19 de fevereiro de 2017

Assistidos recentemente 002 // Netflix

E ai meninxs?
Como vocês estão? Juro que não vou repetir por várias linhas como eu ainda não comecei minhas aulas e como eu estou enlouqueçendo sobre isso(faltam 16 dias!). Então eu estava meio sem saber sobre o que escrever já que nada está acontecendo na minha vida, daí pensei em trazer os últimos assistidos pra vocês. Foram os favoritos do Netflix, porque eu assisti muito mais coisa esse mês. Enfim, o primeiro é um brasileiro histórico, o segundo é um suspense americano e o terceiro é um terror australiano. Enjoy.

**Olga**

Quem leu meus posts anteriores sabe que eu sou louca por História, então assim que eu vi esse filme no catálogo da Netflix eu surtei um pouco.
Pra quem não sabe, Olga Benário foi uma das figuras comunistas mais simbólicas do século passado. Sendo uma judia que trabalhava para a URSS, ela ajudou Luís Carlos Prestes a voltar para o Brasil depois de ter sido exilado e acabou protagonizando junto com Prestes um momento histórico no país.
Eu estava ansiosa pra assistir esse filme porque eu amo a história da Olga e porque eu sabia que ia amar a fotografia desde que vi algumas fotos. Porém, como deveria ter imaginado considerando o título do filme, essa é uma produção realmente sobre a Olga. O que significa que se você estiver estudando o comunismo no Brasil e quiser entender um pouco mais da ANL ou da Intentona de 1935, esse filme não vai ajudar muito. Foca mais no romance entre a Olga e o Prestes e os dramas da vida da moça. É bem tocante, mas não muito didático. Amei do mesmo jeito.
Filme de 2004, Jayme Monjardim.

**Hush - A morte ouve**


Esse eu queria assistir depois que vi a polêmica que deu na comunidade surda após o lançamento. O filme é sobre uma escritora surda que vive isolada em uma cabana muito bonitinha. Então, uma noite ela é perseguida por um mascarado que revela que só irá matá-la, quando ela quiser morrer. O caso é que ele nem imagina que a surdez da vítima nem de longe a torna uma presa fácil.
Veja bem, a moça que interpreta a Maddie não é surda, o que significa que não ouve recorte na produção. É óbvio que existem muitas atrizes surdas que seriam perfeitas para o papel! Switched at Birth está ai pra provar o talento da comunidade, então esse foi um grande ponto negativo no filme.
De resto, eu achei maravilhoso. Ótima fotografia, ótimo roteiro e um plot twist de arrancar o fôlego.
Filme de 2016, Mike Flanagan

**The Babadook**


Foi tenso assistir esse filme porque eu sabia que ia morrer de medo e assim aconteceu hahaha Tem essa mãe e esse filho que moram numa casa muito bad vibes. O menino é esquisito e fala de um monstro o tempo todo e a mãe nunca conseguiu superar a morte do pai. Um noite qualquer o menino acha um livro infantil e pede para que sua mãe leia para ele. E foi aí que eu me borrei inteira, obrigada. Eu assisti com a minha irmã e uma amiga e nós passamos o resto da tarde tentando imitar o som tenebroso que o Babadook faz: Ba-ba-dook-dook-doooook! Consegui dias depois e estou orgulhosíssima. 
Filmes australianos... o que dizer sobre eles? Linda fotografia, filmes meio lentos que podem ser bem aterrorizantes... Melhor filme de terror que assisti em muuuito tempo. 98% no Rotten Tomatoes, se não acredita. Tem até um short film da diretora, Monster, que a inspirou a fazer o longa.
Filme de 2014, Jennifer Kent

15 de fevereiro de 2017

Uma carta desesperada para a Bella Swan // 12 cartas em 12 meses


Oi meninxs! Como estão?
Ainda estou de férias. Argh. Não aguento mais essa ansiedade louca pra começar a faculdade! Sério! Já assisti TODOS os vídeos de material escolar e vlogs de primeiro dia de aula na faculdade já lançados no Youtube. É como se eu estivesse na espera pra fazer intercâmbio de novo, há muito tempo eu não ficava ansiosa assim para as aulas. E não é como se fossem aulas comuns na escola, eu não estou indo estudar matemática, biologia, física... É tudo novo. Tudo. De modo que além de surtar sobre a universidade, como eu fiz em todos os últimos meses pra ser sincera, eu apenas comecei a assistir Gilmore Girls tudo de novo (Rory começando em Chilton, me faz contar as os dias até a UFPE, by the way faltam 19 dias!) e estou lendo Morte Súbita da J.K.Rowling e achando interessante. Nunca li Harry Potter nem nada *choquem!* e portanto, essa é a primeira vez que leio algo dela. Exciting, huh?
Bem, voltando ao post, ai está mais uma carta bem sentimental do projeto 12 cartas em 12 meses! Peço que se forem realmente ler a carta, leiam até o fim. (Se você não sabe sobre o projeto, clique aqui e fique sabendo!)

  • Fevereiro: Uma carta para um personagem fictício.



Olá Bella,
Eu conheço muito você, sabe. Achei que só de vista, mas percebi que te conheço muito mais profundamente. Esses dias, vi você no YouTube. Li seu blog outro dia também, fiquei preocupada. Volta e meia eu vejo você na rua, menina. Na escola, então? Nossa, você nunca faltava mesmo! Eu te vi por todo lugar, sabe. Mas ainda não tinha percebido sua presença aqui em casa. Ontem vi você no espelho. Daí decidi escrever essa carta pra você. Foi meio frustante, admito. Sem ofensas, mas eu queria escrever para O Fantasma da Ópera, para a Lizzie Bennet, para a Capitu. Juro que ainda abri o Word pra falar com a Geni! Mas tava errado, Bella. Era com você que eu precisava falar. 
Sempre pensei que me identificaria com alguém fora da um best-seller machista americano, mas me enganei de novo. Olha com quem fui me identificar, hein? Bella Swan. Digo, como explicar a sua história ser um best-seller? Você está por todo lugar, eis a razão!
Eu costumo zoar minha irmã dizendo que ela parece com você. Todo mundo costuma dizer isso sobre ela. "Ai, você era toda tímida e séria na escola, parecia a Bella Swan!" "E esse estilo todo gótico ai, Bella Swan?" Ela não gostava, mas passou a levar na boa. Quer dizer, não importa muito se ela lembra você por não ser toda extrovertida, não é? Aí eu percebi, que um monte de amigas minhas parecem com você também, especialmente uma, chamemos ela de Joana. Joana parece mais com você do que a minha irmã. Joana é você. Ela está completamente apaixonada pelo namorado. Assim como você, Bella, ela morreria por ele. Lembra de quando Edward foi embora pra Roma e você fez as mais estúpidas burradas por causa dele? Bem, a Joana está quase aí. E sabe, o namorado dela não vai voltar ou tentar se matar porque acha que ela morreu nem nada. Ele vai seguir em frente e Joana não vai saber o que fazer. E então eu tenho raiva de você, Bella. Que mal exemplo! Então é isso que devemos fazer quando temos nosso coração partido? Estou cansada de escutar que isso é o "verdadeiro amor" que é impossível viver sem sua "alma gêmea"! Mas então me lembro que você era só uma garota insegura de 16 anos e eu sinto pena de você. Não, pena não. Empatia.
Tenho outra amiga, podemos chamá-la de Maria, que assim como você fez, ela seguiu o namorado pra onde ele foi.Ela se anulou por ele, mesmo que ele não tenha a pedido expressamente.  Eu sei que você vai negar e dizer que o Edward tentou te impedir, mas e quando você tiver 40 anos e perceber que nunca foi pra universidade? Quando perceber que perdeu tanta coisa, mesmo que tenha ganhado também? Que nunca vai poder ter uma profissão permanente no mesmo lugar ou que nunca vai poder ver suas rugas de aniversário de 30 anos? Quer dizer que viver sob a luz do sol não importa mesmo? Um monte de gente acha que pode viver sem isso e muitas podem. Mas decidir isso aos 18 é complicado, principalmente quando a maior razão é aparentemente seu namorado. Nem sempre dá pra se segurar em alguém, sabe? E se quer me ouvir honestamente, tudo isso parece um cativeiro sofisticado pra mim. Mas o que eu sei?
E então, você parece comigo. Cheia de inseguranças e esperando desesperadamente alguém para resolver tudo e te salvar do mal que nem o Super Homem. Acontece que isso não é saudável. Eu me pergunto se você sabia, Bella, que era totalmente capaz de viver sem ele. Eu me pergunto se você sabia que você era a mulher da sua vida.
Eu sei que poderia escrever o mesmo pra várias mocinhas de livros Y.A., mas é de você que eu me lembro quando vejo essas coisas por aí. Era em você que eu pensava quando tinha 11 ou 12 anos e lia suas peripécias . "Que sortuda ela é!" Mas você não era sortuda pelos motivos que eu achava, Bella. Vim descobrir tarde, infelizmente. Deu uma baita raiva de você de novo. Eu cheguei a esperar pelos meus 17 anos pra viver suas aventuras. Que ilusão você era! Hoje, com finalmente 17, eu vejo que você não era ilusão coisa nenhuma. Ás vezes eu imagino como seria um livro da sua vida 40 anos depois da sua escolha meio precoce. Eu realmente quero que esteja do jeito que você idealizou. Mas duvido fortemente.
Sem mais delongas, espero não me identificar mais com você nesses aspectos ruins. Não me leve a mal, eu sei que tenho que lhe dar certos créditos. Mas hoje, eu só queria te pedir desesperadamente, pra não me fazer assistir todas as coisas estúpidas que você cometeu de novo. Não mais nas minhas amigas, ou família e nem em mim. Dito isso, obrigada.
Sua observadora constante,
Thainara
P.S.: Eu realmente esperava que essa fosse uma carta de encerramento, entendeu? Eu estou começando um novo momento na minha vida e pensei que precisaria de um closure. Mas essa carta é cheia disso, né? Coisas que achei e que não eram verdade.

12 de fevereiro de 2017

Os Bons Segredos, Sarah Dessen // Resenha

E ai?
Estou muito animada em resenhar esse livro pra vocês, porque infelizmente foi o único livro que eu consegui finalizar no mês de janeiro, mas felizmente foi um dos melhores livros Y.A. que li nos últimos meses. Eu comprei ele na promoção da Amazon e chegou muito rápido, deu nem tempo de ficar ansiosa. Inclusive, eu era uma dessas pessoas que não confia no serviço de compras online, mas agora eu estou amando muito. Na última sexta, chegou As Crônicas de Nárnia aqui, quatro dias antes do prazo e no maior cuidado. Fora que os livros pra comprar online têm realmente um preço justo, não sou obrigada a comprar um paperback por R$ 50,00 né, mon amour?
Mas enfim, falemos sobre Os bons segredos da escritora americana Sarah Dessen.
***
"Título Original: Saint Anything
Autora: Sarah Dessen
Páginas: 408
Editora: Seguinte
Gênero: Y.A., Ficção, Romance, Dramas Adolescentes

Sinopse: 'Sydney sempre viveu à sombra do irmão mais velho, o queridinho da família. Até que ele causa um acidente por dirigir bêbado, deixando um garoto paraplégico, e vai parar na prisão. Sem a referência do irmão, a garota muda de escola e passa a questionar seu papel dentro da família e no mundo.' Avaliação de 4.3 no Skoob. "

Peyton aparentemente é o preferido da mamãe. Sempre apronta um monte e nunca enfrenta as consequências. Até que um dia, ao dirigir bêbado numa madrugada, Peyton atinge um ciclista e deixa-o paraplégico. Dessa vez, porém, os pais de Peyton não podem poupá-lo de cumprir a pena na prisão, mas isso não parece mudar a relação de favoritismo na família. Sendo o irmão mais velho de Sydney, a menina sente que tem alguma responsabilidade para com o crime do irmão, uma vez que ninguém parece ter. Cansada de ser o centro das atenções na escola por causa do irmão, Sydney muda de colégio e conhece pessoas que a mudarão completamente e para sempre.

Já dei spoiler do que eu achei do livro na primeira parte do post, né. Eu simplesmente amei a estória da Sydney! O livro é narrado na primeira pessoa e isso me ajudou demais a sentir empatia pelos dramas da menina Syd. Tem hora que dá até pra sentir o medo e a agonia que ela está sentindo e eu preciso creditar a Sarah Dessen por isso, que escrita maravilhosa!
O livro começa nos introduzindo à relação estranha entre os irmãos Sydney e Peyton. Você percebe, sem que a autora expresse claramente, que Sydney admira muito o irmão e ao mesmo tempo odeia que ele seja tão mimado pelos pais. Com a atenção toda virada para o Peyton, Sydney se sente como se fosse o resto, como se pouco importasse. A partir disso, a gente já se sensibiliza, ai ela conta sobre o ciclista David Ibarra e parte totalmente nosso coração.
Eu gosto muito de como a Sydney trata as relações dela, de amizade e qualquer outra coisa. É interessante ver como as amizades podem mudar e sofrer distâncias, mas ainda serem lindas.

Os personagens são com certeza a segunda melhor coisa desse livro (a primeira é a escrita, sério). Todos são muito bem construídos e reais. Muitos me lembraram meu próprio grupo de amigos na escola e eu ri demais em algumas páginas!
A Sydney é incrível! Dramática o suficiente por conta das circunstâncias. Eu não me irritei nem um pouco com ela. A mãe da Sydney é claramente abusiva e a menina não sabe muito bem como lidar, mas eu entendi demais e torci muito por ela.
Os pais da Syd e do Peyton são complicados, mas bastantes verossímeis. Eu tive muita raiva da mãe em alguns momentos, mas depois que me coloquei no lugar dela... Tenso.
Peyton e Ames não aparecem tanto quanto eu achei que fariam e graças a Deus porque não gostei de nenhum dos dois, apesar de serem ambos muito bem desenvolvidos. Principalmente o Ames!
Os Chatam são os melhores! Mac é um amor, Layla é muito forte e empoderada e a Sra. Chatam é inspiradora. Os santos dessa família são o que eu mais gostei sobre eles, lembrei demais da minha infância.
E o Eric merece um cantinho de fala aqui, porque ó menino engraçado. Parece um pouco comigo há alguns anos atrás, meus amigos que o digam! haha

Eu prestei muita atenção na forma como a Sarah Dessen pôs no papel essa estória, é bem fluído e gostoso de ler. Escrito sem muitas reviravoltas, mas de forma simples e cheia de sentimento. Pra quem quer escrever Y.A., Sarah Dessen pode ser uma ótima inspiração. O trabalho editorial desse livro também arrasa! A capa e diagramação são lindas e vem até com um marcador personalizado na orelha do livro. A Seguinte foi muito bem nessa publicação!
Recomendo muito!

"Ninguém era capaz de saber o que viria adiante;
o futuro era a única coisa que jamais poderia ser destruída, 
porque ainda não tivera a chance de existir."

Nota: ★★

9 de fevereiro de 2017

Menina, se empodera! // Projeto 12 cartas em 12 meses


Hello, hello!
Eu passei muito tempo nesse mês de janeiro procrastinando pra postar. Mentira, eu tava procrastinando com tudo. Eu acabei terminando só um livro em janeiro, que inclusive vou resenhar, e eu fiquei meio decepcionada porque queria ter aproveitado mais minhas férias. Basicamente eu me inscrevi no Sisu e tive ataques de pânico até o resultado. Daí saiu o resultado e eu surtei sobre a universidade. Acabei não lendo o que eu queria, mas até que fiz coisas legais! Fiz um projeto com meus amigos na minha antiga escola e nós apresentamos o Feminismo e o Movimento LGBT pra todos os novatos! Foi revigorante, sério. Nunca pensei que esse seria um tema pra se abordar nas escolas, mas o mundo tá mudando e ficando mais lindo do que já é. 
Voltando ao assunto "postar", eu achei neste blog, um projeto que se chama 12 cartas em 12 meses, e eu amei demais. Consiste em escrever 12 cartas em 12 meses, basicamente haha Tipo, há os temas e nós seguimos ele de acordo com os meses. 
  • Janeiro: Uma carta pra você no passado, há dez anos atrás;
  • Fevereiro: Uma carta para um personagem fictício;
  • Março: Uma carta de agradecimento;
  • Abril: Uma carta para um desconhecido;
  • Maio: Uma carta para nunca ser enviada;
  • Junho: Uma carta para a infância;
  • Julho: Uma carta de revolução;
  • Agosto: Uma carta ao seu relexo no espelho;
  • Setembro: Uma carta aos seus sonhos;
  • Outubro: Uma carta para o seu melhor amigx;
  • Novembro: Uma carta de perdão;
  • Dezembro: Uma carta de despedida.

Como vocês podem perceber, eu estou atrasada com a carta de janeiro há 10 dias, mas tudo bem. Quero participar mesmo assim. E aí vai, uma carta para a insegura e minúscula eu do passado.

***

Olá pequena Thainara de oito anos de idade,

Eu gostaria de esclarecer algumas coisinhas pra você. Mas primeiro, eu queria lhe fazer um pedido desesperado: Aproveite sua infância, por favor! Pare de achar que é seu dever cuidar dos seus pais quando isso é uma total ilusão criada na sua cabeça! Seus pais deram duas opções a você e, considerando que a maioria das pessoas não conseguem nem ter uma opção, eu acho até válido. Seu pai é evangélico e sua mãe é católica, assim como seus outros três irmãos. Eles vão levar você frequentemente para o culto e para a missa, afim de que você decida qual religião quer seguir. Aqui vai uma dica: NÃO BASEIE SUA DECISÃO NA PENA QUE VOCÊ SENTE POR SEU PAI SER O ÚNICO EVANGÉLICO DA CASA! Ele não é mais criança, mas você é! Depois de um tempo amiga, você não vai querer ser cristã de jeito nenhum, então escolhe o que você se sente quase confortável e vai! Depois que você escolher ir pra missa com sua mãe e seus irmãos, não fique choramingando por aí achando que seu pai lhe odeia (ele só vai te odiar mesmo quando você for uma adolescente "rebelde" e disser que é agnóstica e quer participar de levantes políticos hahaha), porque isso não é verdade.
Ah! Lembra dos menininhos que você tem crush e que dizem que gostam de você mas também da sua irmã? Desencana desses embustes, querida. E não deixe que eles lhe façam questionar sua capacidade de ser amada. Corra deles antes que você comece a se comparar à sua irmã, porque quando isso acontecer, se prepare. Enfie agora na sua mente que você não é a irmã feia ou burra! Eu sei que ser gêmea é complicado, mas sua irmã está passando pela mesma coisa que você. Eu preciso muito também que você não se esqueça nem por um minuto que as amizades que você perde não são somente culpa sua. Com apenas tão poucos anos de vida você vai viver muitos relacionamentos abusivos e quando você chegar à minha idade, vai perceber que todas aquelas meninas que foram más com você e que te fizeram odiar sua irmã gêmea, eram apenas inseguras, de modo que você vai ser empática com elas e até sentir falta das antigas amizades, das festinhas na casa delas, de assistir Orgulho e Preconceito com a Tal Pessoa. Hoje você não confia muito em ninguém por causa do que você passou, mas eu sei que isso um dia não vai ser mais uma grande questão.
Sabe a sua obsessão por Dom Casmurro e O Fantasma da Ópera? Pois é, eu ainda a tenho! Tu continua amando música dos anos 80 e 90 e isso vai te ajudar um monte! hahaha E você ainda quer ser escritora e cineasta, mas também pensa em ser jornalista que nem a Rory Gilmore! Com 17 anos, você vai até entrar no curso de Comunicação Social na Universidade Federal de Pernambuco! Isso mesmo! Aquela instituição que a sua prima entrou e todo mundo endeusou ela e você acha que é impossível. Não desiste dos teus sonhos não que por mais que você seja uma vítima do capitalismo neoliberal, ainda vai acontecer um monte de coisa incrível na sua vida! Fazer High School no Canadá é uma delas, hein. Advinha? Lá no Canadá todo mundo vai adorar esses teus cachos bagunçados!
Tu acredita que História é a tua matéria preferida agora? Eu sei que você quer ser famosa e sair do Brasil pra morar com a Teri Polo em Hollywood, mas depois que tu sair do teu país por cinco meses inteiros, tu vai perceber que ama muito esse lugar! E apesar de a tua família não ser muito fã da tua obsessão por política e achar que tu vai repetir a história do teu pai, fica de de boa que hoje vai estar tudo bem. Uma jovem mulher pode ser ativista sim, senhor.
Agora vem um esclarecimento importante. Nem tudo que é preto na sua comida e bebida é cocô de rato, às vezes é só orégano ou sementes de fruta. E você não vai morrer se um caminhão ou ônibus passar por você na calçada e nem seus pais vão morrer enquanto você está dormindo. Falando em pais, pare agora de exigir que sua mãe lhe coloque na cama todos os dias, isso é chato demais!
Por último, mas não menos importante, não odeie seu irmão e nem brigue com ele pelas razões mais idiotas. Um dia ele vai se casar e sair de casa e você vai perceber que nada mudou porque você não sentia a presença dele nem quando ele estava presente e isso é muito triste.
Thainara, você ainda vai ter muitos medos na sua vida. O medo de morrer continua, o da comparação continua, o de ficar sozinha é um problemão ainda. E aquele medo de não entender tua sexualidade vai te perseguir um monte, mas "prestenção", menina! Tu é mais corajosa do que tu pensa e empoderada que só tem até aí! Sou toda orgulhosa de quem tu é, serião. E já que é tão importante pra tu saber, um monte de gente também se orgulha de você.

Até mais,
Você, tentando hardly ser zen, com quase 18 anos.

5 de fevereiro de 2017

Mais uma resolução desesperada para 2017


Não, eu não sou boa em perder.
Até poucos meses atrás, eu com certeza diria que isso é uma característica pessoal, nada muito relevante. Mas é. Totalmente.
Eu nunca entrava em competições, mesmo que eu soubesse que tinha chance e isso é um grande desperdício. Se eu era chamada pra me apresentar nesse tipo de coisa, eu não ia. Primeiro porque eu não tinha segurança  para tal e segundo, porque eu sabia que desde que eu não tinha segurança, eu iria com certeza me quebrar em tantos pedacinhos quanto os tijolos do Muro de Berlim em 1989 quando eu perdesse. Eu tinha tanto medo de não ser boa no que eu faço, era como se eu fosse parar de ser quem eu era, uma vez que eu era "a dançarina" ou "a escritora", mas raramente apenas eu.
Mas então eu fui realmente encorajada a competir em algo que andava pensando há muito tempo. Sério, todo mundo parecia estar tão confiante quanto eu.
Eu fiz minha parte e achei-a terrível como sempre. Não estava, ao que me convenceram. E então eu passei a amá-la. Porque óbvio que eu ganharia.
Desse jeito eu esperei meses pelo resultado. Eu sabia exatamente o que eu iria vestir no "Grande dia", eu pensava nele praticamente toda hora.
É triste quando você despenca de algum lugar difícil de subir. É como se as cortinas se abrissem e você percebesse que pagou caro pelo show errado, que você não deveria estar ali.
Alguns meses se passaram e eu me dou conta agora de que segunda, dia 30/01 sai o resultado do Sisu. Eu estava tão confiante esses últimos dias que sabia até a roupa do primeiro dia de aula caso eu entrasse na universidade. 
A nota de corte continua subindo, a minha posição não está incrível e eu sinto que vou passar pela mesma coisa toda de novo. E eu me arrependo de tentar. E eu sinto raiva de mim por ser tão covarde.
Esse ano eu quero mudar e eu vou. Se eu não passar, vai ser não mais que uma pena. E eu tenho o direito de ficar triste. Mas eu preciso continuar tentando. Não importa se as pessoas ao meu redor parecem conseguir e eu não. No fim do dia, o que realmente importa é o que acontece comigo.
Perder é terrível. Mas se você nunca tentar, não vai jamais saber como é ganhar. E ainda vai virar uma daquelas pessoas ranzinzas que não comemoram nem o aniversário. 
Acho que prefiro perder mil vezes do que não tentar.

***
Enfim, saiu o resultado do Sisu e agora eu sou a mais ansiosa novata da federal de Pernambuco, yay!!!! Quem sabe eu não venha a ser uma dessas blogueiras que só falam de faculdade e escrevem posts educativos do tipo, como estudar para o ENEM? hahaha duvido fortemente.
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