18 de setembro de 2017

Why are you so obsessed with me?

E aí, pessoas? Como vai a vida de vocês? Eu vou bem, socialmente falando, mas não tão bem mentalmente. E tudo bem, eu acho. Se eu fosse feliz ou de boas o tempo todo, eu não seria humana, certo? De qualquer forma, é assim mesmo que as coisas acontecem quando você mora in this wild world, como diria o Cat Stevens. Engraçado que agora que eu meio que estou passando para o lado das pessoas que têm mais responsabilidades que tirar notas boas e estou me decepcionando com as minhas idealizações do que seria ter 18 anos, eu voltei a escutar essa música. Wild World, digo. Eu sempre vou pra universidade ouvindo ela e é uma daquelas coisas que faz o dia melhorar um pouco. Não sei se vocês sabem do que eu tô falando, mas a pequena pausa que o Cat dá antes do "And I'll always remember you like a child girl" é um remédio para os pensamentos negativos. Tentem.
Ah! E é possível que as cartas voltem. Se não voltarem, de toda maneira, meus escritos dramáticos ainda permanecerão, porque enfim, é isso que eu faço. Não sei se conseguiria ser tão sistemática aqui. E nem quero, pra falar a verdade. Esse blog não tem nenhuma pretensão mesmo além de me dar um pequeno sentimento de validação e alívio emocional.

Decidi então, falar sobre as baboseiras que mais me interessam na vida, fora livros e coisas acadêmicas. Também não vou falar de O Fantasma da Ópera, nem Capitu, nem web séries de clássicos, nem minisséries da BBC, pra variar um pouquinho.
Aqui vão minhas obsessões (e quando eu digo obsessões, não estou brincando) não-literárias!


1. Michael Jackson
Eu já falei nesse post aqui, o quanto eu sou simplesmente apaixonada por esse homem. Eu o conheci quando tinha doze ou treze anos. Fui na casa de uma amiga pra trocar DVDs e lá estava Michael Jackson's Greatest Hits. Ela falou que era bem ruim e que ela tinha medo (?) dele. Mesmo assim eu quis levar. Cheguei em casa e pus imediatamente. Gostei do primeiro clipe. Amei o segundo. Fiquei obcecada no terceiro. E estou obcecada desde então.
Passei uns dois anos completamente louca! Li todas as biografias que consegui encontrar (incluindo o calhamaço do J. Randy Taraborelli, que surpreendentemente, eu li em uns três dias!), ouvi e assisti todos os CDs e DVDs que tomei conhecimento, vi os filmes, participei de fã clubes, criei grupos com fãs na cidade, tudo o que uma pessoa obcecada pode fazer por um ídolo. Era tão forte que minha mãe cogitou tomar tudo o que eu tinha dele porque achou que eu estava ficando doida. Mas era só coisa de pré-adolescente sobrevivendo aos terríveis tempos da puberdade mesmo. Depois que minha pouca sanidade mental voltou, eu passei a apreciá-lo mais como um símbolo do que como um deus. Sou absolutamente grata por ele, porque apesar de muito indiretamente, ele foi a única coisa que me impediu de entrar na maior depressão da história em 2012. Além disso, fiz um amiga incrível por ser fã do Michael.
Meu clipe preferido no momento é esse ai, de um dos meus álbuns preferidos, Dangerous. Felizmente eu amo tudo o que ele fez, então sou péssima pra escolher, eu me sinto como a Sofia tendo que escolher entre os meus filhos ashuahsua Sabiam que esse mês o espólio dele lança um novo projeto póstumo chamado Scream? Não me aguento mais de tanta ansiedade (apesar das várias ressalvas com esse espólio maluco)!

2. Heathers - The Musical
Eu sou apaixonada por musicais em geral (The Addams Family, The Rocky Horror Picture Show, Spring Awekening, Les Mis), mas esse deve ser o meu preferido depois de O Fantasma da Ópera (que eu já falei acima que não vou citar). Conheci as aventuras psicóticas de JD e Verônica Sawyer deve fazer uns quatro anos (é baseado em um filme maravilhoso do mesmíssimo produtor de Mean Girls, com a Winona Ryder e o Christian Slater), e desde então, não passo um dia sem escutar alguma música dessa obra-prima da Broadway. Minhas preferidas são Meant to be yours, Freeze your brain, Our love is God, Candy Store e Dead Girl Walking. Infelizmente não há uma versão legendada e nem em ótima qualidade na interwebs, mas eu recomendo muito ver mesmo assim. Ou pelo menos assistir ao filme.
3. Glee e Gilmore Girls
Nunca gostei muito de séries, mas essas foram arrebatadoras. Não são incrivelmente inteligentes nem nada e você não vai discuti-las em uma mesa redonda com intelectuais de charuto na mão, mas são MUITO boas. É o tipo de bom que agrada razoavelmente todo mundo, mas encanta um específico grupo de pessoas. Você precisa se identificar com os personagens pra realmente se envolver com a coisa toda e eu me encontrei em muita gente nas duas séries. Eu já as reassisti milhares de vezes e não consigo passar mais de um dia longe delas. Principalmente Glee, porque ela me lembra de muita coisa que eu não posso esquecer. E eu amo essa versão do Artie especialmente (eu já trouxe ela pra o blog nos primórdios do SEMFM).
4. Filmes de comédia romântica dos anos 80 e 90 (e 00's)
Nada na vida como ter comfort movies e aqui vão os meus: O Clube dos Cinco, Pretty in pink, As patricinhas de Beverly Hills, Mean Girls, 10 coisas que eu odeio em você, Sleepless in Seattle, Um lugar chamado Notting Hill, Harry e Sally - Feitos um para o outro, e um monte de outros que eu passaria a noite listando. São filmes muito bem avaliados pela crítica, mas eu não gosto deles pelo aspecto técnico, mas porque eles sempre me tiram da bad com absoluta efetividade. Essa cena é de O Clube dos Cinco e é uma das minhas preferidas da vida (não é spoiler nem nada, in fact, seria muito incrível se você já não tivesse visto em algum lugar).
5. Dança
Eu comecei a dançar fora da minha casa, em apresentações de verdade, com nove anos. Participei de um grupo de dança por quase toda a minha vida e já me apresentei com a minha irmã em vários lugares, inclusive já ganhamos concursos e tal. Desse modo, sempre foi meu sonho ser dançarina profissional (e fazer o papel da Meg em O Fantasma da Ópera na Broadway :') ), mas minha família nunca pôde pagar pelas aulas extremamente caras da minha cidade, então esse sonho morreu junto com o sonho de ser amiga da Teri Polo. Mas eu continuei vendo religiosamente meus programas e reality shows de dança, como o So you think you can dance, Dance Moms e Dancing with the stars. Um dia, quem sabe, eu possa dançar uma valsa vienense tão bem quanto a Lizzie.

6. Músicas breguíssimas 
(eu estou perfeitamente consciente da inexistência desse termo, 
mas que já foi usado pela Clarice Lispector, de acordo com minha irmã mais velha)
Todas lançadas entre 1960 e 2010. Nesse post, tem uma playlist com algumas delas. Mas são basicamente músicas ruins que você ouviu na infância (ou em DVDs de casamento ou formatura) na casa de alguma tia ou avó sua. Sabe Air Supply, The 5th Dimension, Toto, The Supremes, Flatwood Mac, Elton John, George Michael, Az Yet, Tony Braxton... Essa do vídeo, Wedding Bell Blues, é o meu vício do momento. O clipe é terrível, como vocês podem ver, mas a música é boa se você der uma chance.

7. Mistérios sobrenaturais
Tais como sereias, Atlântida, Oak Island, E.T.s, fantasmas, paralisia do sono, possessão, vampiros e etc. Por causa disso, um dos meus maiores sonhos é morar na Romênia, ou pelo menos conhecê-la. Se você não sabe do que estou falando, a Romênia é o país que abriga a maravilhosa cidade da Transilvânia, onde se encontra o Castelo de Bran, supostamente a moradia do Conde Drácula. Mas já que não posso por agora, eu sacio essa obsessão com filmes e livros de terror, documentários bizarros do Sci-fi, programas muito ruins (mas muito bons) da Bio e Lifetime, vídeos de relatos sobrenaturais... E claro, comemoro o Halloween e o Solstício de Inverno como uma boa weirdo. 
Não sei como essa fascinação surgiu, mas acho que por causa dos livros (e até dos contos do Luís da Câmara Cascudo). Me lembro de quando eu era criança, eu pensava muito em ser cientista sobrenatural e ir atrás desses mistérios que surgem na internet, que nem os caras do Fato ou Farsa. Eu também gostava de ficar perguntando a todo mundo na minha família se eles tinham passado por alguma coisa paranormal ou se acreditavam. Sendo agnóstica, eu nem acredito e nem desacredito. Acho muita pretensão minha concluir qualquer coisa sobre um universo tão maior do que eu.
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O fabulosíssimo Castelo de Bran!

13 de setembro de 2017

Dezenas

Eu fiz 10 anos há oito anos atrás. 
Foi num sábado muito ensolarado e quente. No dia, eu precisava ir à catequese de manhã, chegar em casa por volta das 11h, almoçar e ficar à tarde "vigiando" o namoro da minha prima de, na época, 22 anos, na casa ao lado. Eu me lembro direitinho do evento. Foi nesse dia que eu ganhei meu primeiro par de calças jeans. Agora eu era, enfim, uma mocinha. 
Com o par de calças jeans não veio só o sentimento de ser mocinha, mas um medo gigante de crescer, que se escondia toda noite debaixo da minha cama. Eu ignorava. Fingia que era medo de escuro.
"Ei! Será que painho e mainha tão dormindo?" Eu perguntava de madrugada às vezes, sem realmente direcionar a pergunta pra alguém.
"Claro, menina! Deixa isso pra lá, vai dormir também". Minha irmã mais velha respondia.
"E se eles morrerem?"
"Que nada a ver, volta a dormir!"
E isso me acalmava. Esse jeito mandão dela me mostrava que eu não ia ter que deixar de ser criança tão cedo. Tinha medo de os meus pais morrerem e eu ter que ir pagar as contas. Pegar ônibus, imagina! Se eles fossem embora, pro além, minha irmã teria que cuidar de tudo. Ela e meu irmão, já que homem deve entender dessas coisas.
Apesar desses pensamentos que me assaltavam a hora de dormir, eu amava ter 10 anos! Gostava da escola, dos amigos, do grupo de dança... Gostava de ser criança e da inércia que isso pode ser. 
Mas ainda assim, sonhava muito com o dia que teria 15, pra viver as aventuras das mocinhas de filmes da disney, pra ter um namoradinho, como a minha prima, pra que eu pudesse dar minha opinião sem que ninguém me silenciasse por ser uma pirralha. 
Fiz 15. As coisas não aconteceram. 
Me silenciaram por não ser como o meu irmão. Me silenciaram por ter óvulos descendo de mim cinco dias por mês. 
Esperei pelos 17. Vou me apaixonar por um vampiro, ou sair de casa e ir pra a capital, talvez descubra que minha família tem descendências míticas, sei lá! Os 17 então chegaram. E eu conclui que nada mesmo ia acontecer. Não assim, não se eu não fizesse acontecer. E foi ai, caro leitor, que eu desenvolvi um medo terrível de sair das primeiras dezenas! 
Eu tenho 18. Mais dois anos e eu vou para as segundas. Mais dois anos e eu tenho que prestar conta do meu futuro promissor, tenho que ter um relacionamento estável, estar quase no fim da minha primeira (!) graduação e caminhando para um sucesso profissional que deve estar perfeitamente estruturado, no máximo, até os 24. E como eu não me apaixonei por um vampiro, provavelmente essas metas também não se concretizarão, e eu vou entrar na famosa crise dos vinte anos e ficar mais nostálgica ainda do que já sou. E o medo dos trinta vai aparecer. E dos quarenta e assim por diante... O que não vai aparecer, infelizmente, é o sentimento de "Que boa essa época. Vou aproveitá-la quanto der."

*Quero conversar um pouco com quem me lê. Então, não vai ter mais 12 cartas em 12 meses, eu acredito. Tô meio desanimada com esse lance porque acho que estou muito drama queen nesse blog. Desse modo, se um dia eu voltar a me sentir confortável em escrever meus impasses existenciais aqui, eu volto. Por enquanto, eu quero falar mais de livros, de discussões maiores que as minhas crises. Esses dias eu voltei a me apaixonar pelo que está fora de mim, sabe. Eu estava meio deslumbrada em analisar a mim mesma, mas agora, as coisas externas parecem mais interessantes. Estou lendo revistas, quem diria! Me encantei com os estudos de traje de cena e finalmente voltei a ler Jules Verne. Eu tava muito saudosista esse ano, mas me agarrei a nostalgia e nela eu não posso ficar por muito tempo. Às vezes a gente tem dessas né, de se apegar com a melancolia. Mas enfim, por mim já chega. *
**Ah! Vou editar isso aqui só pra dizer o quanto esse espacinho na interwebs me faz bem demais. Obrigada a todo mundo que comentou no outro post ou que veio falar comigo nas redes! <3 **

31 de agosto de 2017

Um manifesto escrito absolutamente do jeito que me veio a cabeça (desculpem pelas palavras não-cultas rs)

Há dias que eu estava agoniada. Passava horas enrolando na cama até conseguir dormir, e quando conseguia, eram sempre sonhos aflitos. Levantava sem o menor ânimo de fazer coisa nenhuma e como sempre, com fome, mas sem realmente vontade de comer. Então não comia. Ia pra o quarto me trocar e reclamava que todas as minhas roupas estavam grandes demais. Fazia uma nota mental: Coma da próxima vez. Só que a próxima vez nunca chegava. Pra esconder minha insatisfação com a minha aparência, eu gastava alguns minutos me maquiando e jogando o cabelo de um lado pra o outro. Nada mudava muito, mas pelo menos eu não me sentia tão vulnerável. Ia pra a universidade, cansada, mas sem ter trabalhado um só minuto. Não aproveitava a aula, só pensava em mil coisas, principalmente em voltar pra casa. Voltava, cochilava um pouco, acordava assustada. Tinha um monte de coisa pra fazer. Às vezes fazia, às vezes tentava, às vezes nem isso. 

Essa última semana acordei irritada. Concluí que ia mudar esse hábito de viver horroroso. Ou melhor, viver não, passar os dias. 

Então comecei a comer mais. É difícil, mas de pouquinho em pouquinho, a gente sempre consegue (Ontem comi relativamente bem em todas refeições. Comi todas as refeições, o que já é incomum). Não usei maquiagem (até ano passado, eu nunca usava isso pra ir pra escola, por que que agora eu tenho que acordar mais cedo pra cumprir um troço que eu nem me importo realmente e que dá um trabalho do capeta pra tirar?). Alisei o cabelo só pra não ficar mexendo tanto (e porque estou com crise de garganta e prefiro não passar duas horas finalizando o cabelo e morrer depois). Tentei dormir antes das 3h da manhã (alguns sucessos, alguns fracassos). Li mais e passei a tentar prestar atenção na aula. Afinal, eu não pego quatro ônibus todos os dias pra perder minha tarde olhando pra o teto do lugar, né. E nem tive crise de ansiedade na época do Sisu pra cagar pro curso agora.

Enfim, a semana correu tranquilamente. Estava quase nem ai com o fato de as minhas calças estarem folgadas demais e quase nem ai pra a minha cara limpa até de protetor solar (porque eu infelizmente só me lembro de passar quando me maquio). Aí ontem (meio hoje, uma vez que eu ainda não dormi), depois de um dia quase inteiro na faculdade, eu saí da sala e me sentei no banco da frente do meu bloco. A vista não é lá aquelas coisas não, são umas árvores, uns prédios longes, um grande espaço vazio e um estacionamento. Apesar disso, eu gosto muito daquele lugar. 
Fiquei lá sozinha. Pensando em nada e sem querer mesmo pensar em nada. 
E meu coração foi parando de bater tão rápido e estava, de repente, tão tranquila que nem me lembrava mais de como era a sensação. Como eu não ia perder esse raro momento de sanidade 
mental, eu aproveitei pra me autoanalisar.

E ai, querida? Qual é a de ter quisto tanto estudar na UFPE e agora estar ai fora da sala?
Lembrei do Canadá. Senti o cheiro do incenso da minha homestay. Imaginei que as árvores secas pra as quais eu olhava, fossem os majestosos pinheiros que eu tanto queria ver desde Crepúsculo.

Falemos novamente sobre este que é um dos únicos bons exemplos que tenho pra dar desde que eu só nasci há 18 anos atrás.

Hoje fazem dois anos que eu passava meu primeiro dia (inteiro) lá. 

Eu sonhava real em ir pra aquele lugar. Não era só sair do Brasil, era ir pra o Canadá. Meu professor tinha ido e falava pra caralho do país. Eu me desanimava, pensava que nunca seria capaz. 
Fui capaz. De repente tava no avião pensando "Mano, minha vida é foda!" e quando pisei em terras canadenses, tudo que eu conseguia formular na minha cabeça era "Achei que fosse mais isso ou menos aquilo". Parecia que todo mundo tinha exagerado e que era só mais um lugar comum. Um lugar lindo, mas comum. 
E quer saber? Era mesmo. Era só mais um pedaço de terra, assim como a UFPE é só mais uma instituição federal, assim como meu corpo é só mais matéria ocupando lugar no espaço. 

Absolutamente nada vai ser relevante se você for uma ameba como eu fui nos primeiros dias do intercâmbio e como estive sendo essas últimas semanas. 

Idealizar as coisas é a pior merda que você pode fazer. Eu pensava que seria uma cheerleader popular no Canadá, que seria exatamente como em Glee ou nos blockbusters americanos. Mas não foi nada disso. Foi eu, sozinha, fudida de medo, tentando me acostumar a finalmente ser responsável por mim mesma, a finalmente ir sozinha pra os lugares e apreciar minha companhia. Quando eu estava deixando aquele país, me lembro de estar no carro da minha host family, escutando Hips don't lie da Shakira e muito triste. Não chorava por estar deixando o Canadá, por mais que eu tenha ficado deslumbrada por aquelas árvores vermelhas. Eu chorava porque sabia que sentiria falta de mim lá. De quem eu era, de como eu havia sido forçada a ser. Eu voltei pra minha casa e não demorou nem uma semana pra eu me acomodar de novo. E era por isso que eu tava triste.

2016 foi com certeza um dos anos mais confortáveis da minha vida. Eu amei o meu último ano da escola. No entanto, eu esperava que em 2017, com a entrada na universidade, eu fosse voltar a ser aquela pequena Joana D'Arc que eu era em 2015 (era isso que eu pensava enquanto dançava Mad World do Tears for fears na foto que ilustra esse post, que é não somente uma das minha fotos preferidas, como um dos meus momentos preferidos). E bem, não. Estamos quase no fim do ano (porque setembro é quase fim do ano pra mim rs), e eu só fiz me reclamar. 
Ai, esse ano tá horrível! E vai provavelmente continuar sendo difícil. Mas aqui eu deixo um manifesto, caro leitor! Vou tentar ser menos pessimista. Eu nunca fui simpatizante com isso mesmo. Então vou parar de bancar a existencialista e vou estudar, comer, dormir bem, passar protetor solar, usar menos maquiagem e fazer mais o que eu quero fazer. Eu duvido que eu volte a ser aquela menina independente até o último dia de dezembro, mas vai que daqui um ano, eu não volte pra dizer como estou me sentindo corajosa, como eu fiz nesse post aqui? 

Seja como for, essa é a minha dica muitíssimo relevante pra mim (talvez muitíssimo irrelevante pra você): Sua vida não é uma comédia romântica do John Hughes. A vida de ninguém é. 

Beijos, até mais.

And I find it kind of funny, I find it kind of sad
The dreams in wich I'm dying are the best I've ever had
I find it hard to tell you, 'cause I find it hard to take
When people run in circles it's a very very
Mad World!

*Eu amo essa música na versão original, porque eles performam sorrindo e dançando. A vida é uma merda, mas é ótimo viver. É engraçado e é triste. É exatamente como me sinto agora. No começo do ano, eu era a versão do Gary Jules, mas termino 2017 dançando sozinha como o Curt Smith.*

**Ah! Era pra ter tido post do 12 cartas em 12 meses, mas eu não consegui fazer do jeito que queria. Vai ser o próximo post, juro. Mas eu não podia deixar o dia 01 de Setembro sem fazer um desses escritos confusos e meio out of nowhere.**

27 de agosto de 2017

Hoje tudo o que me resta de você, são linhas emocionadas nas notas do meu celular

Você chega tão abruptamente. Você me vem sem motivo nenhum. 
Em qualquer lugar que eu estou, tenho que parar porque você desata a se expandir dentro de mim, sinto como se eu fosse explodir a qualquer momento. Então me afasto da conversa animada dos meus amigos e abro as notas do meu celular, e lá está você, escorrendo pelos meus dedos até que eu recupere o fôlego novamente.
Quando estou prestes a voltar o celular para o bolso, tenho uma vontade doida de falar contigo. Eu não consigo nem te olhar por mais de um segundo quando está na minha frente, mas eu sei que aquele aparelhinho na minha mão pode me levar até tu sem muita complicação. Quero mandar mensagem porque mesmo que você nem leia ou nem me responda, tu vai ver o meu nome apitando na tua tela, e vai pensar em mim como eu pensei em você. Mas recobro minha sanidade e devolvo o celular pra a o bolso de trás do meu jeans. Só que essa cena se repete o dia todo.
Se não são suas invasões violentas na minha cabeça, então alguém fala teu nome na rua (Pra quê um nome tão comum pra a pessoa menos ordinária que eu conheço?!). Ou eu vejo qualquer coisa na aula que me lembra alguma conversa nossa, alguma piadinha particular. E o meu celular pesa no meu bolso, quase se retorce. Parece até que a coisa toma vida e que vai acabar te mandando mensagem se eu mesma não arrumar coragem. E eu tento esquecer e até consigo por um momento. Fico muito feliz e cheia de esperanças de conseguir viver sem nenhum rastro teu me atormentando.
E ai meu celular toca e o meu coração volta a bater mais rápido que o Olodum. Eu sei que não é você e isso me enche de raiva. Quero fazer seu coração se descontrolar também.
Abro o WhatsApp. Rolo as conversas pra baixo até te encontrar. Sinto falta de quando você estava sempre no topo.
Você foi visto pela última vez às 18:45
Oi
Não, não. Apago. Escrevo de novo. Você fica online e saio do aplicativo desesperada.
Mas volto. Eu sempre volto.
Td bem ctg?
A internet cai. O universo está a meu favor hoje. Desisto.
No fim do dia, cansada, desligo o celular antes que eu passe a madrugada toda relendo nossas conversas e o guardo na gaveta (Guardo também meu sorriso já automatizado e a eu que inventei pra proteger a que está caindo aos pedaços). Eu nem preciso reler nada, porque me lembro de absolutamente tudo que nós dissemos e às vezes, eu até acho que imagino também. Passo um tempo fantasiando o que eu deveria ter te dito e o que eu gostaria de receber de você. Dá uma fome danada do que a gente tinha e eu só quero pegar o celular de novo, pra ver pelo menos tua foto, sei lá. Ele faz barulho na gaveta, se mexe, parece que está forçando a barreira com toda força pra que eu não resista. Juro que não preciso dele, que tenho que me recuperar de tu primeiro.
Ele me faz mal, então deixa ele ai.
Mas quando acordo, de ressaca de você, não consigo deixar aquela merda em casa. Volta pro bolso.
Vai que tem uma emergência.

*Preciso escrever o post do 12 cartas em 12 meses, mas parece que tenho tudo e nada pra dizer ao mesmo tempo. Até eu achar um jeito de """organizar""" o que eu quero pra o texto, fiquem com essa minha divagação meio esquisita pós-aula de Comunicação e Culturas Populares.*

21 de agosto de 2017

As Lições de Katherine Watson

"— Arte só é arte até as pessoas certas dizerem que é.

— E quem são essas pessoas?" 
Eu não costumava questionar isso. O que é arte, digo. Mas hoje, depois de uma reflexão da minha amiga na faculdade, eu passei boa parte da noite pensando sobre o assunto. 

Nosso professor de História da Arte exigiu que nós apresentássemos alguma arte nossa no fim desse semestre, já que estaríamos estudando com os alunos de Design. Eu gosto de arte, mas não acho que sou muito boa em fazer a minha própria. Fiquei com medo. Ela, como aluna de Design, me disse "Nós somos designers em formação, não artistas", e isso ficou na minha cabeça. Um semestre atrás, eu decidi que não queria fazer Design, que não me daria bem porque não achava que queria fazer arte, achava que queria falar sobre ela. Ai vem minha amiga e me joga isso.
Voltei pra casa e decidi ver o filme que tanto me falavam, mas que eu sempre procrastinava pra ver. E graças aos deuses eu fiz isso, ótimo timing! Depois dessa pequena historinha sobre como eu decidi ver esse filme, vamos ao post!

Então temos a Julia Roberts interpretando a brilhante professora de História da Arte, Katherine Watson. Não é única estrela de Hollywood nesse filme de 2003 dirigido pelo maravilhoso Mike Newell, há também a Kirsten Dunst, a Maggie Gyllenhaal, a Ginnifer Goodwin e a Topher Grace. Numa sinopse bem simplificada, a Srta. Watson aceita um trabalho na conservadora Universidade de Wellesley para mulheres afim de tentar fazer com que as alunas, que almejam apenas o casamento, comecem a pensar por si mesmas e fazer suas próprias histórias. Óbvio que nem os diretores da Universidade e nem as estudantes sabem disso. Sendo assim, entre meados dos anos 1953 e 1954, a professora causa uma tremenda bagunça na cabeça e na vida das universitárias (Acho que estou ficando melhor nisso, nas sinopses, quero dizer).

Aqui vai mais uma pequena curiosidade sobre a minha vida que se relaciona bem com o filme. Katherine Watson não é casada. Minha professora de matemática do Ensino Médio também não. O fato de Katherine não ser casada, trazia um monte de questionamentos e medos pra as mocinhas da Universidade de Wellesley. Assim como, por incrível que pareça, o "solteirismo" da minha professora, trazia pra as meninas da minha escola até o ano passado e com toda certeza, continua trazendo. Trazia até a mim. Eu nunca quis me casar, e ainda não quero. Quando eu era mais nova, sempre dizia que nunca me casaria, que era independente demais pra isso. Depois, comecei a pensar que não esperaria pelo casamento, mas que se acontecesse, tudo bem, desde que eu tivesse certeza do que queria. Eu não pensava exatamente no acontecimento, mas esperava ter pelo menos a oportunidade de responder a um cara. 

Quando conheci a professora de matemática, fiquei com medo. Ela disse que nunca namorou e nem nada, mas que não sentia falta. As minhas colegas ficavam muitíssimo espantadas, tentavam juntá-la com qualquer professor não casado. "Você mete medo nos meninos, Thainara, vai acabar que nem a professora". Eu sempre respondia com todo orgulho que não me importava, mas eu me importava sim.

"Nem todos os que vagam são sem rumo"

Minhas amigas começaram a namorar. Nós fazíamos festas do pijama e não assistíamos mais filmes de terror, nós pintávamos as unhas e falávamos sobre como elas queriam se casar com os namorados e terem filhos. Como elas pensavam na universidade e nos ansiados trabalhos considerando os futuros maridos primeiro. Fui perguntar a dois desses "futuros maridos" se eles esperavam se casar com elas. Eles riram e disseram que isso estava muito longe ainda. Forcei um pouco mais. Um disse que não, outro disse que não pensava em casamento, que era novo demais pra isso.

O quão assustador é que as meninas de 2016 se pareçam tanto com as de 1950? O quão assustador é que os meninos não pensem em casamento primeiro (e às vezes nem segundo), enquanto isso é óbvio pra a maioria das meninas?

Katherine pergunta em um momento do filme, como os artistas retrarão elas, as meninas dos anos 50, em alguns anos. "As garotas que conseguem passar as camisas dos maridos enquanto estudam ao mesmo tempo"? E como será que nós meninas do Séc. XXI seremos retratadas em alguns anos? "As garotas que conseguem sonhar em ser esposas e militarem em causas feministas ao mesmo tempo"?

"O contexto de onde vemos, afeta o modo como vemos"

Como feminista, gosto de pensar um pouco mais nas nossas opressões invisíveis que naquelas que temos um monte de mulheres incríveis tentando mudar. Gosto de problematizar o que nós consumimos, o lugar que nós ocupamos, o que estamos quase fadadas a pensar. "Família certa, arte certa, pensar certo". É importante que se pense em violências mais visíveis, mas as simbólicas não são menos legítimas. Um filme, um best-seller, uma canção podem sim nos escravizar mais ainda. Arte é um modo de "libertação", mas pode nos aprisionar ao mesmo tempo. A Disney, se é que você considera os seus produtos como arte, está ai pra nos ensinar a pensar desde pequenas que todo relacionamento deve nos levar a uma conclusão oficial. Que os homens babacas podem mudar se formos perseverantes. Que nosso final feliz depende mais deles do que de nós mesmas. Que final feliz tem a ver com o amor que recebemos e não com o que temos por nós. Pois bem, Katherine diz que não. E eu acho que um monte de meninas precisam ouvir isso.

Não existe um papel para o qual nós nascemos. Nós nascemos pra viver e pronto. Precisamos parar de pensar que nós devemos ser isso ou aquilo. Sendo "isso" ser bem-sucedidas nos relacionamentos e "aquilo" bem-sucedidas no que devemos fazer profissionalmente. A gente não deve nada. Aliás, até devemos sim. Como a Srta. Watson recomendaria, devemos ser subversivas, questionadoras e acima de tudo, devemos achar nossas próprias verdades. Ou não. Não conseguimos nem definir o que é arte, imagine verdade! 

"O horizonte é uma linha imaginária que recua quando você se aproxima" 

Como última lição, Katherine me ensinou a desapegar. Isso é outra coisa que nos segura violenta e fortemente. Não deixamos o que nos faz mal ou o que apenas não faz mais sentido ir. A gente sempre acha que vai se arrepender ou que não somos suficientes pra nós mesmas, pra encontrarmos outra coisa ou pessoa que nos faça melhor. Infelizmente esse é um medo que ainda me perseguirá por um tempo, mas enquanto estou inspirada por esse filme, prefiro pensar que a partir de hoje eu vou ser mais "livre". Pelo menos eu vou tentar. 

Pra vocês, minha lição é: Assistam a O Sorriso de Mona Lisa!
Esse filme não é aclamado pela crítica e nem nada e contabiliza uma nota bem ruinzinha no Rotten Tomatoes. Tem sim alguns erros cinematográficos e talvez o roteiro pudesse ter sido melhor. Mas eu não consegui não me apaixonar pelo filme e pela Katherine, e quando uma obra me faz ficar encarando o teto por meia hora, ela merece meu total respeito. O que eu admiro nesse filme são os porquês que ele deixa pelo caminho, apesar de muitos críticos odiarem a ausência de respostas. Como Millôr Fernandes (um dramaturgo, jornalista e humorista brasileiro) fala maravilhosamente: Porquê? é filosofia. Porque é pretensão.

9 de agosto de 2017

Diário de Leitura 002 & Assistidos Recentemente 003 (Juntos sim, porque se juntos já causam...)

Olá pessoas! Faz muito tempo que eu não faço post de lidos e nem assistidos, mas esse mês decidi fazer. Acho que por estar de férias no mês passado, eu acabei tendo mais o que consumir do que quando eu acordo de onze da manhã, vou pra faculdade, volto às 19h e durmo até a madrugada, onde eu revejo Gilmore Girls ou escuto músicas antigas. Infelizmente, esse tempo está chegando de novo. Pra alguns de vocês e pra alguns dos meus amigos já chegou e eu tô meio triste, porque parece que não aproveitei muito. Eu sempre penso assim, não importa o que eu faça. Mas enfim, espero que esse semestre seja melhor do que o anterior. Eu ia até pegar umas eletivas, mas do jeito que tá foda pra se adaptar só com as aulas normais e o grupo de estudos, imagine se eu pegasse mais matérias! Vou esperar esse ano acabar e ver se 2018 vai ser mais de boas. Espero que sim!

Manifesto do Partido Comunista e A Dama das Camélias

Eu li o Manifesto no início do mês, assim que ele chegou da Amazon. É um ótimo livro, mas acho que devo mais à edição que escolhi, que é a 3° da Edipro. Tem não somente o Manifesto, que é bem curtinho, mas documentos históricos, prefácios escritos pelos autores para as edições russas, polonesas, alemãs e italianas de 1848 à 1892 e ainda os estatutos das ligas comunistas. É um livro interessantíssimo que agrada não somente os interessados em entender o marxismo, mas os interessados em História em geral. Como os próprios Marx e Engels falam em um dos prefácios, esse não é um livro pra ser idolatrado, mas é destinado aos proletários do século XIX, sendo assim, nem tudo vai ser atual e muito do que é desatualizado, pode ser adaptado às diversas esferas contextuais de cada leitor. Mas ainda assim, é impressionante como o livro pode ser bastante atemporal e se aplicar a realidades bem diferentes da europeia. Recomendo muito! 
Eu comprei A Dama das Camélias na Amazon Day por três motivos. Primeiro porque eu sou LOUCAMENTE APAIXONADA por Alexandre Dumas (o pai) e nunca na minha vida, li um romance francês que não se tornasse um favorito. Depois, A Dama das Camélias foi o que inspirou Alencar a escrever Lucíola, que é um dos meus favoritos nacionais e uma grande surpresa (junto com Senhora), porque eu não gosto da escrita do Alencar. Então eu precisava conhecer Dumas (o filho)! A edição é da Martin Claret, que eu não curto muito, mas essa veio muito boa, tenho que admitir. A diagramação é muito agradável, apesar das folhas brancas, e a capa é uma gracinha. Li em um dia porque não é possível fazer outra coisa quando se começa a ler esse livro. Sempre que eu leio alguma coisa de um dos Dumas, é como se eu tivesse voltado à infância novamente! É tão confortável que parece que o livro é o meu edredom hahaha Sério, leiam esses dois! 

Homem-Aranha: De volta ao lar; XX e Uma Beleza Fantástica

Fazia muuuuito tempo que eu não ia ao cinema! A última vez, tinha sido em fevereiro ou janeiro, pra ver Moana. Mas enfim, esse mês passado eu fui ver o Homem-Aranha. Eu não sou fã de heróis, mas gosto muito dos filmes do Peter e do Batman, então fui ver com as minhas irmãs e prima. Me surpreendi com o tanto que gostei do filme! É muito engraçado e criativo! Sem falar das diversas referências aos meus filmes preferidos, entre eles, Mean Girls. 92% no Rotten Tomatoes! (Esse é o único que não tem na Netflix)
Eu tenho uma tradição com minhas amigas e irmã, de que sempre que formos dormir juntas, temos que ver um filme de terror. Esse mês, foi XX, na Netflix. É realmente muito bom! É dividido em quatro contos de horror, uns mais psicológicos e outros mais trashs, o que ganhou meu coração! Vale muito a pena. 72% no Rotten Tomatoes!
Eu assisti a Uma Beleza Fantástica ontem. Eu tava bem à procura de um desses romancezinhos leves que inspiram e emocionam, mas não muito. E bem, ai estava essa produção do Simon Aboud que, não por acaso, lembra muitíssimo O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. É bom, mas além de me parecer uma imitação muito falha, não tem muita coesão nem nada. É meio estranho, mas não como filmes que se propõem a ser estranhos (tais como Heathers, Donnie Darko), mas como se a estória tivesse se perdido no meio da coisa toda. Mas repito, é bom. 71% no Rotten Tomatoes.

26 de julho de 2017

Sobre a solidão das transfigurações // 12 cartas em 12 meses

Aprendi com a Anne Frank que a melhor forma de desabafar e analisar os problemas que você naturalmente tentar fugir, é escrevendo. Isso me ajuda e espero que ler ajude os que estão passando por algum conflito interno ou pela mesma crise que eu.
Uma carta de revolução é meio difícil de fazer. Eu pensei por um tempo em algo que eu queria urgentemente revolucionar e o texto a seguir surgiu. Não é nenhum manifesto e não convido ninguém específico a qualquer coisa. Mas para mim, é revolucionário que eu admita que não sou mais quem eu por tantos anos tive orgulho de ser. Essa revolução acontece aqui dentro e é sobre isso que escrevi. Espero que entendam e que eu não me arrependa de ter postado rs
Aos que leem esse blog há algum tempo, eu acho que vocês perceberam a mudança de posts de 2016 pra 2017. A última coisa que publiquei aqui ano passado, foi sobre literatura. Desde então, eu passei a escrever muito mais textos e a maioria deles são sobre meus novos e incômodos impasses existenciais. Espero que isso mude em breve. E estou bem, sim. Só mais introspectiva.
Obrigada aos que permaneceram.


  • Julho: Uma carta de revolução.


Eu mudei tanto que nem consigo acreditar que ainda me chamam pelo mesmo nome. Porque eu não reconheço mais quem eu fui por tantos anos.

Eu era agitada demais, sempre parecia feliz e nunca realmente me importava. Desde a quinta série, quando me decepcionei com a pessoa que eu mais amava (e não amava como amo hoje, definitivamente), só porque eu a idealizei demais e ela não conseguiu superar minhas expectativas, eu passei anos sem me ligar intimamente com ninguém.

Sabe, quando você se sente mais sozinha, é quando precisa tomar conta de si mesma, prestar atenção na única pessoa que te acompanhará pra sempre.

E foi isso que eu fiz.

Me conectei comigo das formas mais intensas e superficiais que existem. 
Comecei a me vestir diferente, passei a prestar atenção nos meus próprios gostos, cortei meu cabelo, passei a falar o que eu queria falar sempre e com quem eu queria falar. Criei o blog, escutei indie pela primeira vez, fiz um monte de amigos virtuais, conheci o feminismo. Passei um tempo estudando reforma agrária só porque gostava do nome, debati em aulas sem me importar em ser odiada, dancei, fui ao cinema pela primeira vez e depois não sai mais de lá, escrevi sobre uma menina que queria ser presidente.

Fui à outro país, enfrentei meu medo de água, parei de usar sutiã, passei um dia sem tomar banho porque estava muito frio e porque eu me senti uma revolucionária, abracei minha mãe algumas vezes, conversei com meu irmão sem querer mata-lo depois, desenhei um vestido que hoje está fora do papel, no meu guarda-roupa. Comprei um salto que me deixa bonita e confortável ao mesmo tempo, bebi álcool com os meus amigos e não me senti culpada, fui a uma boate e me diverti muito (!!!), cantei Garota de Ipanema na frente de um monte de gringo, fiz amizade com gente do estado todo, comi bolo de sorvete e decidi que era a melhor coisa que tinha provado na vida.

Vi baleias pessoalmente, desfilei em uma passeata de natal bem ao estilo americano, chorei horrores por não conseguir me dar bem em matemática quanto o Madz e depois ri loucamente da minha imaturidade, dormi sozinha por 5 meses e passei algumas noites em claro refletindo sobre a vida ou com medo de algum filme de terror. Fui filha única por algum tempo, escutei Roberto Carlos porque estava com saudades de casa, li livros que me construíram.

Tirei nota baixa, ganhei medalhas de melhor aluna e fui oradora da classe, briguei com pessoas que importam/vam muito pra mim, perdi uma amizade que era tóxica mas que me deixa muito saudosista sempre que penso nela, cresci alguns centímetros. Dei aulas de História, quase morri com uma bronquite que me trouxe mais coisa do que tirou, passei a assistir séries, me apaixonei por musicais, participei da educação física, matei aula pra ler Júlio Verne, fiz dois ENEMs e um deles me rendeu uma boa história, assisti uma novela com minha mãe e irmã mais velha.

Fiz e fui um monte de coisas.

Mas desde que o bendito relógio chegou à meia noite e comemorei um ano novo cheio de possibilidades assustadoras, parece que dezessete anos de mim foram levados pelo mar junto com todas aquelas oferendas. E desde então, eu me olho no espelho e não consigo mais ver o que eu esperava ver sempre.

Eu gosto de quem eu sou, na maioria das vezes.

Eu acho que sou alguém que dá o que pode para as pessoas que ama. E que ama, primeiramente. Mas eu não posso não me surpreender com a forma que estou vivendo e nem posso dizer que estou satisfeita. É como se tudo o que eu posso dar fosse pouco demais até pra mim e eu acabo tentando me isolar, mas diferente de como era anos atrás, eu não me sinto mais habitada quando estou sozinha. Eu me sinto sozinha e pronto.
Pode ser que isso seja uma transição como eu desesperadamente espero que seja, mas até lá, desculpem amigos e família por eu não sair do quarto e por eu querer chorar e não conseguir. Eu sou uma péssima companhia no momento, mas eu preciso de vocês.

Me desculpo por ser assim, mas ao mesmo tempo, não quero me desculpar.

Não sei se vou voltar a ser aquela menina espirituosa que falava muito rápido e queria ser um monte de coisa ao mesmo tempo e fazia vocês escreverem diários coletivos ou aprenderem palavrões, mas eu preciso saber se vocês vão gostar da nova pessoa que vem desatando a crescer aqui dentro e que ainda não está pronta pra sair do forno completamente.

Espero que eu seja pra vocês o que aquele bolo de sorvete foi pra mim. Eu já amava bolos de festa, e achei que bolo de sorvete era diferente demais. Só que diferente é o que a gente precisa às vezes.
Thainara (?)

22 de julho de 2017

Meus dois centavos sobre o primeiro semestre de Comunicação Social

Eu usando minhas roupas estranhas que eu não tinha muita coragem de usar na escola, mas agora me sinto mais confortável pra isso

E eu enfim terminei o primeiro semestre. Foi sofrido? Sim. Mas tenho que admitir que foi mais fácil do que eu pensei que seria. Acho que a parte mais difícil não foi exatamente a academia, mas o que ela passou a representar na minha vida.

Ano passado, quando eu decidi que queria fazer uma faculdade, foi um longo caminho até eu concluir que era melhor "deixar a vida me levar". Eu queria Cinema de 2008 até 2015. Em 2016, eu pensei que talvez o nosso sistema socioeconômico fosse perturbar minha vida mais ainda se eu virasse cineasta, então eu decidi procurar por outras áreas que eu gostasse. Ciência política ou Ciências sociais, História, Filosofia, Jornalismo, e a única que talvez me trouxesse conforto financeiro mais facilmente, Direito. E eu não procurei só na Internet, quero dizer. Eu fui até faculdades, peguei panfletos, conversei com pessoas, me autoanalisei diversas vezes... No fim de 2016, eu tinha duas maiores aspirações(que eu sabia serem impossíveis porque eu não podia pagar), ser cientista política ou professora de História. 

Em 2017, "deixando a vida me levar", eu sou uma futura comunicóloga. 

Eu nem sei como foi isso. O Sisu chegou, tínhamos três opções onde eu possivelmente não reprovaria todas as cadeiras: Comunicação Social, Design e Pedagogia. As últimas eu não queria de jeito nenhum. Eu sabia que se eu fosse fazer alguma delas, eu desistiria. A primeira era uma possibilidade grande. Eu tinha pensando em Jornalismo, afinal.
Minha primeira viagem acadêmica (Festival de Cinema)

Eu sempre quis fazer uma federal. Foi mais ou menos que nem a Rory Gilmore, sabe, com aquela história toda de ir pra Harvard.

Só que tem essa prima minha, que se formou na federal há alguns anos, que sempre foi uma grande nuvem escura na minha cabeça o tempo todo. Ela foi a primeira mulher a ir à uma universidade na família e até ano passado, a única a se formar em uma federal. Tudo bem, eu não realmente acredito nesse poder todo que as federais parecem ter. No ano passado, eu daria tudo pra conseguir pagar um dos cursos que citei acima. Mas temos que admitir que aqui na cidade, a federal é a que mais alcança os níveis pedagógicos que se espera de uma instituição de ensino superior. E tem todo o lance do renome e tal. 

Então sim, eu queria ir pra um federal. Mas a famosa insegurança me fez acreditar religiosamente que eu nunca chegaria lá. E eu fiz a pior coisa que poderia ter feito nesse caso. Não tentei.
Quando saíram as notas do ENEM 2016, eu estava muito arrependida de não ter estudado, mais ainda assim, me inscrevi no Sisu. E bem, parece que os dezessete anos que eu passei estudando não foram em vão. Passei. Foi bem feliz, confesso. Fiquei dias vendo vlogs de primeiro dia de aula, de materiais escolares, de looks para a faculdade... E então o primeiro dia de aula chegou, e eu descobri que não sabia de nada mesmo.

Se juntos já causam, imagine juntos (com uma qualidade péssima)

Aqui vai um breve relato dos últimos meses:

Eu não estudo no campi da UFPE, mas em um anexo no Polo Comercial da cidade. Isso é uma grande decepção, pra ser honesta. Meu sonho era ter toda a "experiência universitária", conhecer gente de diversos cursos, comer na cantina com meus amigos e tudo o mais que eu via nos filmes. Eu tive vários devaneios em que eu estava deitada na grama verdinha do campus e chorava por estar extremamente estressada com a minha nova vida de adulta, usado um headphone pelo qual eu escutava Mad World do Tears for Fears. A parte de chorar ainda tá de pé, mas a grama verdinha faz parte apenas do mundo das ideias, infelizmente. Estamos tentando mudar isso(de estudar no anexo), mas não tenho muitas esperanças.
Por causa do primeiro fato, também me decepcionei um pouco com a infraestrutura, mas tudo bem, eu estava esperando demais de uma instituição social brasileira, como eu sempre faço.
Sobre as matérias! Tivemos cinco. Mídia e Cidadania, História da Mídia, Técnicas de Redação, Sociologia da Comunicação e Filosofia. Eu achava que a minha preferida seria História, mas adivinhem a minha surpresa quando descobri que Filosofia seria aquela que me empolgaria mais. E Sociologia, mas essa eu já esperava.

Mídia e Cidadania foi boa. No começo, eu odiava. No meio, passei a me conformar. No fim, gostei. Foi meio prática, apesar de que lemos dois livros (A Ordem do Discurso de Foucault e O que faz o brasil, Brasil? do Roberto DaMatta). 

História da Mídia foi realmente muito boa. Lemos um monte de coisa e escrevemos sobre o que lemos. Basicamente isso. Eu gostei, porque eu amo teoria e o meu comfort place é ler e escrever sobre o que eu estou lendo. Em suma, o professor foi brilhantemente organizado e promoveu um grupo de estudos sobre gênero e sexualidade que me bagunçou mais do que eu já estava bagunçada.

Técnicas de redação me surpreendeu, porque eu gostei muito do conteúdo das aulas e mais ainda do professor. Eu sempre ouvi que os professores da UFPE eram na verdade pesquisadores que odiavam lecionar mas que eram obrigados a fazê-lo, por isso não sabiam bem como ensinar e eram mais tiranos que governadores fascistas. Ai veio esse professor com uma didática incrível. Foi basicamente tudo prática. Aprendemos a escrever pra veículos de comunicação e só. Foi desafiador e fez eu me perguntar se eu realmente quero escrever for a living. Sabe, são muitas forças que agem desde eu escrever alguma coisa até eu lançá-la para o mundo. O último trabalho do semestre foi escrever uma reportagem com um assunto que te interessasse e eu escolhi falar sobre as mulheres na universidade e foi com certeza um dos trabalhos mais difíceis que eu já fiz. Eu passei uma semana me sentindo muito mal depois das informações horríveis que coletei, e até tive que censurar umas partes (porque segundo o professor, eu poderia ser processada por algumas acusações presentes nos depoimentos) mas foi uma experiência muito boa no fim das contas.
Duas fãs de Gilmore Girls (Próxima Primavera) sobrevivendo ao transporte público

Sociologia da Comunicação foi maravilhosa! Estudamos um monte de coisa, mas como sempre, minha parte preferida foram os três porquinhos da Sociologia Clássica (principalmente o vermelho). Infelizmente tivemos muitos feriados pra atrapalhar a frequência das aulas, mas no fim deu tudo certo. Vou sentir falta dessa aula e desse professor.

Filosofia foi também maravilhosa! Eu descobri que gostava de muitas coisas com essa cadeira, o que me fez muito feliz e muito frustrada ao mesmo tempo. Pensei tanto que estava no curso errado e que eu deveria estar estudando um curso teórico que me desanimei por um tempo. Os professores de Filosofia e Sociologia me disseram que eu tinha bons padrões acadêmicos e que eu deveria focar em pesquisas e nas áreas mais teóricas. Com isso, eu conclui que ou deveria mesmo estar fazendo outro curso, ou que posso me destacar na prática porque tenho também teoria (foi o que o meu professor de Filosofia disse quando eu falei que estava quase me desesperando por querer fazer História, mas ao mesmo tempo querer fazer Comunicação e achar que não ia gostar de trabalhar como comunicadora, mas quem sabe? Vai que eu seja a próxima Christiane Amanpour ou sei lá). O problema é que não sei se gosto da prática. Vamos descobrir em quatro anos.

Encontrando versos de Manuel Bandeira na minha odisseia de todos os dias

Pensei que as matérias me consumiriam mais, mas achei todas razoavelmente fáceis e gostei de todas elas. O que mais me incomodou na verdade, foram três coisas: 1. Estudar no Polo e tudo o que isso acarreta(pegar dois ônibus pra ir e voltar todos os dias, sair de casa uma hora e meia antes da aula e chegar em casa uma hora e meia depois, não ter a "experiência universitária" completa e etc); 2. Conhecer novas pessoas que são muito diferentes das "novas pessoas" que eu conhecia na escola e 3. Acho que estou finalmente passando pelo luto da infância.

Eu estou gostando do curso. Realmente. Essas crises existenciais estão aqui porque eu estou aqui, então essas coisas vêm junto. Eu só preciso aprender a lidar com elas.

Preciso parar com as comparações. Todas! Entre pessoas, entre acontecimentos, entre o curso e o ensino médio, entre 2016 e 2017... Eu estou com muita saudade de como minha vida era antes desse negócio todo de ENEM, Sisu, UFPE... No entanto, as mudanças iriam chegar querendo eu ou não. Não sou uma vampira, apesar de me vestir como uma, então não vou ser pra sempre adolescente como o Edward Cullen. Os assustadores 20 vão chegar. E depois 30, 40, 50... Eu tenho que fazer alguma coisa sobre a minha existência até lá.

Por fim, eu espero que no próximo semestre eu esteja mais preparada. Eu quero estudar mais do que fazer qualquer outra coisa. Quero chegar a dezembro com a certeza de que meu cérebro armazenou mais informações do que eu imaginei que poderia. Quero sentir que estou fazendo alguma coisa com as minhas próprias pernas. 
O vento já me levou por tempo demais.

15 de julho de 2017

Minha bolsa amarela // 12 cartas em 12 meses

Esse post tá bem atrasado, mas eu o escrevi sem atraso nenhum. Acontece que eu não sentia que era hora de postá-lo ainda, esse texto estava muito mais comigo do que com vocês. Não sei se dá pra entender. Mas aí está, com 15 dias de atraso. Estou bem melhor e, possivelmente, achei minha bolsa amarela.
Acabei de chegar do ato pelas Diretas Já, e como sempre, estou me sentindo meio utópica e meio gerascofóbica. O que combina muito com a carta de junho.
  • Junho: Uma carta para a infância.

Eu tenho um livro velho na estante pra sempre que eu me sentir uma bagunça completa, ler.
Já fazia algum tempo que eu não me sentia assim, então eu nem lembrava mais dele.

E acho que eu não me sentia assim, porque eu não estava realmente pensando em como me sentia.

Até ano passado, eu existia em vários lugares e pra várias pessoas. Eu tinha muitas coisas a fazer e resolver. Mas ai, antes do ENEM, eu meio que cai na armadilha de pensar no que eu queria fazer pra a vida toda. Comecei a me autoanalisar demais, a tentar decifrar meus sentimentos.  Foi quando eu quase me senti uma bagunça, mas não deixei que o pensamento se instalasse, voltei a me atarefar e sair de casa todos os dias.

Esse ano, porém, eu estou na universidade e só. Eu tenho outras atividades, mas ainda assim, parece que a universidade é onde eu moro agora. E ai, eu me acomodo, e começo a pensar em mim mesma. E eu odeio fazer isso, mas quando acontece, é difícil parar. No entanto, infelizmente, isso vai acontecer vez ou outra e eu preciso aprender a lidar. 
Eu tenho 18 anos e parece que eu vivi um monte e ao mesmo tempo não vivi nada. Quando falo sobre mim mesma, parece que eu me conheço muito, mas sempre que alguém me chama pelo nome, eu ainda preciso me lembrar que Thainara sou eu.

E agora, Thainara é uma bagunça.

Em um curto espaço de tempo, minha vida deu um salto ridículo. 2017 mudou tudo e nada. E eu não estava preparada de jeito nenhum. Quer dizer, não que eu fosse estar um dia.

E eu ando pensando bastante em você, infância. É uma saudade que eu sempre vou ter, eu acho. Hoje, um amigo me enviou uma música do John Lennon que me lembrou a minha época de criança. Quando eu ainda era um monte de coisas sem ser realmente nada. Quando eu não estava preocupada em ser alguma coisa. Nesse tempo, eu ia sempre para a casa da minha tia, e a gente ficava lá contando histórias de terror e depois assistíamos algum DVD de clipes antigos. Elton John, Bryan Addams, Air Supply, Cindy Lauper... Eu amava tanto aquelas pessoas, aquela casa e aqueles DVDs que sempre pensei que nunca pararia de passar minhas tardes lá. E um dia, eu cresci. E minha infância foi embora levando um monte de coisa junto.

Às vezes eu me pego pensando que deveria ter feito mais. Que fui muito precoce em certos pontos, mas em outros, estendi minha infância por um tempo demasiadamente longo. Demasia pra mim, que sou geração z, que morro de medo de sair do lugar, mas fico aflita por achar que estou paralisada. Eu nunca vou te entender, infância, mas a saudades que eu tenho de você é, eu tenho certeza, eterna.

Então, essa semana, no ápice da minha confusão mental, eu fui até a estante e peguei meu exemplar velho e surrado de "A Bolsa Amarela" da Lygia Bojunga.

É incrível pra mim, quanto uma criança inventada em 1976 me representa tanto.Sempre que eu leio esse livro, eu me sinto a Raquel. Eu morro de vontade de ter uma bolsa amarela também, pra guardar minhas vontades. E no momento, eu sou um poço de vontades. E elas desatam a crescer que nem as da Raquel, só que eu não tenho onde guardá-las. E eu não gosto que elas fiquem por ai, fazendo amizade com as pessoas. Porque então elas criam pernas e de repente eu nem sei mais onde eu estou.

Decidi que minha bolsa amarela vai ser alguma atividade que me exija frequência e esforço, mas que não seja nada acadêmica. Não sei ainda qual vai ser, mas tem que ter um fecho bem forte, pra esconder as minhas vontades e a coisas que elas vão inventando.

Enquanto isso, eu tenho a Raquel, o Afonso (ou Rei), a Lorelai, a guarda-chuva, o fecho bebê...
E como a Raquel gosta, eu tenho uma história pra ler que começa e termina. Tenho várias pra ler e reler enquanto a minha própria história está enguiçada que nem a da guarda-chuva, namorada do Afonso.

Literatura é minha única certeza agora. E eu acho que vai ser sempre.

Thainara
P.S.:Eu sinto muito muito sua falta. Mas acho que vou ter que enfiar a saudade dentro da minha bolsa amarela também.

10 de julho de 2017

Diário de leitura 001

Eu preciso muito começar a contabilizar o que eu estou lendo.
Aqui vai um grande problema que eu enfrento desde que eu me apaixonei pelo Jules Verne e li todos os livros dele que consegui encontrar no fim do ano passado: Eu entrei numa ressaca literária horrorosa e não consigo mais ler um livro só.
Acho que o último livro que eu terminei com total atenção focada à ele foi o Menina Má. Desde esse acontecimento, eu comecei a ler um bocado de coisa muito diferente junta e eu nem sei mais o que eu tô lendo, o que eu abandonei, o que eu devo deixar pra depois...
Isso é um grande problema pra mim, porque eu sinto que estou perdendo o meu ano de leitura inteiro e eu gosto de me sentir produtiva. Vou tentar escrever esses "diários de leitura" aqui, pra ver se isso me instiga a ler um livro só (ou pelo menos dois).

O que estou lendo agora!

Caixa de Pássaros do Josh Malerman 
Depois que eu li Menina Má, eu quis muito ler um thriller psicológico contemporâneo, e Caixa de Pássaros fez um sucesso enorme ano passado, eu decidi ver se era realmente bom. Já faz um tempão que eu parei de ler literatura de horror, mas ultimamente estou tentando voltar. Infelizmente, o Josh Malerman tem uma escrita muito diferente dos meus autores preferidos do gênero: Gaston Leroux (suspiros), Edgar Allan Poe, Henry James, Bram Stocker, William March... Eu acho que preciso me adaptar mais aos contemporâneos. Até agora, a leitura não está sendo muito boa, mas não vou abandonar.
Vampire Academy da Richelle Mead
Esse eu decidi ler porque já faz um tempo enorme que não leio em inglês. Nada mais a dizer de concreto. A leitura é boa, gosto de vampiros...
Morte Súbita da J. K. Rowling
Esse livro é que nem o Getúlio Vargas, divide muito as opiniões! Foi por isso que eu quis ler, mas também porque nunca li nada da J.K., o que é estranho se você gosta de ler. Até agora, eu não sei realmente o que está acontecendo. Ela conta a história de diversas famílias numa cidadezinha inglesa e como elas estão reagindo a morte súbita de um dos representantes da cidade. Só. A escrita dela é muito boa, há que se admitir. Realmente não sei se vou gostar desse livro.
Razão e Sentimento da Jane Austen
Perfeito, como eu esperei que seria.
***
Como se pode perceber, os quatro livros são extremamente diferentes em época e gênero! Além desses, eu tava lendo o Obras Filosóficas do Bertrand Russel(que eu gostei muito, a propósito), mas eu finalmente terminei! Acho que o próximo a ser finalizado vai ser Vampire Academy, mas vamos ver.

Metas de leitura pra esse semestre!

Manifesto do Partido Comunista do K. Marx e F. Engels
20.000 léguas submarinas do Jules Verne
Nêmesis da Agatha Christie (talvez eu leia A maldição do espelho ou Os trabalhos de Hércules)
A casa das sete mulheres da Letícia Wierzchowski
Madame Bovary do Gustave Flaubert
A abadia de Northanger da Jane Austen (ou talvez eu leia As novelas inacabadas, Juvenília, Mansfield Park ou Persuasão, mas até agora eu estou mais animada para ler esse)

Todas as metas são de livros que eu já tenho e que eu comprei pensando que queria muito desesperadamente ler (principalmente o do Verne) e acabei não lendo. No fim do semestre, vamos ver se eu consigo diminuir o número de livros não-lidos na estante!
***

Não vou participar da #MLI2017 ~CHOREMOS~ mas eu vou tentar voltar ao ritmo. No fim do ano, eu venho dizer quais foram os meus sucessos e fracassos de 2017. Até lá!
*O 12 cartas em 12 meses tá atrasado, mas vai sair!*

29 de junho de 2017

Biologia


Thomas era uma confusão.
Por causa disso, por causa da urgência quase tangível de entender a si próprio, resolveu entender a todos.
Anatomia, genética, herança, DNA...
Talvez isso fizesse da natureza humana algo inteligível e, desse modo, o rapaz entenderia o redemoinho que ele mesmo era.
Que piada! A ciência se tornou apenas mais uma aliada da confusão.
E ainda deixou em Thomas mais uma marca de paixão incompreendida...
O ser ou não ser, caro Thomas, é algo que nem Shakespeare explica.

Eu achei esse texto num caderno bem antigo. Acabou me representando tanto nesse momento que decidi postar aqui. É assim que eu crio personagens, eles só vêm (com nome, aparência e tudo), e eu fico com uma vontade danada de botar eles no papel. No papel mesmo, gosto de trazê-los ao mundo escrevendo com lápis. Me sinto Deus, como falei no post anterior. Daí, se o meu personagem ficar meu amigo ou se eu me apaixonar por ele, não largo nunca.
Mas às vezes esqueço e deixo pra lá. Só que nesse caderno tem tantos textos sobre esse Thomas que eu até me assustei. Thomas não existe, mas parece que eu o conheço mais do que conheço a mim mesma. Ou talvez ele seja um jeito que eu encontrei de me entender. Acho que vou trazer ele mais vezes...

21 de junho de 2017

Sobre como, honestamente, nomeei esse blog

Eu sempre odiei o som do verbo "conformar". Eu não queria participar dessa melodia esquisita. E por muito tempo na minha vida, ser "conformista" era um xingamento.
Só que essa semana, mediante todos os acontecimentos que me pegaram de surpresa, eu decidi, inconformadamente, me conformar.
Em toda a minha existência, a coisa que eu mais amei foi controle. Eu sempre quis controlar tudo ao meu redor. Por isso, quando eu era criança, decidi que seria desenhista. Minha mãe me perguntou porque, falei que queria ser dona do mundo, queria desenhá-lo, ter pleno controle dele.
Uns anos mais tarde, descobri a escrita. Foi quando me senti quase completa. Eu escrevia toda hora e ilustrava meus escritos, criava meus universos duplamente. E sempre de lápis! Eu voltava muitas vezes na mesma obra e apagava, desenhava de novo, adicionava, adaptava, coloria. Eu era Deus.
Mas então eu cresci e me vi perdida em um mundo que não havia sido criado por mim. Um mundo anterior e independente à minha existência. Um mundo que eu não controlava mais.
Escrever parou de ser um ato de dominação e virou um ato de coragem. Parei de criar e comecei a despejar os lamentos do que já havia sido criado. Desenhar não fazia mais o menor sentido. E, ah, como eu queria que esse mundo fosse meu! Queria ter escolhas e não possibilidades. Queria liberdade e não apenas contexto.
Mas no fim, é isso mesmo. Eu preciso finalmente entender que não tenho controle de nada. Que a vida gira ao meu redor e o máximo que eu posso fazer é pensar positivo. 
E tudo bem, Thainara, tudo bem. Eu me cansava das minhas narrativas loucas uma hora ou outra. Porque eu tinha tudo planejado na cabeça, não havia surpresas, nem muita coisa que me desafiasse. E às vezes, em alguns momentos, você precisa ralar pra caramba, pra que quando as coisas esperadas cheguem, possa só sentar no sofá e dizer "Que ótimo. Eu consegui". Quando as coisas vêm sempre fácil demais ou de maneira planejada demais, a gente nunca para pra agradecer o que ganhou, só nos preparamos para a próxima vitória.

17 de junho de 2017

18 coisas que eu - finalmente! - aprendi com 18

Então eu tenho 18 anos. Faz, sei lá, dois meses ou mais que eu tenho 18 anos. E eu já escrevi um post sobre isso, finalizando o projeto 18 antes dos 18. Na verdade, o que eu estava mais interessada em fazer, era escrever sobre coisas que eu aprendi até aqui, com essa existência na terra. Agora, passados alguns meses que fiz aniversário, eu me sinto mais "preparada" pra falar sobre essas coisas que eu aprendi com esses anos. Eu com certeza vou reler isso aqui sempre. E querer mudar tudo depois.

1. Eu não preciso me encaixar. É doloroso e desnecessário tentar ser "normal" ou como a maioria das pessoas. Definições com as quais eu me identifico, nunca serão capazes de totalmente definir quem eu sou o tempo todo. Elas são só um jeito que acharam pra nomear uma ideia geral. Eu sou peculiar como os outros sete bilhões de seres humanos são, então às vezes eu não vou conseguir explicar as minhas peculiaridades e nem entender as peculiaridades dos outros. Eu sempre acreditei que tudo é contexto, afinal.

2. Não posso dizer quem é "bom" ou "ruim". Como eu reclamei pontualmente no Twitter, só porque você teve uma experiência ruim com uma pessoa, não significa que ela seja ruim ou que você deva "avisar" outras pessoas sobre ela! Meus valores, preferências ou afinidade são meus! Ninguém está aqui pra se encaixar nos meus padrões morais e ideológicos (nem estéticos)! É difícil de entender, mas enquanto eu me sinto na posição de julgar quem é bom e ruim, outras pessoas também estão me rotulando desse jeito, e com certeza eu não vou apreciar. Eu entendo que a alteridade é e sempre foi um problema, mas superestimar a si próprio ao ponto de achar que pode dizer quem vale e quem não, é ridículo. 

3. Ser "diferente" não é tudo que eu tenho. Por toda a minha infância e juventude, eu achava que as minhas singularidades em comparação com as normalidades das pessoas era o que me fazia "valer a pena". Então sempre que eu achava alguém que tinha um cabelo como o meu, ou que gostava das mesmas coisas, eu ao invés de amá-la, me sentia ameaçada por ela, pensava que ela era melhor do que eu, mais autêntica do que eu. Eu sou normal, sou como as outras pessoas, eu pareço com um bocado de gente e tá tudo bem. Na verdade, está ótimo.

4. Não preciso achar que nasci pra fazer tal coisa. Até porque não acredito nisso. Ando nem acreditando em talento, na verdade. Acho que as pessoas gostam de coisas e praticam e fazem coisas que parecem boas. Mas isso é relativo, como tudo na vida.

5. Não preciso ser amiga ou gostar de todo mundo. Não posso dizer se as pessoas são boas ou ruins, mas posso dizer se gosto ou não delas, ou se quero que elas estejam na minha vida. Às vezes não tenho nenhum motivo pra não gostar de alguém e eu me sinto mal por isso. Só que na verdade, isso é uma característica humana, eu posso simplesmente não me sentir atraída por esse alguém. Ou em certos casos, algumas pessoas não mal-intencionadas me são tóxicas e eu preciso entender que a minha qualidade de vida vem primeiro.

6. Não preciso beber, ou ser sexual pra ser legal. Eu não vou ficar com pessoas nas festas, nem ficar bêbada e isso não quer dizer que vou aproveitar menos ou que não sou divertida. Eu realmente não dou a mínima pra isso. Beber demais e ficar com pessoas casualmente não é quem eu sou. Às vezes eu me sinto estranha quando estou na companhia da maioria dos meus amigos, porque parece que eu estou sendo moralista, ou sei lá. Mas a verdade é que tentar me fazer ser como eles é que realmente parece moralista.

7. Odiar pessoas religiosas não é ok. Odiar pessoas não é ok. A religião me traumatizou muito. Eu não gosto de como essa instituição me afeta e à bilhões de pessoas, e eu tenho o direito ser totalmente crítica com isso. Mas não com as pessoas que seguem religião. Elas precisam da religião, seja por que motivo for. Eu mesma preciso de certezas, crenças ou algo pra me segurar. Pessoas religiosas não são menos inteligentes ou menos legais. São só diferentes de mim.

8. Me sentir inteligente, bonita ou qualquer outro bom adjetivo não é ser arrogante. E aqui vem algo muito revelador sobre mim. Eu tenho vergonha de dizer "obrigada" e de receber elogios, mas estou sempre elogiando as pessoas. Acho que na maior parte do tempo, não me considero alguém com baixa autoestima, mas sempre que as pessoas me elogiam, eu questiono a veracidade do comentário. Será que eu sou mesmo inteligente? Meu cabelo não é nem tão legal quanto o da (insira o nome)! Eu nunca questiono os meus próprios elogios, afinal.

9. Nem sempre me sentirei inteligente, bonita ou qualquer outro bom adjetivo. Tudo bem não saber sobre um assunto, Thainara! Tudo bem não saber sobre um assunto, Thainara! Tudo bem não saber...

10. Momentos ruins não fazem minha vida ruim. 


11. Sou perfeitamente incompleta. E não preciso de ninguém pra essa autorrealização. Tudo o que eu posso fazer é me compartilhar com outra pessoa, não esperar que ela me complete.

12. Me colocar em primeiro lugar é o mínimo! Porque se eu não colocar, ninguém vai colocar. E mesmo que alguém colocasse, isso seria horrível pra mim e pra ela. Eu só vivo uma vez, como diz a Barbra Streisand, então que eu faça isso aqui ser alguma coisa.

13. Não preciso ter certeza de todas as coisas. Mas, agora, preciso ter algumas certezas.

14. Não sou uma farsa. Um dos grandes problemas de quando alguém me elogia seja pelo o que for. Eu sempre penso que não mereço de jeito nenhum ou que talvez a pessoa me ache legal porque não me conhece de verdade. Eu acho que passo tempo demais tentando ser outra pessoa que não eu. O que é um total desperdício da pessoa que eu sou.

15. Às vezes, eu preciso muito desligar o raio problematizador. E ler um chick-lit, ver comédia romântica dos anos 90, escutar as playlists da Billboard Hot 100, ver Friends sem pensar demais, analisar quando vale ou não a pena discutir...

16. Posso não concordar com as pessoas. E elas ainda serão legais! Eu posso conversar normalmente mesmo sabendo que a pessoa discorda de mim! Não dá pra falar de contexto e achar que todo mundo é igual, então sejamos coerentes.

17. Vou ter necessidades porque sou um homo sapiens sapiens! E tudo bem pedir, Thainara. As pessoas te pedem tanto.

18. Ninguém realmente se importa, mas ao mesmo tempo, se importam. E ninguém é totalmente descomplexado com isso.

5 de junho de 2017

A maldição e a benção que é ter muito pra dizer

Em um dos posts aqui do SEMFM, eu recebi um comentário que me deixou muito feliz. Assim que eu li, minha primeira reação foi sorrir e tirar print (para dias que eu preciso enxergar minha existência nas concepções positivas que as pessoas fazem de mim). Eu devo ter lido umas quatro vezes. E a última frase do comentário foi a que me marcou mais. "Admiro muito quem tem tanto a dizer como você" (Obrigada, leitor, você me fez rir e pensar).

Então, eu tenho muito a dizer. Já escrevi dois ou três posts em que falo disso. Num deles eu digo " Ando achando que estou meio vazia. (...) Vazia de palavras não! Estou tão cheias delas que me escapam sem consentimento! (...) Se a vida continuar trazendo-me palavras, e os meus dedos não me falharem, continuo escrevendo. Senão, boto um ponto final nesse infinito." Em outro, esse mais recente (o meu "comeback" depois que parei de postar no meio de 2015), no qual falo sobre a razão de eu amar a blogosfera e precisar dela, eu falo "(...)Eu era um poço de palavras, um poço bem fundo... (...) Mas a minha vida mudou drástica e felizmente. (...) Foi quando meu poço secou pra dar entrada à um novo vocabulário, este que uso atualmente. Não sei se terei olhos pra lê-lo e muito menos se terei os mesmos olhos de antigamente. Não importa, façamos tudo de novo."

Lendo esses posts, um datado de vinte e nove de maio de dois mil e quinze e outro de dezoito de julho de dois mil e dezesseis, é possível notar o quanto eu amo estar "cheia de palavras" e o quanto às vezes isso pode ser odiável. No post mais antigo, eu me reclamo de ter tanto pra falar, mas me sentir rodando e rodando sem sair do lugar. Eu reclamo de questionar tanto, mas não me encontrar em nada. Reclamo do meu medo de "pontos finais". No post mais recente, eu explico o motivo de eu ser tão apegada a esse pequeno espaço na surface da internet. Isso aqui pode ser muito irrelevante em muitos aspectos, mas eu sinto como se eu precisasse falar e ver que alguém está me ouvindo. Mesmo que só uma pessoa. Eu preciso de comentários como o que citei acima pra reafirmar o sentido da minha "validade" nesse mundo. E eu, tenho sim, muito pra falar. Sendo da coisa, no meu critério, mais relevante, ou da coisa, no meu critério, mais irrelevante.

Aqui, como eu pus na minha pequena descrição no sidebar, é onde eu derramo tudo o que está dentro de mim e que eu não consigo botar pra fora. Aqui é uma bagunça. Como eu sou. Como pessoas que acham que têm muito pra dizer são.
Eu, pessoalmente, acho que todo mundo tem muito pra falar. Cada um é um universo. Como Locke (um filósofo inglês, pra quem não conhece) falou, somos uma tábula rasa, ou uma página em branco, que a experiência vai preenchendo. Pensando assim, cada pessoa tem muito pra dizer, baseado em sua construção de mundo pelas suas experiências, mas não todas têm a necessidade de dizer. Isso tem a ver com muitas coisas. Por exemplo, não temos mais aquele amparo interior que nos fazia procurar o "porto seguro" em nós mesmos, na nossa própria essência. Somos muito dependentes do olhar do outro, e isso nos faz querer falar pela necessidade de buscar alguém que nos compreenda, alguém que concorde com a gente.

Não é todo mundo que sai por ai falando de suas divagações. E por muito tempo, eu achei que esta era uma posição egoísta, afinal, com o pensamento do outro, podemos aprender muito. Hoje, eu não sei se penso assim. Há muitas forças que agem. Minha irmã mais velha, por exemplo, não fala muito, porque acha que não têm nada de importante ou novo pra falar. Eu também não acho que eu tenha nada de novo pra falar, mas desconsidero esse pessimismo de achar que o que vem do outro ou de nós mesmos não é importante. Eu sempre me surpreendo ao receber comentários positivos aqui. E normalmente, eles vêm nos posts que eu mais fico insegura em publicar.

Novamente, não sei se esse post fez sentido. Mais um problema em ter muito pra dizer é que é necessário saber como organizar essas ideias. Eu nunca consigo acompanhar minimamente bem o que eu penso enquanto escrevo, mas vir aqui e tentar, me faz sentir menos prisioneira de mim mesma.


*A imagem que usei pra ilustrar o post, é de um filme chamado "Becoming Jane" que seria quase uma biografia amorosa da Jane Austen. Recomendo fortemente!*

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