26 de julho de 2017

Sobre a solidão das transfigurações // 12 cartas em 12 meses

Aprendi com a Anne Frank que a melhor forma de desabafar e analisar os problemas que você naturalmente tentar fugir, é escrevendo. Isso me ajuda e espero que ler ajude os que estão passando por algum conflito interno ou pela mesma crise que eu.
Uma carta de revolução é meio difícil de fazer. Eu pensei por um tempo em algo que eu queria urgentemente revolucionar e o texto a seguir surgiu. Não é nenhum manifesto e não convido ninguém específico a qualquer coisa. Mas para mim, é revolucionário que eu admita que não sou mais quem eu por tantos anos tive orgulho de ser. Essa revolução acontece aqui dentro e é sobre isso que escrevi. Espero que entendam e que eu não me arrependa de ter postado rs
Aos que leem esse blog há algum tempo, eu acho que vocês perceberam a mudança de posts de 2016 pra 2017. A última coisa que publiquei aqui ano passado, foi sobre literatura. Desde então, eu passei a escrever muito mais textos e a maioria deles são sobre meus novos e incômodos impasses existenciais. Espero que isso mude em breve. E estou bem, sim. Só mais introspectiva.
Obrigada aos que permaneceram.


  • Julho: Uma carta de revolução.


Eu mudei tanto que nem consigo acreditar que ainda me chamam pelo mesmo nome. Porque eu não reconheço mais quem eu fui por tantos anos.

Eu era agitada demais, sempre parecia feliz e nunca realmente me importava. Desde a quinta série, quando me decepcionei com a pessoa que eu mais amava (e não amava como amo hoje, definitivamente), só porque eu a idealizei demais e ela não conseguiu superar minhas expectativas, eu passei anos sem me ligar intimamente com ninguém.

Sabe, quando você se sente mais sozinha, é quando precisa tomar conta de si mesma, prestar atenção na única pessoa que te acompanhará pra sempre.

E foi isso que eu fiz.

Me conectei comigo das formas mais intensas e superficiais que existem. 
Comecei a me vestir diferente, passei a prestar atenção nos meus próprios gostos, cortei meu cabelo, passei a falar o que eu queria falar sempre e com quem eu queria falar. Criei o blog, escutei indie pela primeira vez, fiz um monte de amigos virtuais, conheci o feminismo. Passei um tempo estudando reforma agrária só porque gostava do nome, debati em aulas sem me importar em ser odiada, dancei, fui ao cinema pela primeira vez e depois não sai mais de lá, escrevi sobre uma menina que queria ser presidente.

Fui à outro país, enfrentei meu medo de água, parei de usar sutiã, passei um dia sem tomar banho porque estava muito frio e porque eu me senti uma revolucionária, abracei minha mãe algumas vezes, conversei com meu irmão sem querer mata-lo depois, desenhei um vestido que hoje está fora do papel, no meu guarda-roupa. Comprei um salto que me deixa bonita e confortável ao mesmo tempo, bebi álcool com os meus amigos e não me senti culpada, fui a uma boate e me diverti muito (!!!), cantei Garota de Ipanema na frente de um monte de gringo, fiz amizade com gente do estado todo, comi bolo de sorvete e decidi que era a melhor coisa que tinha provado na vida.

Vi baleias pessoalmente, desfilei em uma passeata de natal bem ao estilo americano, chorei horrores por não conseguir me dar bem em matemática quanto o Madz e depois ri loucamente da minha imaturidade, dormi sozinha por 5 meses e passei algumas noites em claro refletindo sobre a vida ou com medo de algum filme de terror. Fui filha única por algum tempo, escutei Roberto Carlos porque estava com saudades de casa, li livros que me construíram.

Tirei nota baixa, ganhei medalhas de melhor aluna e fui oradora da classe, briguei com pessoas que importam/vam muito pra mim, perdi uma amizade que era tóxica mas que me deixa muito saudosista sempre que penso nela, cresci alguns centímetros. Dei aulas de História, quase morri com uma bronquite que me trouxe mais coisa do que tirou, passei a assistir séries, me apaixonei por musicais, participei da educação física, matei aula pra ler Júlio Verne, fiz dois ENEMs e um deles me rendeu uma boa história, assisti uma novela com minha mãe e irmã mais velha.

Fiz e fui um monte de coisas.

Mas desde que o bendito relógio chegou à meia noite e comemorei um ano novo cheio de possibilidades assustadoras, parece que dezessete anos de mim foram levados pelo mar junto com todas aquelas oferendas. E desde então, eu me olho no espelho e não consigo mais ver o que eu esperava ver sempre.

Eu gosto de quem eu sou, na maioria das vezes.

Eu acho que sou alguém que dá o que pode para as pessoas que ama. E que ama, primeiramente. Mas eu não posso não me surpreender com a forma que estou vivendo e nem posso dizer que estou satisfeita. É como se tudo o que eu posso dar fosse pouco demais até pra mim e eu acabo tentando me isolar, mas diferente de como era anos atrás, eu não me sinto mais habitada quando estou sozinha. Eu me sinto sozinha e pronto.
Pode ser que isso seja uma transição como eu desesperadamente espero que seja, mas até lá, desculpem amigos e família por eu não sair do quarto e por eu querer chorar e não conseguir. Eu sou uma péssima companhia no momento, mas eu preciso de vocês.

Me desculpo por ser assim, mas ao mesmo tempo, não quero me desculpar.

Não sei se vou voltar a ser aquela menina espirituosa que falava muito rápido e queria ser um monte de coisa ao mesmo tempo e fazia vocês escreverem diários coletivos ou aprenderem palavrões, mas eu preciso saber se vocês vão gostar da nova pessoa que vem desatando a crescer aqui dentro e que ainda não está pronta pra sair do forno completamente.

Espero que eu seja pra vocês o que aquele bolo de sorvete foi pra mim. Eu já amava bolos de festa, e achei que bolo de sorvete era diferente demais. Só que diferente é o que a gente precisa às vezes.
Thainara (?)

22 de julho de 2017

Meus dois centavos sobre o primeiro semestre de Comunicação Social

Eu usando minhas roupas estranhas que eu não tinha muita coragem de usar na escola, mas agora me sinto mais confortável pra isso

E eu enfim terminei o primeiro semestre. Foi sofrido? Sim. Mas tenho que admitir que foi mais fácil do que eu pensei que seria. Acho que a parte mais difícil não foi exatamente a academia, mas o que ela passou a representar na minha vida.

Ano passado, quando eu decidi que queria fazer uma faculdade, foi um longo caminho até eu concluir que era melhor "deixar a vida me levar". Eu queria Cinema de 2008 até 2015. Em 2016, eu pensei que talvez o nosso sistema socioeconômico fosse perturbar minha vida mais ainda se eu virasse cineasta, então eu decidi procurar por outras áreas que eu gostasse. Ciência política ou Ciências sociais, História, Filosofia, Jornalismo, e a única que talvez me trouxesse conforto financeiro mais facilmente, Direito. E eu não procurei só na Internet, quero dizer. Eu fui até faculdades, peguei panfletos, conversei com pessoas, me autoanalisei diversas vezes... No fim de 2016, eu tinha duas maiores aspirações(que eu sabia serem impossíveis porque eu não podia pagar), ser cientista política ou professora de História. 

Em 2017, "deixando a vida me levar", eu sou uma futura comunicóloga. 

Eu nem sei como foi isso. O Sisu chegou, tínhamos três opções onde eu possivelmente não reprovaria todas as cadeiras: Comunicação Social, Design e Pedagogia. As últimas eu não queria de jeito nenhum. Eu sabia que se eu fosse fazer alguma delas, eu desistiria. A primeira era uma possibilidade grande. Eu tinha pensando em Jornalismo, afinal.
Minha primeira viagem acadêmica (Festival de Cinema)

Eu sempre quis fazer uma federal. Foi mais ou menos que nem a Rory Gilmore, sabe, com aquela história toda de ir pra Harvard.

Só que tem essa prima minha, que se formou na federal há alguns anos, que sempre foi uma grande nuvem escura na minha cabeça o tempo todo. Ela foi a primeira mulher a ir à uma universidade na família e até ano passado, a única a se formar em uma federal. Tudo bem, eu não realmente acredito nesse poder todo que as federais parecem ter. No ano passado, eu daria tudo pra conseguir pagar um dos cursos que citei acima. Mas temos que admitir que aqui na cidade, a federal é a que mais alcança os níveis pedagógicos que se espera de uma instituição de ensino superior. E tem todo o lance do renome e tal. 

Então sim, eu queria ir pra um federal. Mas a famosa insegurança me fez acreditar religiosamente que eu nunca chegaria lá. E eu fiz a pior coisa que poderia ter feito nesse caso. Não tentei.
Quando saíram as notas do ENEM 2016, eu estava muito arrependida de não ter estudado, mais ainda assim, me inscrevi no Sisu. E bem, parece que os dezessete anos que eu passei estudando não foram em vão. Passei. Foi bem feliz, confesso. Fiquei dias vendo vlogs de primeiro dia de aula, de materiais escolares, de looks para a faculdade... E então o primeiro dia de aula chegou, e eu descobri que não sabia de nada mesmo.

Se juntos já causam, imagine juntos (com uma qualidade péssima)

Aqui vai um breve relato dos últimos meses:

Eu não estudo no campi da UFPE, mas em um anexo no Polo Comercial da cidade. Isso é uma grande decepção, pra ser honesta. Meu sonho era ter toda a "experiência universitária", conhecer gente de diversos cursos, comer na cantina com meus amigos e tudo o mais que eu via nos filmes. Eu tive vários devaneios em que eu estava deitada na grama verdinha do campus e chorava por estar extremamente estressada com a minha nova vida de adulta, usado um headphone pelo qual eu escutava Mad World do Tears for Fears. A parte de chorar ainda tá de pé, mas a grama verdinha faz parte apenas do mundo das ideias, infelizmente. Estamos tentando mudar isso(de estudar no anexo), mas não tenho muitas esperanças.
Por causa do primeiro fato, também me decepcionei um pouco com a infraestrutura, mas tudo bem, eu estava esperando demais de uma instituição social brasileira, como eu sempre faço.
Sobre as matérias! Tivemos cinco. Mídia e Cidadania, História da Mídia, Técnicas de Redação, Sociologia da Comunicação e Filosofia. Eu achava que a minha preferida seria História, mas adivinhem a minha surpresa quando descobri que Filosofia seria aquela que me empolgaria mais. E Sociologia, mas essa eu já esperava.

Mídia e Cidadania foi boa. No começo, eu odiava. No meio, passei a me conformar. No fim, gostei. Foi meio prática, apesar de que lemos dois livros (A Ordem do Discurso de Foucault e O que faz o brasil, Brasil? do Roberto DaMatta). 

História da Mídia foi realmente muito boa. Lemos um monte de coisa e escrevemos sobre o que lemos. Basicamente isso. Eu gostei, porque eu amo teoria e o meu comfort place é ler e escrever sobre o que eu estou lendo. Em suma, o professor foi brilhantemente organizado e promoveu um grupo de estudos sobre gênero e sexualidade que me bagunçou mais do que eu já estava bagunçada.

Técnicas de redação me surpreendeu, porque eu gostei muito do conteúdo das aulas e mais ainda do professor. Eu sempre ouvi que os professores da UFPE eram na verdade pesquisadores que odiavam lecionar mas que eram obrigados a fazê-lo, por isso não sabiam bem como ensinar e eram mais tiranos que governadores fascistas. Ai veio esse professor com uma didática incrível. Foi basicamente tudo prática. Aprendemos a escrever pra veículos de comunicação e só. Foi desafiador e fez eu me perguntar se eu realmente quero escrever for a living. Sabe, são muitas forças que agem desde eu escrever alguma coisa até eu lançá-la para o mundo. O último trabalho do semestre foi escrever uma reportagem com um assunto que te interessasse e eu escolhi falar sobre as mulheres na universidade e foi com certeza um dos trabalhos mais difíceis que eu já fiz. Eu passei uma semana me sentindo muito mal depois das informações horríveis que coletei, e até tive que censurar umas partes (porque segundo o professor, eu poderia ser processada por algumas acusações presentes nos depoimentos) mas foi uma experiência muito boa no fim das contas.
Duas fãs de Gilmore Girls (Próxima Primavera) sobrevivendo ao transporte público

Sociologia da Comunicação foi maravilhosa! Estudamos um monte de coisa, mas como sempre, minha parte preferida foram os três porquinhos da Sociologia Clássica (principalmente o vermelho). Infelizmente tivemos muitos feriados pra atrapalhar a frequência das aulas, mas no fim deu tudo certo. Vou sentir falta dessa aula e desse professor.

Filosofia foi também maravilhosa! Eu descobri que gostava de muitas coisas com essa cadeira, o que me fez muito feliz e muito frustrada ao mesmo tempo. Pensei tanto que estava no curso errado e que eu deveria estar estudando um curso teórico que me desanimei por um tempo. Os professores de Filosofia e Sociologia me disseram que eu tinha bons padrões acadêmicos e que eu deveria focar em pesquisas e nas áreas mais teóricas. Com isso, eu conclui que ou deveria mesmo estar fazendo outro curso, ou que posso me destacar na prática porque tenho também teoria (foi o que o meu professor de Filosofia disse quando eu falei que estava quase me desesperando por querer fazer História, mas ao mesmo tempo querer fazer Comunicação e achar que não ia gostar de trabalhar como comunicadora, mas quem sabe? Vai que eu seja a próxima Christiane Amanpour ou sei lá). O problema é que não sei se gosto da prática. Vamos descobrir em quatro anos.

Encontrando versos de Manuel Bandeira na minha odisseia de todos os dias

Pensei que as matérias me consumiriam mais, mas achei todas razoavelmente fáceis e gostei de todas elas. O que mais me incomodou na verdade, foram três coisas: 1. Estudar no Polo e tudo o que isso acarreta(pegar dois ônibus pra ir e voltar todos os dias, sair de casa uma hora e meia antes da aula e chegar em casa uma hora e meia depois, não ter a "experiência universitária" completa e etc); 2. Conhecer novas pessoas que são muito diferentes das "novas pessoas" que eu conhecia na escola e 3. Acho que estou finalmente passando pelo luto da infância.

Eu estou gostando do curso. Realmente. Essas crises existenciais estão aqui porque eu estou aqui, então essas coisas vêm junto. Eu só preciso aprender a lidar com elas.

Preciso parar com as comparações. Todas! Entre pessoas, entre acontecimentos, entre o curso e o ensino médio, entre 2016 e 2017... Eu estou com muita saudade de como minha vida era antes desse negócio todo de ENEM, Sisu, UFPE... No entanto, as mudanças iriam chegar querendo eu ou não. Não sou uma vampira, apesar de me vestir como uma, então não vou ser pra sempre adolescente como o Edward Cullen. Os assustadores 20 vão chegar. E depois 30, 40, 50... Eu tenho que fazer alguma coisa sobre a minha existência até lá.

Por fim, eu espero que no próximo semestre eu esteja mais preparada. Eu quero estudar mais do que fazer qualquer outra coisa. Quero chegar a dezembro com a certeza de que meu cérebro armazenou mais informações do que eu imaginei que poderia. Quero sentir que estou fazendo alguma coisa com as minhas próprias pernas. 
O vento já me levou por tempo demais.

15 de julho de 2017

Minha bolsa amarela // 12 cartas em 12 meses

Esse post tá bem atrasado, mas eu o escrevi sem atraso nenhum. Acontece que eu não sentia que era hora de postá-lo ainda, esse texto estava muito mais comigo do que com vocês. Não sei se dá pra entender. Mas aí está, com 15 dias de atraso. Estou bem melhor e, possivelmente, achei minha bolsa amarela.
Acabei de chegar do ato pelas Diretas Já, e como sempre, estou me sentindo meio utópica e meio gerascofóbica. O que combina muito com a carta de junho.
  • Junho: Uma carta para a infância.

Eu tenho um livro velho na estante pra sempre que eu me sentir uma bagunça completa, ler.
Já fazia algum tempo que eu não me sentia assim, então eu nem lembrava mais dele.

E acho que eu não me sentia assim, porque eu não estava realmente pensando em como me sentia.

Até ano passado, eu existia em vários lugares e pra várias pessoas. Eu tinha muitas coisas a fazer e resolver. Mas ai, antes do ENEM, eu meio que cai na armadilha de pensar no que eu queria fazer pra a vida toda. Comecei a me autoanalisar demais, a tentar decifrar meus sentimentos.  Foi quando eu quase me senti uma bagunça, mas não deixei que o pensamento se instalasse, voltei a me atarefar e sair de casa todos os dias.

Esse ano, porém, eu estou na universidade e só. Eu tenho outras atividades, mas ainda assim, parece que a universidade é onde eu moro agora. E ai, eu me acomodo, e começo a pensar em mim mesma. E eu odeio fazer isso, mas quando acontece, é difícil parar. No entanto, infelizmente, isso vai acontecer vez ou outra e eu preciso aprender a lidar. 
Eu tenho 18 anos e parece que eu vivi um monte e ao mesmo tempo não vivi nada. Quando falo sobre mim mesma, parece que eu me conheço muito, mas sempre que alguém me chama pelo nome, eu ainda preciso me lembrar que Thainara sou eu.

E agora, Thainara é uma bagunça.

Em um curto espaço de tempo, minha vida deu um salto ridículo. 2017 mudou tudo e nada. E eu não estava preparada de jeito nenhum. Quer dizer, não que eu fosse estar um dia.

E eu ando pensando bastante em você, infância. É uma saudade que eu sempre vou ter, eu acho. Hoje, um amigo me enviou uma música do John Lennon que me lembrou a minha época de criança. Quando eu ainda era um monte de coisas sem ser realmente nada. Quando eu não estava preocupada em ser alguma coisa. Nesse tempo, eu ia sempre para a casa da minha tia, e a gente ficava lá contando histórias de terror e depois assistíamos algum DVD de clipes antigos. Elton John, Bryan Addams, Air Supply, Cindy Lauper... Eu amava tanto aquelas pessoas, aquela casa e aqueles DVDs que sempre pensei que nunca pararia de passar minhas tardes lá. E um dia, eu cresci. E minha infância foi embora levando um monte de coisa junto.

Às vezes eu me pego pensando que deveria ter feito mais. Que fui muito precoce em certos pontos, mas em outros, estendi minha infância por um tempo demasiadamente longo. Demasia pra mim, que sou geração z, que morro de medo de sair do lugar, mas fico aflita por achar que estou paralisada. Eu nunca vou te entender, infância, mas a saudades que eu tenho de você é, eu tenho certeza, eterna.

Então, essa semana, no ápice da minha confusão mental, eu fui até a estante e peguei meu exemplar velho e surrado de "A Bolsa Amarela" da Lygia Bojunga.

É incrível pra mim, quanto uma criança inventada em 1976 me representa tanto.Sempre que eu leio esse livro, eu me sinto a Raquel. Eu morro de vontade de ter uma bolsa amarela também, pra guardar minhas vontades. E no momento, eu sou um poço de vontades. E elas desatam a crescer que nem as da Raquel, só que eu não tenho onde guardá-las. E eu não gosto que elas fiquem por ai, fazendo amizade com as pessoas. Porque então elas criam pernas e de repente eu nem sei mais onde eu estou.

Decidi que minha bolsa amarela vai ser alguma atividade que me exija frequência e esforço, mas que não seja nada acadêmica. Não sei ainda qual vai ser, mas tem que ter um fecho bem forte, pra esconder as minhas vontades e a coisas que elas vão inventando.

Enquanto isso, eu tenho a Raquel, o Afonso (ou Rei), a Lorelai, a guarda-chuva, o fecho bebê...
E como a Raquel gosta, eu tenho uma história pra ler que começa e termina. Tenho várias pra ler e reler enquanto a minha própria história está enguiçada que nem a da guarda-chuva, namorada do Afonso.

Literatura é minha única certeza agora. E eu acho que vai ser sempre.

Thainara
P.S.:Eu sinto muito muito sua falta. Mas acho que vou ter que enfiar a saudade dentro da minha bolsa amarela também.

10 de julho de 2017

Diário de leitura 001

Eu preciso muito começar a contabilizar o que eu estou lendo.
Aqui vai um grande problema que eu enfrento desde que eu me apaixonei pelo Jules Verne e li todos os livros dele que consegui encontrar no fim do ano passado: Eu entrei numa ressaca literária horrorosa e não consigo mais ler um livro só.
Acho que o último livro que eu terminei com total atenção focada à ele foi o Menina Má. Desde esse acontecimento, eu comecei a ler um bocado de coisa muito diferente junta e eu nem sei mais o que eu tô lendo, o que eu abandonei, o que eu devo deixar pra depois...
Isso é um grande problema pra mim, porque eu sinto que estou perdendo o meu ano de leitura inteiro e eu gosto de me sentir produtiva. Vou tentar escrever esses "diários de leitura" aqui, pra ver se isso me instiga a ler um livro só (ou pelo menos dois).

O que estou lendo agora!

Caixa de Pássaros do Josh Malerman 
Depois que eu li Menina Má, eu quis muito ler um thriller psicológico contemporâneo, e Caixa de Pássaros fez um sucesso enorme ano passado, eu decidi ver se era realmente bom. Já faz um tempão que eu parei de ler literatura de horror, mas ultimamente estou tentando voltar. Infelizmente, o Josh Malerman tem uma escrita muito diferente dos meus autores preferidos do gênero: Gaston Leroux (suspiros), Edgar Allan Poe, Henry James, Bram Stocker, William March... Eu acho que preciso me adaptar mais aos contemporâneos. Até agora, a leitura não está sendo muito boa, mas não vou abandonar.
Vampire Academy da Richelle Mead
Esse eu decidi ler porque já faz um tempo enorme que não leio em inglês. Nada mais a dizer de concreto. A leitura é boa, gosto de vampiros...
Morte Súbita da J. K. Rowling
Esse livro é que nem o Getúlio Vargas, divide muito as opiniões! Foi por isso que eu quis ler, mas também porque nunca li nada da J.K., o que é estranho se você gosta de ler. Até agora, eu não sei realmente o que está acontecendo. Ela conta a história de diversas famílias numa cidadezinha inglesa e como elas estão reagindo a morte súbita de um dos representantes da cidade. Só. A escrita dela é muito boa, há que se admitir. Realmente não sei se vou gostar desse livro.
Razão e Sentimento da Jane Austen
Perfeito, como eu esperei que seria.
***
Como se pode perceber, os quatro livros são extremamente diferentes em época e gênero! Além desses, eu tava lendo o Obras Filosóficas do Bertrand Russel(que eu gostei muito, a propósito), mas eu finalmente terminei! Acho que o próximo a ser finalizado vai ser Vampire Academy, mas vamos ver.

Metas de leitura pra esse semestre!

Manifesto do Partido Comunista do K. Marx e F. Engels
20.000 léguas submarinas do Jules Verne
Nêmesis da Agatha Christie (talvez eu leia A maldição do espelho ou Os trabalhos de Hércules)
A casa das sete mulheres da Letícia Wierzchowski
Madame Bovary do Gustave Flaubert
A abadia de Northanger da Jane Austen (ou talvez eu leia As novelas inacabadas, Juvenília, Mansfield Park ou Persuasão, mas até agora eu estou mais animada para ler esse)

Todas as metas são de livros que eu já tenho e que eu comprei pensando que queria muito desesperadamente ler (principalmente o do Verne) e acabei não lendo. No fim do semestre, vamos ver se eu consigo diminuir o número de livros não-lidos na estante!
***

Não vou participar da #MLI2017 ~CHOREMOS~ mas eu vou tentar voltar ao ritmo. No fim do ano, eu venho dizer quais foram os meus sucessos e fracassos de 2017. Até lá!
*O 12 cartas em 12 meses tá atrasado, mas vai sair!*
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