estou eu, aos 45 do segundo tempo, escrevendo sobre o mês mais lindo do ano (competindo só com dezembro, que também está FINALMENTE chegando!). Foi quase uma maravilha. Eu tinha tais metas, e não consegui ler: O médico e o monstro, pois o meu exemplar não era o mesmo que eu lembrava há uns anos e eu não sou uma boa companheira para livros muitos velhos, ou seja ou eles ou a minha saúde e decidi escolher a última; Garota Exemplar, por um motivo horroroso, eu odeio a capa do filme e eu simplesmente ficava desmotivada toda vez que olhava o livro, então desisti. 
Não consegui ver: Stranger things, só por preguiça de começar uma nova série mesmo (enquanto escrevo isto, estou assistindo Gilmore Girls pela milésima vez); O bebê de Rosemary, porque tenho um medo do c****** desse filme e minhas amigas não tiveram coragem de ver comigo, então... 
Mas, contudo, todavia, entretanto, eu consegui todas as outras metas e adicionei mais filmes e séries à lista. Li Caixa de Pássaros no primeiro dia de maratona e já falei sobre ele aqui. Daí fui à feira de livros da cidade e comprei uns negócios, e então comecei a ler Lolita do Vladimir Nabokov (que vou falar sobre no blog em breve). Voltei a ver Scream Queens e rever The Vampire Diaries e até tentei começar Dexter, mas sem sucesso. Também assisti um monte de filmes bons e ruins, entre eles 13 cameras, mas não tenho muito a falar sobre. Nos últimos dias de outubro, comecei a ir bem mal nas maratonas e a 24h Readathon Halloween Edition não foi lá um grande sucesso (dormi por 11h), então nos primeiros dias de novembro, eu aproveitei a vibe de dia dos mortos e fiz uma outra maratona 24h que deu muito certo (mas não li nenhum dos livros da TBR, li Tash & Tolstói da Kathryn Ormsbee, terminei Lolita do Nabokov e Viajante Solitário do Jack Kerouac).
Diário de Leitura
Miniaturista
Que livro esquisito! Ele era tão lento e pointless que me dava sono, mas sempre que tava perto de terminar alguma parte (porque ele é dividido em quatro partes), acontecia alguma coisa muito inesperada e instigante. De qualquer forma, eu gostei muito da leitura. Tem uns diálogos MUITO bons e o final é, apesar de triste, realmente bem pensado.
Sete ossos e uma maldição
É um dos meus livros preferidos da vida! Não é nenhum Edgar Allan Poe nem nada, mas foi um dos primeiros livros de terror que eu li quando eu tinha lá meus belos e calmos 11 anos. Decidi reler porque não lembrava de nada e que coisa boa! Me deu aquela vontade de escrever só por escrever mesmo, sem ganância nenhuma (o que infelizmente não acontece mais com tanta frequência).
Acho que não tenho muito a falar sobre o livro em si, sabe? É uma coletânea de contos de horror da Rosa Amanda Strausz e todos se passam com crianças ou adolescentes e num cenário bastante brasileiro, o que é definitivamente o melhor do livro. Acho que meu conto preferido é o Dentes tão brancos, sobre uma garota que vai à uma festa com o tema morte e todos os convidados têm que ir fantasiados das mortes que acham legais ou de como querem morrer (façam essa festa por favor, que ideia maravilhosa!), daí a nossa mocinha extremamente romântica, aluga uma fantasia de época pra representar aquelas heroínas incríveis que morrem por amor. O resto eu não vou contar, mas é tão curioso quanto essa festa haha
Assistidos Recentemente
Scream
Bem, não acho que vou falar sobre essa série aqui novamente, então, vejamos: É bem ruim, mas eu gostei. É simplesmente uma junção de todos os clichês de filme de terror americano, o que é uma brilhante ideia na minha opinião, se a própria série também não fosse clichê. Só que eu gosto de filme trash e a série me agrada nesse ponto, é também muito rápida e cheia de representações de moda que eu gosto de ficar prestando atenção.
The Bad Seed
Eu li o livro no começo do ano e passei décadas pra ver o filme, mas finally I did. O filme é muito bom, mas o melhor dele é com certeza os créditos (e você vai ter que ver pra entender) e talvez o final meio peculiar. Eu queria demais problematizar o que acontece no fim (não por ser diferente do dado pelo William March, mas por ser incrivelmente esquisito que aquele foi o final quisto pela população estadunidense de 1956) mas seria um grande spoiler, então fiquemos apenas com: É a adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome que conta a história de uma mulher norte-americana nos anos 50 que teme que a pequena filha de oito anos seja uma psicopata assassina. Foi um dos primeiros filmes de terror a tratar da maldade infantil, se é que se pode chamar assim, e com certeza, um dos grandes precursores do gênero. Gostei muito mesmo.
Creep
Eu não sabia de jeito nenhum que esse filme era do mesmo criador de Hush (que eu já falei sobre aqui) e descobrir isso nos créditos finais foi muito bom, porque eu amei esse filme! Foi um daqueles momentos tipo "Ah, claro!" 
Sério, é muito difícil que eu veja filmes de terror contemporâneos e norte-americanos e ache que são de boa qualidade, mas aqui está um que faz jus ao gênero e, com certeza, ao seu título. É sobre um cinegrafista que é contratado pra fazer uns trabalhos pra um cara muito muito creepy. Que final, guys.

7 de novembro de 2017

Um papo furado sobre modéstia e sobre não caber + Uma playlist

Vinte e quatro de outubro de dois mil e dezessete

Estou escrevendo de madrugada como sempre e amanhã (vulgo hoje, mais tarde) eu preciso ir pra faculdade receber um dos piores trabalhos que eu já fiz na vida e um dos melhores. Eu tô nervosa porque essa vai ser a primeira vez que eu tiro uma nota baixa nesse curso (e infelizmente, eu mereço) e porque eu vou provavelmente me sentir a pessoa mais burra do mundo até que eu consiga uma nota boa de novo. E eu sei que eu não sou uma pessoa burra. Eu geralmente tiro sempre notas boas e fico mal às vezes quando tiro *pode levantar as sobrancelhas e me xingar* nove. Isso aconteceu na última semana, inclusive. Tirei nove numa prova que eu sabia que tinha sido fácil e apesar de muitos dos meus amigos não terem conseguido bons resultados, eu me senti muito subestimada e pequena. Com um nove. Um fucking nove.

Então, pensando nisso e em como eu vou me sentir um lixo ambulante amanhã, eu vim aqui falar sobre modéstia e como eu me sinto inteligente mas tenho uma das piores autoestimas intelectuais que você vai ver em uma pessoa.

Primeiro, vamos explicar o problema de ser inteligente mas não confiar na sua inteligência. 

A vida inteira eu sempre escutei que eu era muito precoce e que eu lia livros que normalmente crianças da minha idade não leriam. Eu lia Ana Maria Machado também, eu não era uma daquelas meninas citadas em jornal por ter lido todos os tratados filosóficos que se tem pra ler aos oito anos. Mas eu lia os clássicos, eu sabia escrever, já referenciava bem... Eu tinha uma ótima educação e por isso, me acostumei a nunca tirar nove.

Então eu sempre soube que era alguém inteligente, e por não acreditar em talento ou ideias inatas, eu pensava que essa era uma questão que não dependia de ser modesto ou não, era apenas fato: Eu tive uma boa formação pedagógica e fui estimulada a estudar e consumir cultura e diversidade de informação, logo eu sou inteligente. Sendo assim, sempre achei esquisito que as pessoas fiquem chateadas quando alguém se assume bom em alguma coisa. Ora, qual é o problema de saber que canta bem ou que é bonito ou que é inteligente? Mas já que por convenção nós decidimos que essa é uma questão de humildade, eu acabei entrando nessa paranoia ridícula também (mais pela manutenção de uma  harmonia social do que por qualquer outra coisa) e desde que eu tinha uns 15 anos, eu não sou mais inteligente. Se alguém me diz isso, eu nego com toda veemência do mundo. E no fundo, eu sei que eu sou, mas vai que as pessoas me odeiem só porque eu gosto de algo sobre mim?

Mas voltando à problemática anterior, se sentir inteligente, pra mim, nunca teve muito a ver com ser capaz de produzir coisas boas. Falo criativamente, sabe? Eu sei que tenho referências o bastante pra escrever uma boa resenha ou um bom trabalho acadêmico em geral, mas eu não acho que vou além disso. Em parte porque eu não tento e em parte porque eu acho que, na verdade, todas as minhas referências servem não para me ajudar, mas para me influenciar demasiadamente.

Eu só queria criar algo que não parecesse com nada e ainda assim ficasse bom. Não queria que me comparassem a nenhum grande autor (por mais alto que esse elogio seja), queria só que fosse eu. Uma materialização simples de mim mesma e ponto.


E por mais que eu saiba, na minha mente, que se eu tentar muito eu vou eventualmente conseguir isso, eu prefiro não tentar e descobrir que eu não era capaz mesmo. Pode ser que eu já tenha criado algo bom também, mas sabe aquilo de não conseguir ter orgulho do que vem de você? Pois é. 

Semana passada, minha prima veio aqui em casa. Eu tenho três primas próximas, o que é engraçado, porque todas são muito distantes de mim. Mas enfim, a que veio me visitar, passou horas e horas falando sobre como ela imaginava a vida dela daqui uns dez anos. Basicamente tudo que eu não quero. Não porque eu despreze ou algo parecido, mas apenas porque é diferente de mim e de como eu fui criada pra ver o mundo. Quando ela foi embora, eu só conseguia pensar em quão longe eu estou de conseguir realizar minhas aspirações. E é muito péssimo que a visita dessas primas me deixe tão nostálgica e frustrada.

Minha frustração não é sobre achar que a vida delas é horrível, mas por achar que todas nasceram onde cabiam e eu não, mas estou fadada a viver a mesma vida. Estudar o que der dinheiro, ter alguns lazeres singelos em detenção do lugar onde mora, ir à igreja, casar, ter filhos, morrer. A jornada do herói brasileiro, sem muitas alterações. O que eu espero que não aconteça comigo.

E por mais narcisista que isso pareça ser, eu acho que toda a imensidade desse lugar ainda é muito pequena pra mim. E tudo bem que esse mundo todo não vai ser meu, como eu sonhava quando criança, mas a gente sempre consegue achar o nosso próprio mundo dentro das nossas possibilidades. E eu não acho que o meu está nesse país e nem perto dessas pessoas. Eu amo esse lugar e eu amo quem eu tenho aqui. Sempre disse que nunca tive nada em objeto que eu me importasse tanto a ponto de não querer perder nunca, mas se uma dessas pessoas fica triste, eu quero levá-las pra a fábrica do Willy Wonka, pra Neverland, sei lá. Mas mesmo assim, eu não consigo me sentir em casa. Parece que tem um outro mundo me esperando atrás das portas do meu guarda-roupa.

Eu não queria liberdade, nem nenhuma outra ilusão. Eu só queria uma travessia que me parecesse valer a pena. Um bom trabalho onde eu pudesse exercer minhas capacidades acadêmicas, um lugar que eu achasse bonito e seguro e uma situação estável com as pessoas a minha volta. Não é muito, não é como eu imaginava minha vida aos doze anos, mas é o que eu posso conseguir se eu trabalhar o suficiente.

Minha vida não é aqui e parece que ela tá em hold esperando apenas que eu a comece finalmente.

Eu fui criada nesse país e nessa cultura e eu gosto de tudo isso, senti falta de tudo isso quando estive longe, mas não é quem eu sou. Não quero criar nenhum filho aqui (se algum dia, eu tiver herdeiros rs), não quero viver aqui, não quero morrer aqui. Quero sentir de novo que sou um pedaço do mundo pra as outras pessoas. Então, assim que der, vou bancar a Barbie mosqueteira and make my own way. Talvez pra a Romênia, Espanha, El Dorado, Nárnia... Onde quer que eu ache sossego emocional e aventura criativa. E se um dia eu quiser voltar e me achar completa nesse lugar, ótimo.

A vida é pra a gente tentar descobrir o sexo dos anjos mesmo.

E como sempre nos papos furados, uma playlist das minhas músicas preferidas do momento. Tem música clássica latina, brasileira folclórica e Hanson nessa lista tá, me desculpem.

* O próximo post vai ser finalmente sobre o resultado das maratonas de Halloween e meu flop nas últimas semanas e tentativa de recompensar isso nos primeiros dias de novembro ashuahua Enfim, até lá :) *
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