7 de novembro de 2017

Um papo furado sobre modéstia e sobre não caber + Uma playlist

Vinte e quatro de outubro de dois mil e dezessete

Estou escrevendo de madrugada como sempre e amanhã (vulgo hoje, mais tarde) eu preciso ir pra faculdade receber um dos piores trabalhos que eu já fiz na vida e um dos melhores. Eu tô nervosa porque essa vai ser a primeira vez que eu tiro uma nota baixa nesse curso (e infelizmente, eu mereço) e porque eu vou provavelmente me sentir a pessoa mais burra do mundo até que eu consiga uma nota boa de novo. E eu sei que eu não sou uma pessoa burra. Eu geralmente tiro sempre notas boas e fico mal às vezes quando tiro *pode levantar as sobrancelhas e me xingar* nove. Isso aconteceu na última semana, inclusive. Tirei nove numa prova que eu sabia que tinha sido fácil e apesar de muitos dos meus amigos não terem conseguido bons resultados, eu me senti muito subestimada e pequena. Com um nove. Um fucking nove.

Então, pensando nisso e em como eu vou me sentir um lixo ambulante amanhã, eu vim aqui falar sobre modéstia e como eu me sinto inteligente mas tenho uma das piores autoestimas intelectuais que você vai ver em uma pessoa.

Primeiro, vamos explicar o problema de ser inteligente mas não confiar na sua inteligência. 

A vida inteira eu sempre escutei que eu era muito precoce e que eu lia livros que normalmente crianças da minha idade não leriam. Eu lia Ana Maria Machado também, eu não era uma daquelas meninas citadas em jornal por ter lido todos os tratados filosóficos que se tem pra ler aos oito anos. Mas eu lia os clássicos, eu sabia escrever, já referenciava bem... Eu tinha uma ótima educação e por isso, me acostumei a nunca tirar nove.

Então eu sempre soube que era alguém inteligente, e por não acreditar em talento ou ideias inatas, eu pensava que essa era uma questão que não dependia de ser modesto ou não, era apenas fato: Eu tive uma boa formação pedagógica e fui estimulada a estudar e consumir cultura e diversidade de informação, logo eu sou inteligente. Sendo assim, sempre achei esquisito que as pessoas fiquem chateadas quando alguém se assume bom em alguma coisa. Ora, qual é o problema de saber que canta bem ou que é bonito ou que é inteligente? Mas já que por convenção nós decidimos que essa é uma questão de humildade, eu acabei entrando nessa paranoia ridícula também (mais pela manutenção de uma  harmonia social do que por qualquer outra coisa) e desde que eu tinha uns 15 anos, eu não sou mais inteligente. Se alguém me diz isso, eu nego com toda veemência do mundo. E no fundo, eu sei que eu sou, mas vai que as pessoas me odeiem só porque eu gosto de algo sobre mim?

Mas voltando à problemática anterior, se sentir inteligente, pra mim, nunca teve muito a ver com ser capaz de produzir coisas boas. Falo criativamente, sabe? Eu sei que tenho referências o bastante pra escrever uma boa resenha ou um bom trabalho acadêmico em geral, mas eu não acho que vou além disso. Em parte porque eu não tento e em parte porque eu acho que, na verdade, todas as minhas referências servem não para me ajudar, mas para me influenciar demasiadamente.

Eu só queria criar algo que não parecesse com nada e ainda assim ficasse bom. Não queria que me comparassem a nenhum grande autor (por mais alto que esse elogio seja), queria só que fosse eu. Uma materialização simples de mim mesma e ponto.


E por mais que eu saiba, na minha mente, que se eu tentar muito eu vou eventualmente conseguir isso, eu prefiro não tentar e descobrir que eu não era capaz mesmo. Pode ser que eu já tenha criado algo bom também, mas sabe aquilo de não conseguir ter orgulho do que vem de você? Pois é. 

Semana passada, minha prima veio aqui em casa. Eu tenho três primas próximas, o que é engraçado, porque todas são muito distantes de mim. Mas enfim, a que veio me visitar, passou horas e horas falando sobre como ela imaginava a vida dela daqui uns dez anos. Basicamente tudo que eu não quero. Não porque eu despreze ou algo parecido, mas apenas porque é diferente de mim e de como eu fui criada pra ver o mundo. Quando ela foi embora, eu só conseguia pensar em quão longe eu estou de conseguir realizar minhas aspirações. E é muito péssimo que a visita dessas primas me deixe tão nostálgica e frustrada.

Minha frustração não é sobre achar que a vida delas é horrível, mas por achar que todas nasceram onde cabiam e eu não, mas estou fadada a viver a mesma vida. Estudar o que der dinheiro, ter alguns lazeres singelos em detenção do lugar onde mora, ir à igreja, casar, ter filhos, morrer. A jornada do herói brasileiro, sem muitas alterações. O que eu espero que não aconteça comigo.

E por mais narcisista que isso pareça ser, eu acho que toda a imensidade desse lugar ainda é muito pequena pra mim. E tudo bem que esse mundo todo não vai ser meu, como eu sonhava quando criança, mas a gente sempre consegue achar o nosso próprio mundo dentro das nossas possibilidades. E eu não acho que o meu está nesse país e nem perto dessas pessoas. Eu amo esse lugar e eu amo quem eu tenho aqui. Sempre disse que nunca tive nada em objeto que eu me importasse tanto a ponto de não querer perder nunca, mas se uma dessas pessoas fica triste, eu quero levá-las pra a fábrica do Willy Wonka, pra Neverland, sei lá. Mas mesmo assim, eu não consigo me sentir em casa. Parece que tem um outro mundo me esperando atrás das portas do meu guarda-roupa.

Eu não queria liberdade, nem nenhuma outra ilusão. Eu só queria uma travessia que me parecesse valer a pena. Um bom trabalho onde eu pudesse exercer minhas capacidades acadêmicas, um lugar que eu achasse bonito e seguro e uma situação estável com as pessoas a minha volta. Não é muito, não é como eu imaginava minha vida aos doze anos, mas é o que eu posso conseguir se eu trabalhar o suficiente.

Minha vida não é aqui e parece que ela tá em hold esperando apenas que eu a comece finalmente.

Eu fui criada nesse país e nessa cultura e eu gosto de tudo isso, senti falta de tudo isso quando estive longe, mas não é quem eu sou. Não quero criar nenhum filho aqui (se algum dia, eu tiver herdeiros rs), não quero viver aqui, não quero morrer aqui. Quero sentir de novo que sou um pedaço do mundo pra as outras pessoas. Então, assim que der, vou bancar a Barbie mosqueteira and make my own way. Talvez pra a Romênia, Espanha, El Dorado, Nárnia... Onde quer que eu ache sossego emocional e aventura criativa. E se um dia eu quiser voltar e me achar completa nesse lugar, ótimo.

A vida é pra a gente tentar descobrir o sexo dos anjos mesmo.

E como sempre nos papos furados, uma playlist das minhas músicas preferidas do momento. Tem música clássica latina, brasileira folclórica e Hanson nessa lista tá, me desculpem.

* O próximo post vai ser finalmente sobre o resultado das maratonas de Halloween e meu flop nas últimas semanas e tentativa de recompensar isso nos primeiros dias de novembro ashuahua Enfim, até lá :) *

21 de outubro de 2017

But the sky's gonna hurt when it falls, so you better start building some walls

Lembram do Thomas? Então, eu achei uma Helena, mas dessa vez, escrita nos moldes contemporâneos, no meu computador. Acho, não tenho certeza, que Helena e Thomas foram pensados na mesma época e provavelmente no mesmo universo. De qualquer forma, esses são escritos de algum tempo, que estão me fazendo lembrar de quem eu era há alguns verões atrás (E eles foram escritos de maneira muito aleatória, e muito desconexa *Então relevem que tá meio confuso e meio pointless, mas eu queria guardar aqui antes que eu exclua por coisas "mais importantes"* Esse texto começou em 2015, só que eu escrevi pedaços dele até os primeiros meses desse ano, uma vez que era meio como uma página onde eu despejava qualquer coisa que viesse à mente. Muito do que escrevi diz mais respeito a mim do que a Helena, apesar de ela ser uma personagem bastante autobiográfica). 
Eu meio que me sinto como o personagem que o Luiz Fernando Carvalho projetou no Dom Casmurro (na minissérie Capitu de 2008), alguém que tem tem tanta saudade de si mesmo, a ponto de materializar. E é isso que eu ando fazendo em 2017. 
Só pra finalizar esse """prefácio""", eu acho que essa foi a primeira personagem assexual que escrevi. Lembro de um desses dias péssimos em que eu estava me sentindo meio esquisita, e fui, numa tentativa desesperada de me aliviar, assistir Glee pela milésima vez. Ai tem um episódio onde o Kurt reclama ao pai que não existem personagens principais gays nos musicais da Broadway, e então o pai dele diz uma coisa que me inspirou a criar a Helena, que se não existem protagonistas que te representem, escreva-os.

Quero que olhe pra mim quando diz que não amo. Olhe de verdade e tente ver se enxerga só pele ou poeira cósmica. Veja se há um ser humano.
Preciso que imagine como é ser eu. Mas não me encare, ou eu me sinto pequena. E hoje estou tão grande que meus pés não cabem na cama.
Deve ser porque não sorrio tanto. Ou porque não toco você. O que eu preciso fazer pra você ver que eu também amo?
Se eu te disser que amo muitas coisas, minha casa, meus livros, minha Polaroide, a rua que dá para a antiga escola onde estudei...Você acredita ou vai achar que eu ainda preciso tomar Nescau toda manhã? O que eu tenho que amar para parecer uma mulher? 

Você me faz sentir pequena. E hoje estou tão grande que meus pés não cabem na cama.

Meu amor precisa escorrer pelos meus dedos ou escapulir pela minha boca para que você aceite isso? É algo tão maior e mais complexo que eu que não consigo alcançar com as minhas próprias mãos e nem racionalizar com a minha finitude falha e adolescente. Me pergunto então como você consegue. 
E quando eu preciso abraçar minha gata, que nesse momento está me olhando pela fresta da janela, porque a acho tão preciosa quanto uma parte vital do meu corpo, será que isso é amor ou devo chamar de outra coisa? Quando simplesmente não consigo parar de olhar pra o teto quando releio pela milésima vez as minhas páginas preferidas do Machado de Assis(Ou será que eu devo ler Shakespeare para poder amar?)?

Isso vem e vai de maneiras não previstas. O amor que eu esperei e que você me fez almejar, vem todos os dias com um traje que não reconheço. À noite com a tradição da minha irmã de não dormir sem antes dizer "Até mais tarde" e demandar uma resposta. No início da tarde, quando minha mãe me acompanha até a porta e exige que eu a peça a benção. Você acha que isso é amor ou ainda não há um nome pra isso?
E então se eu te falar que amo a mim mesma, será que está tudo bem? Eu realmente preciso dar amor para você, ou té-lo em minha carne, para que eu seja amor também? E se eu amar minhas curvas, meus cabelos, minhas sobrancelhas mal-feitas, meu ronco quando rio muito, meu choro quando estou feliz demais?

É esquisito como a vida inteira eu imaginei como era ser amada. O caso é que eu já nasci amada. E amor é isso mesmo, venha e seja de quem for. O amor que a gente espera às vezes sempre esteve lá. 
E apesar de nós o escutarmos diferente nas músicas românticas, a vida não pode se limitar em algo que te foi dado através de uma telinha de TV. Que droga que até o amor é soterrado nesse desespero por lucro. Mas você não acredita nisso. 
Você ri e me faz sentir pequena. E hoje estou tão grande que meus pés não cabem na cama. 
Eu decidi então construir um muro. Um bem forte, que nem aquele que a União Soviética pôs bem no meio da Alemanha. Construí bem lenta e atenciosamente. Pensei que estivesse segura. Mas o amor passa até pelas menores frestas e nisso você acredita. 
O muro desabou e fui à ruína junto. Mas eu precisava disso, no final das contas. Quando o céu desaba sobre a gente é quase sempre o único momento em que a gente o nota, mesmo ele estando em cima da nossa cabeça a vida toda.

Quer saber? agora não posso lidar com isso. Nem com seu clamor e nem com a minha dúvida.
Eu não quero viver mil vidas até descobrir qual é a minha, nem me forçar a ser você, até que, enfim, cansada, decida ser eu. Nesse ínterim, já roí todas as minhas unhas e estou quase fazendo os dedos sangrarem. 
Há uma infinidade de possibilidades entre a gente. Eu não consigo e nem quero conhecer todas elas. Você me faz sentir insuficiente e eu não preciso de ajuda pra me pôr pra baixo. 
Não preciso entender o motivo da sua existência. Então por que você insiste em questionar o motivo da minha? Eu preciso de um aval seu para não desperdiçar minha essência?

Não tenho que te dar o que você não consegue dar a si mesmo. Eu nasci ontem, mas a vida já parece tão doída que não aguento te carregar nas costas. O que eu fui para você, você não precisa. Mas desde que eu entrei naquele ônibus que me levou até a gente, eu nunca necessitei tanto de mim mesma. 
Sabe, eu ainda não voltei pra casa, mas quando chegar lá, no fim dessa maldita odisseia, vou desligar as luzes e sentar comigo mesma no escuro. Perguntar por onde andei e dizer que senti saudades. Me segurar com força para que eu não desate a me perder por ai de novo. Dizer que me amo porque dessa vez eu preciso ouvir. Que tal ver Clueless ou Mean Girls? Eu preparo um brigadeiro, se você ficar. Tudo bem, jovens fazem besteira mesmo.

Mas não me diga que eu não posso amar, porque me sinto pequena.
E hoje estou tão grande que meus pés não cabem na cama.

Amanhã (em quatro minutos) começa a SCREAMathon! Boa sorte pra quem vai participar (incluindo eu rs)!

13 de outubro de 2017

Dez livros amorzíneos pra quem não curte o mês do terror Feat. Thâmara (minha irmã)

Estamos no mês do horror (numa sexta-feira 13 maravilhosa) e, como eu falei no último post, eu estou participando de três maratonas de Halloween. Estou muito animada porque estamos no dia 13 e eu já estou indo MUITO bem! Mas já que nem todo mundo curte a vibe spooky de Halloween, o post de hoje é mais romântico. 
Já faz um tempão que eu não fiz listas, ou talvez eu nunca tenha feito listas, mas hoje eu senti vontade de fazer. Eu quero voltar a ler romances, porque eu gosto muito apesar de ser ariana (piadinha com signo, sendo que eu nem sei nada de signo é comigo mesmo, folks), então vim relembrar alguns dos meus preferidos aqui com vocês. Eu infelizmente acabei de perceber que não tem nenhum nacional na lista D: (e também não tem Shakespeare D: ) Mas se vocês quiserem dicas de nacionais, aqui vão algumas: Sal, Leticia Wierszchowski; Lucíola e Senhora, José de Alencar; A Mão e a Luva, Machado de Assis; Queria ver você feliz, Adriana Falcão; e A Cama, Lygia Bojunga.
Razão e Sentimento, Jane Austen 
Esse é, até o presente momento, meu livro preferido da Austen. Eu sei que Orgulho & Preconceito é o romance do milênio, mas acreditem se quiser, eu prefiro o Mr. Edward Ferrars e o Coronel Brandon ao Mr. Darcy hahaha Fora que Razão e Sentimento tem não só uma estória de amor, mas duas, já que ela conta as aventuras amorosas das duas irmãs Dashwood, Marianne e Elinor. Eu amo as duas e tenho muito das duas, mas acho que sou mais a Elinor (até porque, pra mim, ela conseguiu o melhor partido). 
Jane Eyre, Charlotte Brontë
Esse é o livro preferido da minha irmã, mas ainda não é featuring dela ashuahua
Foi um dos melhores livros que eu li ano passado e com certeza, o casal clássico que eu mais shippei na vida, vocês sabem disso porque no Wrap up de fim de ano eu falei dele. Eu amo o estilo das irmãs Brontë, que diferente do mundo meio provinciano da Austen, onde as mocinhas estão em busca de um tipo de subversão, traz umas narrativas meio obscuras, com casais não-perfeitos. Me pergunto o que diria Mr. Fitzwilliam Darcy se encontrasse o Mr. Rochester em alguma ocasião. Um encontro entre o homem perfeito da era regencial e o mocinho problemático da era vitoriana. Não que isso fosse possível, até porque eles não existem. Enfim! um dos primeiros livros feministas, meninas :')
A tulipa negra, Alexandre Dumas
Vocês sabem que eu sou completamente apaixonada por romances franceses e que eu venero os Dumas (pai e filho), né? Eu quis indicar esse livro porque eu já falei de todos os outros e esse é realmente o meu livro preferido (talvez disputando com O Máscara de Ferro) do Dumas pai até agora. Li em poucas horas e reli um dia depois hahaha Fiz todas as minhas amigas lerem também. Ah! No último diário de leituras, eu falei de A Dama das Camélias (criação do Dumas filho), que é um dos livros mais românticos desse planeta azul e que se parece demais com o próximo que vou indicar :)
Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco
Esse é conhecido por ser incrivelmente triste. É uma tragédia romântica portuguesa maravilhosa. A típica história do amor proibido, sem mais nem menos. Mas é um clássico que eu amei muito ler na minha época da escola e que me deixou apaixonada pela escrita desse carinha ai. 
Cyrano de Bergerac, Edmond Rostand
Quem não conhece as peripécias do poeta com o nariz mais feio da França? hahaha Eu amo demais esse livro, sério! Tem uma releitura do Pedro Bandeira que todo leitor que começou o hábito quando criança já leu, A Marca de uma Lágrima, um clássico da literatura juvenil nacional. De todo modo, Cyrano foi uma leitura que me destruiu e o final é o mais frustrante da história dos livros impressos! Mas eu recomendo fortemente.
Eu fui a melhor amiga de Jane Austen, Cora Harrison
Se você gosta de romances históricos e é fã da Austen, esse livro vai ser perfeito! Na verdade, ele é perfeito de qualquer jeito. Eu reli ele mais vezes do que posso contar e é um dos meus contemporâneos favoritos. O negócio é o seguinte, a Cora Harrison fez uma pesquisa intensa da vida da escritora romântica preferida de todos os tempos e escreveu uma ficção maravilhosa onde a prima da Austen, Jenny, se apaixona pelo Capitão Thomas Williams (a Cora conseguiu capturar a essência de todos os mocinhos Austenianos de maneira perfeita). Esse livro revela uma parte muito interessante da adolescência da Jane Austen e fala também um pouquinho do romance dela com o Tom Lefroy. Lembrando que alguns fatos e personagens são reais, outros não.
Lola e o Garoto da casa ao lado, Stephanie Perkins
Esse aqui (e os dois próximos da lista) é bem diferente dos que indiquei antes. É um Y.A. muito simples e levinho, não tem tragédia nenhuma, pelo contrário, é até muito bem humorado. Esse livro é famoso, tava bem hypado há uns anos atrás. Eu amo a escrita da Perkins e esse é o melhor livro que eu li dela. Gosto muito de como ela construiu os gêmeos Bell.
Como ser popular, Meg Cabot
Eu sou apaixonada pela versão juvenil da Cabot! Li a série da Princesa Mia Thermopolis quase toda e gosto muito dos solos dela também. Como ser popular é o meu preferido, mas ele é meio impopular né hahaha muita gente não gostou desse livro com o motivo que era muito besta, sei lá. Eu achei bem filminho Disney, a cara da Demi Lovato em 2009, mas eu também adoro esse tipo de coisa, então. Sendo bem sincera, esse é provavelmente o mais fraquinho dessa lista, mas às vezes a gente precisa  "desbaratinar", como diz minha mãe, certo?
Soul Love, Lynda Waterhouse
Esse é muito curtinho e o romance meio que acontece muito rápido, mas estranhamente isso não me incomodou. Conta a estória da Jenna, que se muda pra uma cidadezinha pequena depois de um problema na escola e lá conhece o músico folk Gabe, por quem se apaixona loucamente. Gosto desse livro pela representatividade, foi um dos únicos contemporâneos que li a falar sobre um assunto tão sério quanto o que Soul Love trata, que eu não posso dizer qual é, porque é a surpresinha do livro. Fora que gosto muito da vibe que ele tem, me faz lembra um negócio meio Wicca, não sei porquê.

*E agora a nossa participação especial já que faz séculos que eu li romance e ela lê mais esse gênero do que eu, ladies and gentlemen, Thâmara (indicando um livro que eu não li, então se for ruim, culpem ela)!*
A solidão dos números primos, José J. C. Serra e Paolo Giordano
Esse é um dos meus romances preferidos e eu o adorei principalmente por causa dos protagonistas e o quão reais são eles. Eles sentem de verdade, igual a gente. Paolo Giordano não recriou Romeu e Julieta na sua Itália contemporânea, não há esse amor ideal no livro e isso é muito especial.


Feliz dia das crianças atrasado, peeps! Pra todos os gerascofóbicos que ficaram meio triggered com o dia de ontem, I get you rs

5 de outubro de 2017

I own Halloween, biotch

Finalmente, FINALMENTE, o mês do horror, o meu mês, chegou. 
E chegou muito bem, levando embora a minha ressaca literária hahaha 
Outubro é um dos meus meses mais queridos, é possível que vocês já saibam. Eu amo Halloween, então são 31 dias de paixão pelo horror. Quero que vocês me acompanhem nessa. Quem gostar dessas coisas, óbvio.
Vou ver uns filmes e ler uns livros, porque é só isso que eu sei fazer mesmo ashuahua Vão ser poucos, porque eu tô bem atolada com a UFPE, né. Comentarei aqui todos os meus sucessos e fracassos obviamente. E quem for ler ou assistir terror me contem também!
Então estou participando oficialmente de três maratonas em outubro! A #HoraDePerderOMedo do Nuvem literária e do Book Addict,  a Maratona 24h Halloween Edition da readbyzoe e a SCREAMathon.

é a maratona criada pelas meninas do Nuvem Literária e do Book addict e que é direcionada aos leitores que não são muito fãs do gênero terror, seja por medo, ou por nunca ter tido a oportunidade de ler. Óbvio que os que já amam esse gênero, como eu, podem participar também.A maratona já começou, no dia 02 de outubro e vamos até 20 do mesmo mês. Os desafios são ler um livro de um mestre do horror, um livro de contos de terror e um livro com alguma criatura. Já que o livro de contos eu deixei pra a maratona 24h, eu vou ler Miniaturista mesmo.
Caixa de Pássaros
Eu já tinha começado esse livro há um tempo e tinha lido umas 50 páginas que não gostei nem um pouco. Daí abandonei. Mas como as pessoas não paravam de falar sobre o tal final surpreendente desse livro, eu quis dar mais uma chance. Reli as 50 páginas e terminei o livro no mesmo dia (02/10). Foi mais surpresa pra mim ter lido tão rápido do que o final esquisito do Josh Malerman. Mas enfim, gostei muito. Achei bem pensado e bem escrito. Não chega a ser um favorito nem nada e não me deixou tensa ou aflita como fez com as outras pessoas, mas foi uma leitura válida.
Miniaturista
Minha irmã comprou esse livro na Amazon Day só por causa da capa e da diagramação maravilhosas, mas o conteúdo também não deixa a desejar. É um contemporâneo escrito pela Jessie Burton, mas se passa no século XVII em Amsterdã. É uma fantasia dessas pra quem não curte muito fantasia. Estou no meio e sem saber o que achar. Estava bem parado até o fim da primeira parte, quando aconteceu um plot twist maravilhoso, mas agora, depois da surpresa, parece que voltamos ao marasmo das primeiras páginas. Mesmo assim, eu tô gostando de ler.
O Médico e o monstro
É uma tremenda vergonha que eu não tenha lido esse livro ainda! Eu tenho ele aqui faz décadas e nunca peguei pra ler. Minha irmã mais velha adora e eu confio muito no gosto dela pra literatura, então vamos lá! Esse preenche o desafio de ler um livro de um mestre do horror e de ler um livro com uma criatura (aliás, a Ju do Nuvem Literária vai ler o mesmo).

Maratona 24h Halloween Edition
criada pela rainha do readbyzoe e que vai acontecer às meia noite do dia 14 de outubro até às 11:59. Não há desafios nessa maratona e não é obrigatório ler terror.
O médico e o monstro (?)
Pode ser que eu termine antes do dia da maratona, mas acho difícil. No caso de acontecer, pode ser que eu enfie outro livro surpresa nessa lista(tipo O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares). Mas também pode ser que eu me dê uma folguinha.
Garota Exemplar
Tem mês que eu já preparo as leituras, e foi assim com outubro e dezembro. Comprei esse e Conto de Natal do Charles Dickens porque sou a louca das leituras temáticas.
Sete ossos e uma maldição
Esse livro eu li quando criança e eu morria de medo só de lembrar dele. Foi um dos meus preferidos e que me trouxe pra esse mundo lindo que é a literatura de horror. Vou reler porque é curtinho e porque já é tempo.

realizada pela criadora do canal Poison Books, ela acontece do dia 25 de outubro até o dia 31 e o desafio não é especificamente literário, nesse caso, só vou assistir séries e filmes.
Scream                                               Buffy The vampire slayer                              Stranger Things
Creep                                                   A Tara Maldita                               O bebê de Rosemary

Vou assistir muito mais coisa obviamente, mas essas são as minhas metas obrigatórias.

Se vocês forem participar de alguma maratona ou forem se desafiar a consumir mais terror esse mês e quiserem bater papo sobre, venha de zap hahaha na verdade, twitter @thainara_amorim ou instagram @th4inara

27 de setembro de 2017

Depois de um copo de vinho ruim, um filme dramático e uma crise de garganta, fui obrigada a desabafar

Aos meus amigos


Sempre acreditei que as nossas peculiaridades são o que nos faz especial. Isso sempre foi bem óbvio pra mim e talvez pro resto das sete bilhões de pessoas do mundo.

Pois bem, quando eu tinha uns oito anos, eu não me sentia dotada de muitas peculiaridades. Eu era uma criança bonitinha e fofinha como a maioria dos meus colegas de existência. Uma coisa ou outra às vezes me destacava, como ter uma irmã gêmea, uma casinha dos Flintstones, ou já ter lido alguns clássicos... Mas eu achava que ainda faltava algum troço pra eu ter alguma personalidade. Eu me sentia um filhote de humano e nada mais. Me diziam que isso vinha com o tempo, mas eu nunca fui um exemplo de paciência.

Nesse ponto da minha vida, eu decidi que observar as minhas primas mais velhas era uma boa pedida. Todas elas pareciam incrivelmente interessantes, com suas bandas favoritas e seus namoradinhos.
Vou te dizer, tive que fazer um trabalho que impressionaria o Arthur Conan Doyle, porque elas não me diziam muito! Toda vez que eu chegava perto das conversas silenciosas e dos risinhos, elas trocavam de voz (aquele bendito tom que foi convencionado entre os adultos pra falar com as crianças, que cientificamente, retarda o nosso crescimento mental, mas quem liga pra ciência?) e me davam umas respostas infantis. Percebi que não conseguiria muito progresso com a ajuda delas e troquei a tática. Eu sempre fui muito boa em me camuflar. Não tinha muita presença e é uma verdade universalmente conhecida que há muitas vantagens em ser invisível.

Elas entravam no quarto e lá estava eu no sofá, próxima à porta, fingindo dormir, mas escutando tudo. Elas iam pro terraço e eu ficava escondida na janela, de vez em quando simulando estar entretida com alguma coisa, no caso de uma delas me notar. Quando elas saíam pra algum lugar, eu fuçava tudo. Diários, cadernos de escola, revistas, livros, CDs... Mas eu ainda não entendia muito bem quais eram os elementos que as faziam ter a dita cuja(personalidade). Daí, meus caros, não me restou muito mais do que imitá-las. Se uma inventava alguma dessas modas juvenis, do tipo ter um número da sorte, eu procurava um número também. Se elas ficavam fãs de alguma banda adolescente, não demorava um mês pra eu ser especialista no negócio. Se elas decidiam que gostavam de usar tal estilo ou tal cor, eu queria mudar meu guarda-roupa. Mas ô coisinha chata essa de ficar copiando gente!

Aí fiz o que eu faço de melhor. Desisti, né. Foi quando eu conheci uma pessoa que hoje não é mais minha amiga, mas que eu ainda lembro sempre e que provavelmente nunca vou deixar de gostar. Ela era uma dessas crianças renegadas pelas pessoas grandes por ser menos criança do que o resto de nós. Ela era muito mais interessante, que nem minhas primas! Mas os outros da escola não curtiam muito ela. Eu, ao contrário, achava um barato! Uma daquelas pessoas que eu assisto meio com se fosse filme de ficção, que eu nunca cogito que vai se aproximar de mim e ficar por aqui mesmo. Mas foi o que ela fez. Não tinha motivo, quer dizer, eu era bem sem-graça. E tinha uma irmã gêmea mais bonitinha! Só que ela não fazia muita questão disso não.
Claro que eu fiquei fascinada. Segurei suas pernas (bem pateticamente) com força pra ela não mudar de ideia. Depois disso, os outros habitantes dos meus espaços passaram a prestar mais atenção em mim. Consegui outra amiga. E depois outra. E a lista foi aumentando.

Foi assim que eu percebi que tinha motivo sim pra eu agradar essas pessoas. No começo, eu me achava muito sortuda por tê-las e de vez em quando, ficava com ciúmes quando elas se aproximavam da minha irmã também. Eu sempre esperava que elas fossem perceber minha insipidez quando conhecessem uma melhor versão de mim nela (e esses pensamentos ainda voltam numas horas malditas, mas consigo lidar melhor com eles do que quando eu tinha uma década de vida). Só que isso não acontecia. Eu tinha uma personalidade, afinal.

Hoje eu acordei com saudades de vocês. Aí fui na minha gaveta e procurei umas bugigangas que eu fui guardando que me lembram as nossas peripécias. Um bocado de fotos, cartas, pulseiras de festa, lembrancinhas de aniversário... E um diário coletivo entre as minhas melhores amigas quando eu tinha treze anos. The Clarks era o nome, em homenagem a uma personagem do Alexandre Dumas (do livro Vinte anos depois, porque a gente tinha uma promessa de que seríamos ainda muito próximas vinte anos depois do diário). Li algumas páginas e ri um bocado como eu não fazia há um tempão. O diário é grande e não consegui ver tudo, mas parei numa parte muito especial que é quando estamos todas ansiosas porque O Fantasma da Ópera vai ser exibido na TV Aparecida. Uma coisa tão pequena que fez a gente tão feliz. Acho que amor deve ser isso.

Vocês são uma coisa muito cara. É tão difícil de achar e tão difícil de manter, mas é legal, é que nem ter um tamagotchi. Na verdade, melhor, é que nem ter professores particulares. Tipo Ensino Médio mesmo. Uns me ensinam uma coisas, uns outras. E olha, foi difícil pra caramba entender isso. Eu comparava vocês como se fossem livros do mesmo autor. E achava problemas nos nossos relacionamentos que na maioria das vezes, diziam respeito só a mim. Chorava um monte, me excluía dos nossos eventos e depois, com saudades, voltava mas sempre com um pé na porta. E então, graças aos deuses, eu entendi que as amizades são diferentes. Elas são como a gente, elas têm personalidade.


Tem amigo que me ensina o que um doutor me ensinaria, tem amigo que prefere me perguntar o que eu sei. Tem amigo que me tira da zona de conforto e tem amigo que é que nem rede de sítio de parente distante. Tem amigo que me mostra umas coisas da vida como se tivesse setenta anos, mas que nasceu no mesmo ano que eu. Tem amigo que gosta de me fazer sentir especial e tem amigo que é tão especial que é bom de ficar admirando. Tem amigo que escuta mais do que fala e tem uns que falam pra burro, mas é gostoso de ouvir, sabe? Vocês são muitos e de muitos jeitos. E a gente estuda um tantão de coisa, português, filosofia, matemática... Mas a gente não estuda gente e eu queria estudar vocês. 


De qualquer modo, eu me sinto na obrigação de avisá-los que eu sou meio decepcionante mesmo. Não digo isso por baixa autoestima e nem nada, mas porque é verdade. Não sou nada parecida com aquelas melhores amigas da televisão. Eu não sei retribuir, é uma coisa que às vezes eu acerto e às vezes não. Sou meio attention seeker, e eu vou querer sair com vocês um monte mas pode ser que eu me sinta muito sozinha e fique quieta o resto do passeio ou vá embora sem nenhum motivo. Não tem coisa que me assuste mais do que confrontos, mas vocês sabem que como fã de filmes trashs, eu adoro coisas assustadoras. Também não sou boa com mudanças, mas se vocês me derem um tempinho eu me adapto que nem aqueles peixes árticos que congelam por sobrevivência. Falando em congelar, eu não sou muito calorosa. Tem dia que eu vou pra bem longe e demoro um pouco pra voltar, mas eu sempre trago presentes quando viajo. Sou meio esquisita e não sei nunca o que falar (e tem ocasião que eu desato a tagarelar quando não devia). Acho que vocês se irritam com a minha espontaneidade, mas sei que isso é besteira. É só por causa dela que nos conhecemos. Entre a gente não deveria ter insegurança e nem medo, mas se tem espaço pra mim, essas coisas vêm junto.

Não gosto muito de pensar nos anos que nos esperam, mas tem dia que eu fico imaginando o futuro e pensando em quem vou encontrar no bar e morrer de orgulho porque conheço gente importante. Pode ser a que pinta umas alegrias tão bonitas quanto o Renoir, ou a que é uma intelectual formada em dar conselhos pros outros. Talvez seja aquele menino que sempre me surpreende com tamanha determinação em suas convicções ou o roqueiro que é tão inteligente que não sabe pra onde está indo (sabe, que nem aquilo que o Nietszche falou sobre a sabedoria ser um paradoxo, "O homem que mais sabe é aquele que mais reconhece a vastidão da sua ignorância"). Possivelmente o maior baladeiro desse país que é a coragem em pessoa ou a menina que acha que não vai muito longe, mas que está indo na velocidade da luz. Quem sabe não é uma futura designer especialista em kpop, ou o que escreve e canta umas coisas tão maiores do que eu consigo enxergar? Enfim. Quero ver vocês alcançando o céu. 


Isso é tipo um textão de aniversário coletivo, porque eu nunca os faço, mas sempre tenho vontade de fazer. Não é nem que eu não tenha nada pra dizer, é só que eu morro de medo de amar mais vocês do que vocês me amam. E já que não tem régua pra medir amor, eu vou deixar isso pra lá e escrever mesmo. Pra os que me suportam há mais de uma década, há anos ou há alguns meses. 
Eu só perdi uma amiga na minha vida. Muitos saíram dela fisicamente por causa dessa coisa chata que é o mundo e outros foram por caminhos e linhas de pensamento que eu não consigo alcançar, mas só uma foi embora porque quis. E se tem uma coisa que eu tento cuidar são vocês. Então se sentirem que tem mais contras do que prós em terem meu número no celular, por favor, me deixem um aviso prévio. Um post-it que seja, só pra eu me preparar para a despedida. Aos que desejam ficar, obrigada, vocês são sempre bem-vindos.

Eu não sei o que vocês veem em mim, mas, por favor, continuem vendo. 

Tenho vontade de fotografar todos num pico de felicidade e colar as fotos na parede do meu quarto bem em frente a minha cama, de modo que eu acordasse toda manhã (tarde, pra falar a verdade) e lembrasse o quanto a vida é boa. 

E já que estou sendo incrivelmente brega...

I'm so sick of losing soulmates
so where do we begin
I can finally see
you're as fucked up as me
so how do we win?
*
Hello, peeps! Já que alguns de vocês me disseram que gostam muito dos meus desabafos, cá estou eu, derramando minhas emoções para vocês. Fiquei muito feliz, pra ser sincera, com quem disse que era muito legal esse espaço onde eu choro e vocês também hahaha Aqui é tipo o Twitter, né? Eu reclamo, vocês me consolam, daí se reclamam também e eu tento consolar vocês e assim vai! Mas realmente estou animada com isso. Tem lugar que a gente usa pra desabafar e aliviar as pressões de estar vivo mesmo, né? É legal que alguns de vocês tenham encontrado isso aqui. Muito obrigada <3
Também gostaria de dizer que jamais estive tão atarefada (mas eu digo isso sempre hahaha), e que por isso demoro pra postar e pra responder os comentários. A vida das vítimas do capitalismo é assim, galeura. Uma hora passa e eu fico mais tempo nesse blog.

18 de setembro de 2017

Why are you so obsessed with me?

E aí, pessoas? Como vai a vida de vocês? Eu vou bem, socialmente falando, mas não tão bem mentalmente. E tudo bem, eu acho. Se eu fosse feliz ou de boas o tempo todo, eu não seria humana, certo? De qualquer forma, é assim mesmo que as coisas acontecem quando você mora in this wild world, como diria o Cat Stevens. Engraçado que agora que eu meio que estou passando para o lado das pessoas que têm mais responsabilidades que tirar notas boas e estou me decepcionando com as minhas idealizações do que seria ter 18 anos, eu voltei a escutar essa música. Wild World, digo. Eu sempre vou pra universidade ouvindo ela e é uma daquelas coisas que faz o dia melhorar um pouco. Não sei se vocês sabem do que eu tô falando, mas a pequena pausa que o Cat dá antes do "And I'll always remember you like a child girl" é um remédio para os pensamentos negativos. Tentem.
Ah! E é possível que as cartas voltem. Se não voltarem, de toda maneira, meus escritos dramáticos ainda permanecerão, porque enfim, é isso que eu faço. Não sei se conseguiria ser tão sistemática aqui. E nem quero, pra falar a verdade. Esse blog não tem nenhuma pretensão mesmo além de me dar um pequeno sentimento de validação e alívio emocional.

Decidi então, falar sobre as baboseiras que mais me interessam na vida, fora livros e coisas acadêmicas. Também não vou falar de O Fantasma da Ópera, nem Capitu, nem web séries de clássicos, nem minisséries da BBC, pra variar um pouquinho.
Aqui vão minhas obsessões (e quando eu digo obsessões, não estou brincando) não-literárias!


1. Michael Jackson
Eu já falei nesse post aqui, o quanto eu sou simplesmente apaixonada por esse homem. Eu o conheci quando tinha doze ou treze anos. Fui na casa de uma amiga pra trocar DVDs e lá estava Michael Jackson's Greatest Hits. Ela falou que era bem ruim e que ela tinha medo (?) dele. Mesmo assim eu quis levar. Cheguei em casa e pus imediatamente. Gostei do primeiro clipe. Amei o segundo. Fiquei obcecada no terceiro. E estou obcecada desde então.
Passei uns dois anos completamente louca! Li todas as biografias que consegui encontrar (incluindo o calhamaço do J. Randy Taraborelli, que surpreendentemente, eu li em uns três dias!), ouvi e assisti todos os CDs e DVDs que tomei conhecimento, vi os filmes, participei de fã clubes, criei grupos com fãs na cidade, tudo o que uma pessoa obcecada pode fazer por um ídolo. Era tão forte que minha mãe cogitou tomar tudo o que eu tinha dele porque achou que eu estava ficando doida. Mas era só coisa de pré-adolescente sobrevivendo aos terríveis tempos da puberdade mesmo. Depois que minha pouca sanidade mental voltou, eu passei a apreciá-lo mais como um símbolo do que como um deus. Sou absolutamente grata por ele, porque apesar de muito indiretamente, ele foi a única coisa que me impediu de entrar na maior depressão da história em 2012. Além disso, fiz um amiga incrível por ser fã do Michael.
Meu clipe preferido no momento é esse ai, de um dos meus álbuns preferidos, Dangerous. Felizmente eu amo tudo o que ele fez, então sou péssima pra escolher, eu me sinto como a Sofia tendo que escolher entre os meus filhos ashuahsua Sabiam que esse mês o espólio dele lança um novo projeto póstumo chamado Scream? Não me aguento mais de tanta ansiedade (apesar das várias ressalvas com esse espólio maluco)!

2. Heathers - The Musical
Eu sou apaixonada por musicais em geral (The Addams Family, The Rocky Horror Picture Show, Spring Awekening, Les Mis), mas esse deve ser o meu preferido depois de O Fantasma da Ópera (que eu já falei acima que não vou citar). Conheci as aventuras psicóticas de JD e Verônica Sawyer deve fazer uns quatro anos (é baseado em um filme maravilhoso do mesmíssimo produtor de Mean Girls, com a Winona Ryder e o Christian Slater), e desde então, não passo um dia sem escutar alguma música dessa obra-prima da Broadway. Minhas preferidas são Meant to be yours, Freeze your brain, Our love is God, Candy Store e Dead Girl Walking. Infelizmente não há uma versão legendada e nem em ótima qualidade na interwebs, mas eu recomendo muito ver mesmo assim. Ou pelo menos assistir ao filme.
3. Glee e Gilmore Girls
Nunca gostei muito de séries, mas essas foram arrebatadoras. Não são incrivelmente inteligentes nem nada e você não vai discuti-las em uma mesa redonda com intelectuais de charuto na mão, mas são MUITO boas. É o tipo de bom que agrada razoavelmente todo mundo, mas encanta um específico grupo de pessoas. Você precisa se identificar com os personagens pra realmente se envolver com a coisa toda e eu me encontrei em muita gente nas duas séries. Eu já as reassisti milhares de vezes e não consigo passar mais de um dia longe delas. Principalmente Glee, porque ela me lembra de muita coisa que eu não posso esquecer. E eu amo essa versão do Artie especialmente (eu já trouxe ela pra o blog nos primórdios do SEMFM).
4. Filmes de comédia romântica dos anos 80 e 90 (e 00's)
Nada na vida como ter comfort movies e aqui vão os meus: O Clube dos Cinco, Pretty in pink, As patricinhas de Beverly Hills, Mean Girls, 10 coisas que eu odeio em você, Sleepless in Seattle, Um lugar chamado Notting Hill, Harry e Sally - Feitos um para o outro, e um monte de outros que eu passaria a noite listando. São filmes muito bem avaliados pela crítica, mas eu não gosto deles pelo aspecto técnico, mas porque eles sempre me tiram da bad com absoluta efetividade. Essa cena é de O Clube dos Cinco e é uma das minhas preferidas da vida (não é spoiler nem nada, in fact, seria muito incrível se você já não tivesse visto em algum lugar).
5. Dança
Eu comecei a dançar fora da minha casa, em apresentações de verdade, com nove anos. Participei de um grupo de dança por quase toda a minha vida e já me apresentei com a minha irmã em vários lugares, inclusive já ganhamos concursos e tal. Desse modo, sempre foi meu sonho ser dançarina profissional (e fazer o papel da Meg em O Fantasma da Ópera na Broadway :') ), mas minha família nunca pôde pagar pelas aulas extremamente caras da minha cidade, então esse sonho morreu junto com o sonho de ser amiga da Teri Polo. Mas eu continuei vendo religiosamente meus programas e reality shows de dança, como o So you think you can dance, Dance Moms e Dancing with the stars. Um dia, quem sabe, eu possa dançar uma valsa vienense tão bem quanto a Lizzie.

6. Músicas breguíssimas 
(eu estou perfeitamente consciente da inexistência desse termo, 
mas que já foi usado pela Clarice Lispector, de acordo com minha irmã mais velha)
Todas lançadas entre 1960 e 2010. Nesse post, tem uma playlist com algumas delas. Mas são basicamente músicas ruins que você ouviu na infância (ou em DVDs de casamento ou formatura) na casa de alguma tia ou avó sua. Sabe Air Supply, The 5th Dimension, Toto, The Supremes, Flatwood Mac, Elton John, George Michael, Az Yet, Tony Braxton... Essa do vídeo, Wedding Bell Blues, é o meu vício do momento. O clipe é terrível, como vocês podem ver, mas a música é boa se você der uma chance.

7. Mistérios sobrenaturais
Tais como sereias, Atlântida, Oak Island, E.T.s, fantasmas, paralisia do sono, possessão, vampiros e etc. Por causa disso, um dos meus maiores sonhos é morar na Romênia, ou pelo menos conhecê-la. Se você não sabe do que estou falando, a Romênia é o país que abriga a maravilhosa cidade da Transilvânia, onde se encontra o Castelo de Bran, supostamente a moradia do Conde Drácula. Mas já que não posso por agora, eu sacio essa obsessão com filmes e livros de terror, documentários bizarros do Sci-fi, programas muito ruins (mas muito bons) da Bio e Lifetime, vídeos de relatos sobrenaturais... E claro, comemoro o Halloween e o Solstício de Inverno como uma boa weirdo. 
Não sei como essa fascinação surgiu, mas acho que por causa dos livros (e até dos contos do Luís da Câmara Cascudo). Me lembro de quando eu era criança, eu pensava muito em ser cientista sobrenatural e ir atrás desses mistérios que surgem na internet, que nem os caras do Fato ou Farsa. Eu também gostava de ficar perguntando a todo mundo na minha família se eles tinham passado por alguma coisa paranormal ou se acreditavam. Sendo agnóstica, eu nem acredito e nem desacredito. Acho muita pretensão minha concluir qualquer coisa sobre um universo tão maior do que eu.
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O fabulosíssimo Castelo de Bran!

13 de setembro de 2017

Dezenas

Eu fiz 10 anos há oito anos atrás. 
Foi num sábado muito ensolarado e quente. No dia, eu precisava ir à catequese de manhã, chegar em casa por volta das 11h, almoçar e ficar à tarde "vigiando" o namoro da minha prima de, na época, 22 anos, na casa ao lado. Eu me lembro direitinho do evento. Foi nesse dia que eu ganhei meu primeiro par de calças jeans. Agora eu era, enfim, uma mocinha. 
Com o par de calças jeans não veio só o sentimento de ser mocinha, mas um medo gigante de crescer, que se escondia toda noite debaixo da minha cama. Eu ignorava. Fingia que era medo de escuro.
"Ei! Será que painho e mainha tão dormindo?" Eu perguntava de madrugada às vezes, sem realmente direcionar a pergunta pra alguém.
"Claro, menina! Deixa isso pra lá, vai dormir também". Minha irmã mais velha respondia.
"E se eles morrerem?"
"Que nada a ver, volta a dormir!"
E isso me acalmava. Esse jeito mandão dela me mostrava que eu não ia ter que deixar de ser criança tão cedo. Tinha medo de os meus pais morrerem e eu ter que ir pagar as contas. Pegar ônibus, imagina! Se eles fossem embora, pro além, minha irmã teria que cuidar de tudo. Ela e meu irmão, já que homem deve entender dessas coisas.
Apesar desses pensamentos que me assaltavam a hora de dormir, eu amava ter 10 anos! Gostava da escola, dos amigos, do grupo de dança... Gostava de ser criança e da inércia que isso pode ser. 
Mas ainda assim, sonhava muito com o dia que teria 15, pra viver as aventuras das mocinhas de filmes da disney, pra ter um namoradinho, como a minha prima, pra que eu pudesse dar minha opinião sem que ninguém me silenciasse por ser uma pirralha. 
Fiz 15. As coisas não aconteceram. 
Me silenciaram por não ser como o meu irmão. Me silenciaram por ter óvulos descendo de mim cinco dias por mês. 
Esperei pelos 17. Vou me apaixonar por um vampiro, ou sair de casa e ir pra a capital, talvez descubra que minha família tem descendências míticas, sei lá! Os 17 então chegaram. E eu conclui que nada mesmo ia acontecer. Não assim, não se eu não fizesse acontecer. E foi ai, caro leitor, que eu desenvolvi um medo terrível de sair das primeiras dezenas! 
Eu tenho 18. Mais dois anos e eu vou para as segundas. Mais dois anos e eu tenho que prestar conta do meu futuro promissor, tenho que ter um relacionamento estável, estar quase no fim da minha primeira (!) graduação e caminhando para um sucesso profissional que deve estar perfeitamente estruturado, no máximo, até os 24. E como eu não me apaixonei por um vampiro, provavelmente essas metas também não se concretizarão, e eu vou entrar na famosa crise dos vinte anos e ficar mais nostálgica ainda do que já sou. E o medo dos trinta vai aparecer. E dos quarenta e assim por diante... O que não vai aparecer, infelizmente, é o sentimento de "Que boa essa época. Vou aproveitá-la quanto der."

*Quero conversar um pouco com quem me lê. Então, não vai ter mais 12 cartas em 12 meses, eu acredito. Tô meio desanimada com esse lance porque acho que estou muito drama queen nesse blog. Desse modo, se um dia eu voltar a me sentir confortável em escrever meus impasses existenciais aqui, eu volto. Por enquanto, eu quero falar mais de livros, de discussões maiores que as minhas crises. Esses dias eu voltei a me apaixonar pelo que está fora de mim, sabe. Eu estava meio deslumbrada em analisar a mim mesma, mas agora, as coisas externas parecem mais interessantes. Estou lendo revistas, quem diria! Me encantei com os estudos de traje de cena e finalmente voltei a ler Jules Verne. Eu tava muito saudosista esse ano, mas me agarrei a nostalgia e nela eu não posso ficar por muito tempo. Às vezes a gente tem dessas né, de se apegar com a melancolia. Mas enfim, por mim já chega. *
**Ah! Vou editar isso aqui só pra dizer o quanto esse espacinho na interwebs me faz bem demais. Obrigada a todo mundo que comentou no outro post ou que veio falar comigo nas redes! <3 **

31 de agosto de 2017

Um manifesto escrito absolutamente do jeito que me veio a cabeça (desculpem pelas palavras não-cultas rs)

Há dias que eu estava agoniada. Passava horas enrolando na cama até conseguir dormir, e quando conseguia, eram sempre sonhos aflitos. Levantava sem o menor ânimo de fazer coisa nenhuma e como sempre, com fome, mas sem realmente vontade de comer. Então não comia. Ia pra o quarto me trocar e reclamava que todas as minhas roupas estavam grandes demais. Fazia uma nota mental: Coma da próxima vez. Só que a próxima vez nunca chegava. Pra esconder minha insatisfação com a minha aparência, eu gastava alguns minutos me maquiando e jogando o cabelo de um lado pra o outro. Nada mudava muito, mas pelo menos eu não me sentia tão vulnerável. Ia pra a universidade, cansada, mas sem ter trabalhado um só minuto. Não aproveitava a aula, só pensava em mil coisas, principalmente em voltar pra casa. Voltava, cochilava um pouco, acordava assustada. Tinha um monte de coisa pra fazer. Às vezes fazia, às vezes tentava, às vezes nem isso. 

Essa última semana acordei irritada. Concluí que ia mudar esse hábito de viver horroroso. Ou melhor, viver não, passar os dias. 

Então comecei a comer mais. É difícil, mas de pouquinho em pouquinho, a gente sempre consegue (Ontem comi relativamente bem em todas refeições. Comi todas as refeições, o que já é incomum). Não usei maquiagem (até ano passado, eu nunca usava isso pra ir pra escola, por que que agora eu tenho que acordar mais cedo pra cumprir um troço que eu nem me importo realmente e que dá um trabalho do capeta pra tirar?). Alisei o cabelo só pra não ficar mexendo tanto (e porque estou com crise de garganta e prefiro não passar duas horas finalizando o cabelo e morrer depois). Tentei dormir antes das 3h da manhã (alguns sucessos, alguns fracassos). Li mais e passei a tentar prestar atenção na aula. Afinal, eu não pego quatro ônibus todos os dias pra perder minha tarde olhando pra o teto do lugar, né. E nem tive crise de ansiedade na época do Sisu pra cagar pro curso agora.

Enfim, a semana correu tranquilamente. Estava quase nem ai com o fato de as minhas calças estarem folgadas demais e quase nem ai pra a minha cara limpa até de protetor solar (porque eu infelizmente só me lembro de passar quando me maquio). Aí ontem (meio hoje, uma vez que eu ainda não dormi), depois de um dia quase inteiro na faculdade, eu saí da sala e me sentei no banco da frente do meu bloco. A vista não é lá aquelas coisas não, são umas árvores, uns prédios longes, um grande espaço vazio e um estacionamento. Apesar disso, eu gosto muito daquele lugar. 
Fiquei lá sozinha. Pensando em nada e sem querer mesmo pensar em nada. 
E meu coração foi parando de bater tão rápido e estava, de repente, tão tranquila que nem me lembrava mais de como era a sensação. Como eu não ia perder esse raro momento de sanidade 
mental, eu aproveitei pra me autoanalisar.

E ai, querida? Qual é a de ter quisto tanto estudar na UFPE e agora estar ai fora da sala?
Lembrei do Canadá. Senti o cheiro do incenso da minha homestay. Imaginei que as árvores secas pra as quais eu olhava, fossem os majestosos pinheiros que eu tanto queria ver desde Crepúsculo.

Falemos novamente sobre este que é um dos únicos bons exemplos que tenho pra dar desde que eu só nasci há 18 anos atrás.

Hoje fazem dois anos que eu passava meu primeiro dia (inteiro) lá. 

Eu sonhava real em ir pra aquele lugar. Não era só sair do Brasil, era ir pra o Canadá. Meu professor tinha ido e falava pra caralho do país. Eu me desanimava, pensava que nunca seria capaz. 
Fui capaz. De repente tava no avião pensando "Mano, minha vida é foda!" e quando pisei em terras canadenses, tudo que eu conseguia formular na minha cabeça era "Achei que fosse mais isso ou menos aquilo". Parecia que todo mundo tinha exagerado e que era só mais um lugar comum. Um lugar lindo, mas comum. 
E quer saber? Era mesmo. Era só mais um pedaço de terra, assim como a UFPE é só mais uma instituição federal, assim como meu corpo é só mais matéria ocupando lugar no espaço. 

Absolutamente nada vai ser relevante se você for uma ameba como eu fui nos primeiros dias do intercâmbio e como estive sendo essas últimas semanas. 

Idealizar as coisas é a pior merda que você pode fazer. Eu pensava que seria uma cheerleader popular no Canadá, que seria exatamente como em Glee ou nos blockbusters americanos. Mas não foi nada disso. Foi eu, sozinha, fudida de medo, tentando me acostumar a finalmente ser responsável por mim mesma, a finalmente ir sozinha pra os lugares e apreciar minha companhia. Quando eu estava deixando aquele país, me lembro de estar no carro da minha host family, escutando Hips don't lie da Shakira e muito triste. Não chorava por estar deixando o Canadá, por mais que eu tenha ficado deslumbrada por aquelas árvores vermelhas. Eu chorava porque sabia que sentiria falta de mim lá. De quem eu era, de como eu havia sido forçada a ser. Eu voltei pra minha casa e não demorou nem uma semana pra eu me acomodar de novo. E era por isso que eu tava triste.

2016 foi com certeza um dos anos mais confortáveis da minha vida. Eu amei o meu último ano da escola. No entanto, eu esperava que em 2017, com a entrada na universidade, eu fosse voltar a ser aquela pequena Joana D'Arc que eu era em 2015 (era isso que eu pensava enquanto dançava Mad World do Tears for fears na foto que ilustra esse post, que é não somente uma das minha fotos preferidas, como um dos meus momentos preferidos). E bem, não. Estamos quase no fim do ano (porque setembro é quase fim do ano pra mim rs), e eu só fiz me reclamar. 
Ai, esse ano tá horrível! E vai provavelmente continuar sendo difícil. Mas aqui eu deixo um manifesto, caro leitor! Vou tentar ser menos pessimista. Eu nunca fui simpatizante com isso mesmo. Então vou parar de bancar a existencialista e vou estudar, comer, dormir bem, passar protetor solar, usar menos maquiagem e fazer mais o que eu quero fazer. Eu duvido que eu volte a ser aquela menina independente até o último dia de dezembro, mas vai que daqui um ano, eu não volte pra dizer como estou me sentindo corajosa, como eu fiz nesse post aqui? 

Seja como for, essa é a minha dica muitíssimo relevante pra mim (talvez muitíssimo irrelevante pra você): Sua vida não é uma comédia romântica do John Hughes. A vida de ninguém é. 

Beijos, até mais.

And I find it kind of funny, I find it kind of sad
The dreams in wich I'm dying are the best I've ever had
I find it hard to tell you, 'cause I find it hard to take
When people run in circles it's a very very
Mad World!

*Eu amo essa música na versão original, porque eles performam sorrindo e dançando. A vida é uma merda, mas é ótimo viver. É engraçado e é triste. É exatamente como me sinto agora. No começo do ano, eu era a versão do Gary Jules, mas termino 2017 dançando sozinha como o Curt Smith.*

**Ah! Era pra ter tido post do 12 cartas em 12 meses, mas eu não consegui fazer do jeito que queria. Vai ser o próximo post, juro. Mas eu não podia deixar o dia 01 de Setembro sem fazer um desses escritos confusos e meio out of nowhere.**

27 de agosto de 2017

Hoje tudo o que me resta de você, são linhas emocionadas nas notas do meu celular

Você chega tão abruptamente. Você me vem sem motivo nenhum. 
Em qualquer lugar que eu estou, tenho que parar porque você desata a se expandir dentro de mim, sinto como se eu fosse explodir a qualquer momento. Então me afasto da conversa animada dos meus amigos e abro as notas do meu celular, e lá está você, escorrendo pelos meus dedos até que eu recupere o fôlego novamente.
Quando estou prestes a voltar o celular para o bolso, tenho uma vontade doida de falar contigo. Eu não consigo nem te olhar por mais de um segundo quando está na minha frente, mas eu sei que aquele aparelhinho na minha mão pode me levar até tu sem muita complicação. Quero mandar mensagem porque mesmo que você nem leia ou nem me responda, tu vai ver o meu nome apitando na tua tela, e vai pensar em mim como eu pensei em você. Mas recobro minha sanidade e devolvo o celular pra a o bolso de trás do meu jeans. Só que essa cena se repete o dia todo.
Se não são suas invasões violentas na minha cabeça, então alguém fala teu nome na rua (Pra quê um nome tão comum pra a pessoa menos ordinária que eu conheço?!). Ou eu vejo qualquer coisa na aula que me lembra alguma conversa nossa, alguma piadinha particular. E o meu celular pesa no meu bolso, quase se retorce. Parece até que a coisa toma vida e que vai acabar te mandando mensagem se eu mesma não arrumar coragem. E eu tento esquecer e até consigo por um momento. Fico muito feliz e cheia de esperanças de conseguir viver sem nenhum rastro teu me atormentando.
E ai meu celular toca e o meu coração volta a bater mais rápido que o Olodum. Eu sei que não é você e isso me enche de raiva. Quero fazer seu coração se descontrolar também.
Abro o WhatsApp. Rolo as conversas pra baixo até te encontrar. Sinto falta de quando você estava sempre no topo.
Você foi visto pela última vez às 18:45
Oi
Não, não. Apago. Escrevo de novo. Você fica online e saio do aplicativo desesperada.
Mas volto. Eu sempre volto.
Td bem ctg?
A internet cai. O universo está a meu favor hoje. Desisto.
No fim do dia, cansada, desligo o celular antes que eu passe a madrugada toda relendo nossas conversas e o guardo na gaveta (Guardo também meu sorriso já automatizado e a eu que inventei pra proteger a que está caindo aos pedaços). Eu nem preciso reler nada, porque me lembro de absolutamente tudo que nós dissemos e às vezes, eu até acho que imagino também. Passo um tempo fantasiando o que eu deveria ter te dito e o que eu gostaria de receber de você. Dá uma fome danada do que a gente tinha e eu só quero pegar o celular de novo, pra ver pelo menos tua foto, sei lá. Ele faz barulho na gaveta, se mexe, parece que está forçando a barreira com toda força pra que eu não resista. Juro que não preciso dele, que tenho que me recuperar de tu primeiro.
Ele me faz mal, então deixa ele ai.
Mas quando acordo, de ressaca de você, não consigo deixar aquela merda em casa. Volta pro bolso.
Vai que tem uma emergência.

*Preciso escrever o post do 12 cartas em 12 meses, mas parece que tenho tudo e nada pra dizer ao mesmo tempo. Até eu achar um jeito de """organizar""" o que eu quero pra o texto, fiquem com essa minha divagação meio esquisita pós-aula de Comunicação e Culturas Populares.*

21 de agosto de 2017

As Lições de Katherine Watson

"— Arte só é arte até as pessoas certas dizerem que é.

— E quem são essas pessoas?" 
Eu não costumava questionar isso. O que é arte, digo. Mas hoje, depois de uma reflexão da minha amiga na faculdade, eu passei boa parte da noite pensando sobre o assunto. 

Nosso professor de História da Arte exigiu que nós apresentássemos alguma arte nossa no fim desse semestre, já que estaríamos estudando com os alunos de Design. Eu gosto de arte, mas não acho que sou muito boa em fazer a minha própria. Fiquei com medo. Ela, como aluna de Design, me disse "Nós somos designers em formação, não artistas", e isso ficou na minha cabeça. Um semestre atrás, eu decidi que não queria fazer Design, que não me daria bem porque não achava que queria fazer arte, achava que queria falar sobre ela. Ai vem minha amiga e me joga isso.
Voltei pra casa e decidi ver o filme que tanto me falavam, mas que eu sempre procrastinava pra ver. E graças aos deuses eu fiz isso, ótimo timing! Depois dessa pequena historinha sobre como eu decidi ver esse filme, vamos ao post!

Então temos a Julia Roberts interpretando a brilhante professora de História da Arte, Katherine Watson. Não é única estrela de Hollywood nesse filme de 2003 dirigido pelo maravilhoso Mike Newell, há também a Kirsten Dunst, a Maggie Gyllenhaal, a Ginnifer Goodwin e a Topher Grace. Numa sinopse bem simplificada, a Srta. Watson aceita um trabalho na conservadora Universidade de Wellesley para mulheres afim de tentar fazer com que as alunas, que almejam apenas o casamento, comecem a pensar por si mesmas e fazer suas próprias histórias. Óbvio que nem os diretores da Universidade e nem as estudantes sabem disso. Sendo assim, entre meados dos anos 1953 e 1954, a professora causa uma tremenda bagunça na cabeça e na vida das universitárias (Acho que estou ficando melhor nisso, nas sinopses, quero dizer).

Aqui vai mais uma pequena curiosidade sobre a minha vida que se relaciona bem com o filme. Katherine Watson não é casada. Minha professora de matemática do Ensino Médio também não. O fato de Katherine não ser casada, trazia um monte de questionamentos e medos pra as mocinhas da Universidade de Wellesley. Assim como, por incrível que pareça, o "solteirismo" da minha professora, trazia pra as meninas da minha escola até o ano passado e com toda certeza, continua trazendo. Trazia até a mim. Eu nunca quis me casar, e ainda não quero. Quando eu era mais nova, sempre dizia que nunca me casaria, que era independente demais pra isso. Depois, comecei a pensar que não esperaria pelo casamento, mas que se acontecesse, tudo bem, desde que eu tivesse certeza do que queria. Eu não pensava exatamente no acontecimento, mas esperava ter pelo menos a oportunidade de responder a um cara. 

Quando conheci a professora de matemática, fiquei com medo. Ela disse que nunca namorou e nem nada, mas que não sentia falta. As minhas colegas ficavam muitíssimo espantadas, tentavam juntá-la com qualquer professor não casado. "Você mete medo nos meninos, Thainara, vai acabar que nem a professora". Eu sempre respondia com todo orgulho que não me importava, mas eu me importava sim.

"Nem todos os que vagam são sem rumo"

Minhas amigas começaram a namorar. Nós fazíamos festas do pijama e não assistíamos mais filmes de terror, nós pintávamos as unhas e falávamos sobre como elas queriam se casar com os namorados e terem filhos. Como elas pensavam na universidade e nos ansiados trabalhos considerando os futuros maridos primeiro. Fui perguntar a dois desses "futuros maridos" se eles esperavam se casar com elas. Eles riram e disseram que isso estava muito longe ainda. Forcei um pouco mais. Um disse que não, outro disse que não pensava em casamento, que era novo demais pra isso.

O quão assustador é que as meninas de 2016 se pareçam tanto com as de 1950? O quão assustador é que os meninos não pensem em casamento primeiro (e às vezes nem segundo), enquanto isso é óbvio pra a maioria das meninas?

Katherine pergunta em um momento do filme, como os artistas retrarão elas, as meninas dos anos 50, em alguns anos. "As garotas que conseguem passar as camisas dos maridos enquanto estudam ao mesmo tempo"? E como será que nós meninas do Séc. XXI seremos retratadas em alguns anos? "As garotas que conseguem sonhar em ser esposas e militarem em causas feministas ao mesmo tempo"?

"O contexto de onde vemos, afeta o modo como vemos"

Como feminista, gosto de pensar um pouco mais nas nossas opressões invisíveis que naquelas que temos um monte de mulheres incríveis tentando mudar. Gosto de problematizar o que nós consumimos, o lugar que nós ocupamos, o que estamos quase fadadas a pensar. "Família certa, arte certa, pensar certo". É importante que se pense em violências mais visíveis, mas as simbólicas não são menos legítimas. Um filme, um best-seller, uma canção podem sim nos escravizar mais ainda. Arte é um modo de "libertação", mas pode nos aprisionar ao mesmo tempo. A Disney, se é que você considera os seus produtos como arte, está ai pra nos ensinar a pensar desde pequenas que todo relacionamento deve nos levar a uma conclusão oficial. Que os homens babacas podem mudar se formos perseverantes. Que nosso final feliz depende mais deles do que de nós mesmas. Que final feliz tem a ver com o amor que recebemos e não com o que temos por nós. Pois bem, Katherine diz que não. E eu acho que um monte de meninas precisam ouvir isso.

Não existe um papel para o qual nós nascemos. Nós nascemos pra viver e pronto. Precisamos parar de pensar que nós devemos ser isso ou aquilo. Sendo "isso" ser bem-sucedidas nos relacionamentos e "aquilo" bem-sucedidas no que devemos fazer profissionalmente. A gente não deve nada. Aliás, até devemos sim. Como a Srta. Watson recomendaria, devemos ser subversivas, questionadoras e acima de tudo, devemos achar nossas próprias verdades. Ou não. Não conseguimos nem definir o que é arte, imagine verdade! 

"O horizonte é uma linha imaginária que recua quando você se aproxima" 

Como última lição, Katherine me ensinou a desapegar. Isso é outra coisa que nos segura violenta e fortemente. Não deixamos o que nos faz mal ou o que apenas não faz mais sentido ir. A gente sempre acha que vai se arrepender ou que não somos suficientes pra nós mesmas, pra encontrarmos outra coisa ou pessoa que nos faça melhor. Infelizmente esse é um medo que ainda me perseguirá por um tempo, mas enquanto estou inspirada por esse filme, prefiro pensar que a partir de hoje eu vou ser mais "livre". Pelo menos eu vou tentar. 

Pra vocês, minha lição é: Assistam a O Sorriso de Mona Lisa!
Esse filme não é aclamado pela crítica e nem nada e contabiliza uma nota bem ruinzinha no Rotten Tomatoes. Tem sim alguns erros cinematográficos e talvez o roteiro pudesse ter sido melhor. Mas eu não consegui não me apaixonar pelo filme e pela Katherine, e quando uma obra me faz ficar encarando o teto por meia hora, ela merece meu total respeito. O que eu admiro nesse filme são os porquês que ele deixa pelo caminho, apesar de muitos críticos odiarem a ausência de respostas. Como Millôr Fernandes (um dramaturgo, jornalista e humorista brasileiro) fala maravilhosamente: Porquê? é filosofia. Porque é pretensão.

9 de agosto de 2017

Diário de Leitura 002 & Assistidos Recentemente 003 (Juntos sim, porque se juntos já causam...)

Olá pessoas! Faz muito tempo que eu não faço post de lidos e nem assistidos, mas esse mês decidi fazer. Acho que por estar de férias no mês passado, eu acabei tendo mais o que consumir do que quando eu acordo de onze da manhã, vou pra faculdade, volto às 19h e durmo até a madrugada, onde eu revejo Gilmore Girls ou escuto músicas antigas. Infelizmente, esse tempo está chegando de novo. Pra alguns de vocês e pra alguns dos meus amigos já chegou e eu tô meio triste, porque parece que não aproveitei muito. Eu sempre penso assim, não importa o que eu faça. Mas enfim, espero que esse semestre seja melhor do que o anterior. Eu ia até pegar umas eletivas, mas do jeito que tá foda pra se adaptar só com as aulas normais e o grupo de estudos, imagine se eu pegasse mais matérias! Vou esperar esse ano acabar e ver se 2018 vai ser mais de boas. Espero que sim!

Manifesto do Partido Comunista e A Dama das Camélias

Eu li o Manifesto no início do mês, assim que ele chegou da Amazon. É um ótimo livro, mas acho que devo mais à edição que escolhi, que é a 3° da Edipro. Tem não somente o Manifesto, que é bem curtinho, mas documentos históricos, prefácios escritos pelos autores para as edições russas, polonesas, alemãs e italianas de 1848 à 1892 e ainda os estatutos das ligas comunistas. É um livro interessantíssimo que agrada não somente os interessados em entender o marxismo, mas os interessados em História em geral. Como os próprios Marx e Engels falam em um dos prefácios, esse não é um livro pra ser idolatrado, mas é destinado aos proletários do século XIX, sendo assim, nem tudo vai ser atual e muito do que é desatualizado, pode ser adaptado às diversas esferas contextuais de cada leitor. Mas ainda assim, é impressionante como o livro pode ser bastante atemporal e se aplicar a realidades bem diferentes da europeia. Recomendo muito! 
Eu comprei A Dama das Camélias na Amazon Day por três motivos. Primeiro porque eu sou LOUCAMENTE APAIXONADA por Alexandre Dumas (o pai) e nunca na minha vida, li um romance francês que não se tornasse um favorito. Depois, A Dama das Camélias foi o que inspirou Alencar a escrever Lucíola, que é um dos meus favoritos nacionais e uma grande surpresa (junto com Senhora), porque eu não gosto da escrita do Alencar. Então eu precisava conhecer Dumas (o filho)! A edição é da Martin Claret, que eu não curto muito, mas essa veio muito boa, tenho que admitir. A diagramação é muito agradável, apesar das folhas brancas, e a capa é uma gracinha. Li em um dia porque não é possível fazer outra coisa quando se começa a ler esse livro. Sempre que eu leio alguma coisa de um dos Dumas, é como se eu tivesse voltado à infância novamente! É tão confortável que parece que o livro é o meu edredom hahaha Sério, leiam esses dois! 

Homem-Aranha: De volta ao lar; XX e Uma Beleza Fantástica

Fazia muuuuito tempo que eu não ia ao cinema! A última vez, tinha sido em fevereiro ou janeiro, pra ver Moana. Mas enfim, esse mês passado eu fui ver o Homem-Aranha. Eu não sou fã de heróis, mas gosto muito dos filmes do Peter e do Batman, então fui ver com as minhas irmãs e prima. Me surpreendi com o tanto que gostei do filme! É muito engraçado e criativo! Sem falar das diversas referências aos meus filmes preferidos, entre eles, Mean Girls. 92% no Rotten Tomatoes! (Esse é o único que não tem na Netflix)
Eu tenho uma tradição com minhas amigas e irmã, de que sempre que formos dormir juntas, temos que ver um filme de terror. Esse mês, foi XX, na Netflix. É realmente muito bom! É dividido em quatro contos de horror, uns mais psicológicos e outros mais trashs, o que ganhou meu coração! Vale muito a pena. 72% no Rotten Tomatoes!
Eu assisti a Uma Beleza Fantástica ontem. Eu tava bem à procura de um desses romancezinhos leves que inspiram e emocionam, mas não muito. E bem, ai estava essa produção do Simon Aboud que, não por acaso, lembra muitíssimo O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. É bom, mas além de me parecer uma imitação muito falha, não tem muita coesão nem nada. É meio estranho, mas não como filmes que se propõem a ser estranhos (tais como Heathers, Donnie Darko), mas como se a estória tivesse se perdido no meio da coisa toda. Mas repito, é bom. 71% no Rotten Tomatoes.

26 de julho de 2017

Sobre a solidão das transfigurações // 12 cartas em 12 meses

Aprendi com a Anne Frank que a melhor forma de desabafar e analisar os problemas que você naturalmente tentar fugir, é escrevendo. Isso me ajuda e espero que ler ajude os que estão passando por algum conflito interno ou pela mesma crise que eu.
Uma carta de revolução é meio difícil de fazer. Eu pensei por um tempo em algo que eu queria urgentemente revolucionar e o texto a seguir surgiu. Não é nenhum manifesto e não convido ninguém específico a qualquer coisa. Mas para mim, é revolucionário que eu admita que não sou mais quem eu por tantos anos tive orgulho de ser. Essa revolução acontece aqui dentro e é sobre isso que escrevi. Espero que entendam e que eu não me arrependa de ter postado rs
Aos que leem esse blog há algum tempo, eu acho que vocês perceberam a mudança de posts de 2016 pra 2017. A última coisa que publiquei aqui ano passado, foi sobre literatura. Desde então, eu passei a escrever muito mais textos e a maioria deles são sobre meus novos e incômodos impasses existenciais. Espero que isso mude em breve. E estou bem, sim. Só mais introspectiva.
Obrigada aos que permaneceram.


  • Julho: Uma carta de revolução.


Eu mudei tanto que nem consigo acreditar que ainda me chamam pelo mesmo nome. Porque eu não reconheço mais quem eu fui por tantos anos.

Eu era agitada demais, sempre parecia feliz e nunca realmente me importava. Desde a quinta série, quando me decepcionei com a pessoa que eu mais amava (e não amava como amo hoje, definitivamente), só porque eu a idealizei demais e ela não conseguiu superar minhas expectativas, eu passei anos sem me ligar intimamente com ninguém.

Sabe, quando você se sente mais sozinha, é quando precisa tomar conta de si mesma, prestar atenção na única pessoa que te acompanhará pra sempre.

E foi isso que eu fiz.

Me conectei comigo das formas mais intensas e superficiais que existem. 
Comecei a me vestir diferente, passei a prestar atenção nos meus próprios gostos, cortei meu cabelo, passei a falar o que eu queria falar sempre e com quem eu queria falar. Criei o blog, escutei indie pela primeira vez, fiz um monte de amigos virtuais, conheci o feminismo. Passei um tempo estudando reforma agrária só porque gostava do nome, debati em aulas sem me importar em ser odiada, dancei, fui ao cinema pela primeira vez e depois não sai mais de lá, escrevi sobre uma menina que queria ser presidente.

Fui à outro país, enfrentei meu medo de água, parei de usar sutiã, passei um dia sem tomar banho porque estava muito frio e porque eu me senti uma revolucionária, abracei minha mãe algumas vezes, conversei com meu irmão sem querer mata-lo depois, desenhei um vestido que hoje está fora do papel, no meu guarda-roupa. Comprei um salto que me deixa bonita e confortável ao mesmo tempo, bebi álcool com os meus amigos e não me senti culpada, fui a uma boate e me diverti muito (!!!), cantei Garota de Ipanema na frente de um monte de gringo, fiz amizade com gente do estado todo, comi bolo de sorvete e decidi que era a melhor coisa que tinha provado na vida.

Vi baleias pessoalmente, desfilei em uma passeata de natal bem ao estilo americano, chorei horrores por não conseguir me dar bem em matemática quanto o Madz e depois ri loucamente da minha imaturidade, dormi sozinha por 5 meses e passei algumas noites em claro refletindo sobre a vida ou com medo de algum filme de terror. Fui filha única por algum tempo, escutei Roberto Carlos porque estava com saudades de casa, li livros que me construíram.

Tirei nota baixa, ganhei medalhas de melhor aluna e fui oradora da classe, briguei com pessoas que importam/vam muito pra mim, perdi uma amizade que era tóxica mas que me deixa muito saudosista sempre que penso nela, cresci alguns centímetros. Dei aulas de História, quase morri com uma bronquite que me trouxe mais coisa do que tirou, passei a assistir séries, me apaixonei por musicais, participei da educação física, matei aula pra ler Júlio Verne, fiz dois ENEMs e um deles me rendeu uma boa história, assisti uma novela com minha mãe e irmã mais velha.

Fiz e fui um monte de coisas.

Mas desde que o bendito relógio chegou à meia noite e comemorei um ano novo cheio de possibilidades assustadoras, parece que dezessete anos de mim foram levados pelo mar junto com todas aquelas oferendas. E desde então, eu me olho no espelho e não consigo mais ver o que eu esperava ver sempre.

Eu gosto de quem eu sou, na maioria das vezes.

Eu acho que sou alguém que dá o que pode para as pessoas que ama. E que ama, primeiramente. Mas eu não posso não me surpreender com a forma que estou vivendo e nem posso dizer que estou satisfeita. É como se tudo o que eu posso dar fosse pouco demais até pra mim e eu acabo tentando me isolar, mas diferente de como era anos atrás, eu não me sinto mais habitada quando estou sozinha. Eu me sinto sozinha e pronto.
Pode ser que isso seja uma transição como eu desesperadamente espero que seja, mas até lá, desculpem amigos e família por eu não sair do quarto e por eu querer chorar e não conseguir. Eu sou uma péssima companhia no momento, mas eu preciso de vocês.

Me desculpo por ser assim, mas ao mesmo tempo, não quero me desculpar.

Não sei se vou voltar a ser aquela menina espirituosa que falava muito rápido e queria ser um monte de coisa ao mesmo tempo e fazia vocês escreverem diários coletivos ou aprenderem palavrões, mas eu preciso saber se vocês vão gostar da nova pessoa que vem desatando a crescer aqui dentro e que ainda não está pronta pra sair do forno completamente.

Espero que eu seja pra vocês o que aquele bolo de sorvete foi pra mim. Eu já amava bolos de festa, e achei que bolo de sorvete era diferente demais. Só que diferente é o que a gente precisa às vezes.
Thainara (?)
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