23 de maio de 2017

Mais um sobre gerascofobia e Laggies

Esse post foi escrito na noite do dia dezesseis de maio de dois mil e dezessete. Uma semana atrás. Mas eu não tinha certeza se publicava ou não. Enfim, publiquei.Resultado de imagem para laggies rotten tomatoes

Então há duas coisas nesse post que me assustam muito. Crescer e procurar bons filmes no catálogo da Netflix. Talvez, esses sejam medos comuns, ou talvez sejam coisas peculiares sobre mim.

Hoje eu faltei aula porque acordei com crise de garganta. Faltar aula pra mim, é muito mais do que deveria ser. Minha mãe me pergunta o dia todo como eu estou, meu pai me faz chás estranhos, minha irmã mais velha fica mais tempo comigo. Faltar aula é a minha saída quando eu estou me sentindo adulta demais. É só um dia em que eu finjo que posso fugir das minhas responsabilidades e ficar em casa sendo mimada e tratada como criança pela minha família. Eu leio o dia todo e assisto filmes. Eu não faço nada do que deveria fazer e isso me faz muito feliz. Hoje, como estava combinado entre eu e o cosmos, eu deveria ver filmes. Então eu enfrentei meu medo de passar duas horas floating no catálogo de filmes e abri o Netflix. Em dias que eu estou bancando a menina de 8 anos em vez da de 18, é regra que eu não posso assistir nenhum filme "cabeça". Nada de dramas, nem ficção científica, nem documentários, nem filmes sobre política e muito menos comédias inteligentes. De modo que fui direto para a sessão de comédias românticas bobas (nem todas são bobas, como vocês sabem).
E, como uma coisa do destino, lá estava um filme da Keira Knightley que eu ainda não tinha assistido. E aqui vai a maior surpresa! Era sobre uma mulher com medo de crescer, assim. como. eu.

Agora, eu vou tentar fazer uma resenha.

O filme se chama Laggies (Encalhados) e é de 2014. Tem a Keira, a Chloë Grace Moretz e o Sam Rockwell. Nas palavras do cara que faz sinopses pra a Netflix, "Megan tem 28 anos e muito medo de envelhecer. Ela conta ao namorado que vai a um seminário, de fato, está curtindo a vida com uma adolescente." E sim, essa é basicamente a coisa toda. Megan tem um namorado esquisito desde o Ensino Médio. Ele é fotografo e ela já tem mestrado e tudo, mas não é realmente nada. Eles estão dentro de um grupo de amigos (deveras cabuloso, inclusive) desde a adolescência. Os dois parecem estar presos ao passado, se fizermos uma análise mais profunda. Até que um dia, Megan é pedida em casamento por esse namorado estranho, surta e foge. A partir daí, eu já estava imaginando se eu não tinha sido assistida a minha vida inteira pela diretora, porque Megan parece muito mais comigo do que eu gostaria. Voltando, Megan conhece uma adolescente, elas ficam amigas (pra resumir MUITO) e ela acaba dizendo ao namorado que vai pra um seminário antes de se casarem, mas na verdade, vai passar uma semana na casa da nova amiga adolescente. 
A personagem da Chloë, Annika, também me lembrou muito eu mesma. Ela tem medo de relacionamentos e não consegue ter nenhum porque está sempre pensando no futuro, como se ela pudesse, sei lá, prever que não ia dar certo. Ou que talvez ela devesse esperar por outra coisa.
Eu li por ai que era patético que a Keira e a Chloë estivessem nessa comediazinha. "A moça que fez a Elizabeth em Orgulho e Preconceito atuar nesse filme, é simplesmente patético!" Como se Hollywood fosse dar o privilégio de escolha pra a Keira! Como se escolher só fazer filme de clássicos ingleses fosse torná-la hit! Mas de qualquer forma, eu não achei o filme patético coisa nenhuma. Tem comédia, é romântico, o que já cumpre com a promessa toda. E além disso, se você prestar muito atenção, ou estiver num dia sensível, vai perceber a profundidade da coisa. Eu não sei se a Megan supera ou não o negócio da gerascofobia. Também não sei se a Annika perde o medo de relacionamentos ou se ela chega em casa e não consegue dormir pensando em como namorar alguém é estranho. Não dá pra saber, porque é só um filme de quase duas horas. Mas dá pra a gente pensar um bocado. Tem uma cena em que a Megan diz "Você não pode deixar de lado o que quer por um futuro imaginário." E isso sintetiza absolutamente tudo sobre o filme. Era também o que eu precisava pra hoje.

Não, acho que isso não pode ser chamado de resenha.

Pra vocês que talvez esperassem uma resenha, bem, as atuações são boas(nada de muito especial é exigido dos atores, anyway), fotografia nem tanto, trilha sonora clichê. Mesmo assim, a diretora, Lynn Shelton, parece ser bem empática com a situação. E tem 64% no Rotten Tomatoes. Eu recomendo.

Enfim, acho que estou pronta pra voltar pra as minhas responsabilidades amanhã. E quem sabe, parar de imaginar tanto o futuro e, finalmente, entender que o medo de crescer só me faz perder o que eu não quero perder afinal, minha juventude.

18 de maio de 2017

Agenda dos próximos meses

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Dezoito de maio de dois mil e dezessete.
1. Ler livros que eu quero ler, só porque eu quero ler. Às vezes eu quero ler sobre São Francisco de Assis, mas "não posso, porque sou agnóstica". São Francisco foi um cara bacana demais. Corajoso demais. Largou tudo pra viver como queria e aplaudir o sol. Esse leria o que quisesse, não seria covarde como eu. E não é só crença ou descrença que tá me paralisando, mas descobri que estou sendo contaminada pelo vírus do pseudo-cult da literatura que eu tanto abominei minha vida inteira! Esses dias eu senti vontade de ler Tempest da Julie Cross, um livro que comprei no meu aniversário de 16 anos e que tenho aqui há muito tempo e nunca li. Mas daí, antes de tomá-lo para ler, pensei que ele era idiota demais e que eu não deveria estar lendo Y.A. agora que já tenho 18 anos. Ai eu peguei um livro da Jane Austen, que eu amo, mas não deveria ser obrigação e nem deveria estar lendo porque é cult mas porque eu quero ler. Foi ai que eu percebi que alguma coisa estava errada. Medo de a minha estante virar uma perfeita caricatura de um professor chato com um cigarro na mão.
Quando eu era mais nova, tinha Alexandre Dumas e Pedro Bandeira na minha bolsa! Um perfeito equilíbrio hahaha
2. Voltar a ver minhas tão amadas comédias românticas sem ter vergonha disso. Esses dias, uma professora minha brincou com uma das alunas que aparentemente é muito intelectual. "Você conhece as Kardashians ou só lê Nietzche?", ela falou. Ai eu lembrei que não via as Kardashians há anos(isso foi uma hipérbole, folks), e que essas coisas meio bobas do mundo pop me ajudam tanto quanto as coisas que as pessoas consideram cultas. Nesse post, eu falo sobre as músicas bregas que me inspiram mais do que os discursos do Malcom X ou as obras do Andy Warhol. Mas ai eu comecei a faculdade e parei de escutá-las, de ver filmes bobos, de assistir programas de fofocas... Saudades de maratonar todos os filmes românticos da Meg Ryan!
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3. Parar de procrastinar pra escrever só porque eu não sou talentosa como tal pessoa ou porque "aquela outra escreve tão bem que eu nunca conseguiria chegar aos pés". Eu não preciso chegar aos pés de ninguém, eu só preciso escrever. Ninguém precisa me ler mesmo, não é como se eu fosse o Stephen King, então pra que essa paranoia toda?
4. Cuidar mais de mim. Eu sempre falei que quando tivesse minha própria casa, eu não limparia ela, porque eu odeio limpar. Eu não a organizaria, porque eu sou bagunçada mesmo. E agora eu percebo que eu sempre tive minha casa e realmente não a organizei. O problema é que só eu vivo aqui e ninguém me visita nem nada, se essa casa desabar, só eu vou me embora junto. E eu sou nova demais pra ir.
5. Estudar apenas por estudar. Eu me interesso por tantas coisas, mas sempre acabo achando que vai ser inútil, que eu perco tempo lendo sobre, que eu poderia usar aquele espacinho no meu cérebro pra algo que eu fosse ser avaliada por. Mas ai eu reclamo de quem faz as coisas automaticamente quando eu acabo sendo essas pessoas. No início do ano, eu comecei a me interessar por Empirismo. Então eu li um monte e depois achei que era um conhecimento sem propósito, uma vez que eu não o usaria (pobre de mim, menina tola). Mas um dia desses que fui visitar minha escola de Ensino Médio, uma amiga de uma amiga perguntou à nossa antiga professora de sociologia pra quê aprender genética, se a gente não ia usar. Com toda serenidade que a professora não tem, ela respondeu que "É muita burrice achar que a gente só tem que saber de alguma coisa se for precisar usá-la praticamente". E com isso, eu voltei a ler Empirismo e também levei um ótimo, e necessário, tapa na cara.
6. Autorrealização. Porque isso nunca sai da minha agenda, mas um dia eu espero não precisar.

15 de maio de 2017

Espelho, espelho meu... #VNES


Acordar e encarar a vida nem sempre é tão simples. E lá estava ele, meu primeiro obstáculo, o espelho, como era triste me olhar todos os dias e não me aceitar como eu era. Depois era a hora de colocar a farda, aquela calça preta que nunca ficava boa em mim, me sentia um balão inflável, então olhava para meu rosto e via as olheiras funda, mostrando o quão pouco eu tinha dormido noite passada, me olhava procurando onde eu estava e porque tinha me perdido assim.

Ahh, como aqueles minutos na frente do espelho me destruía e continuava a me perguntar por que não ser como as meninas da minha escola. O tempo foi passando e eu não conseguia me olhar no espelho. Me achava gorda, feia, mas eu nunca conseguia enxergar o que eu realmente era. E foi assim que passei a parar de comer e quando sentia fome comia bem pouco e vomitava tudo logo após. Ninguém percebia o que estava acontecendo comigo, me isolei e cada vez me encontrava mais sozinha e sem enxergar quem eu era, me perdia a cada dia e parecia que meu mundo estava se fechando contra mim.

E foi aí que as pessoas e a minha família começaram a notar que eu passava o dia todo sem comer e o quanto eu estava fraca. Minha mente me punia sempre que comia e depois eu ia correndo para o banheiro vomitar tudo, até que desenvolvi anemia. Passei a me sentir sonolenta, sem forças e muitas vezes ficava tonta, aí veio o primeiro desmaio na escola...aquele dia foi horrível lembro das pessoas em minha volta ao acordar, com cara de assustadas e se perguntavam o que estava acontecendo comigo e eu só queria chorar, porque eu sabia o que estava acontecendo.

Mas o que eu ia fazer pra mudar? Eu não sabia e só estava afundando cada vez mais. O tempo parecia ter parado e eu nem sabia quem era eu mais, até que resolvi me aceitar porque ser eu e me sentir bem comigo mesmo foi umas das melhores coisas que aconteceram. A minha felicidade voltou e meu sorriso ao olhar no espelho era de amor próprio, era a melhor coisa que eu sentia me amar, me amar... O amor tão profundo e mais sincero por mim mesma.
Texto de Mariane Xavier

O projeto #VOCÊNÃOESTÁSOZINHO surgiu para compartilhar textos, sentimentos e opiniões sobre assuntos que lhe incomodam ou já lhe incomodaram. Os textos podem ser enviados a partir do dia 1 de Maio de 2017 pelo formulário no fim do blog #VOCÊNÃOESTÁSOZINHO (vcnaoestassozinho.blogspot.com.br) e seu texto será divulgado para outras pessoas se identificarem a partir de Junho. Por enquanto, no mês de Maio, alguns blogs que apoiam a causa, postarão seus textos como forma de divulgação do projeto. 

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13 de maio de 2017

Depois de um dia esquisito, mais um pra se arrepender de ter postado


Eu odiava que você esperasse algo de mim. Achava que era injusto que você quisesse que eu fosse isso ou aquilo. Eu queria que você me aceitasse do jeito que eu era, que me compreendesse mais. Ou que se não conseguisse me compreender, deixasse por isso mesmo.
Eu odiava que você esperasse algo de mim. Mas eu esperava tanto de você.
Mesmo que eu seja agnóstica; que eu seja bagunçada; que durma tarde demais e acorde mais tarde ainda; que eu faça uma faculdade que a senhora não gosta; que eu queira escrever ficção e não prescrição de remédios; que eu leia demais e estrague minha vista; que eu ande com esses "comunistas vagabundos"; que eu seja viciada em miojo; que eu só use preto; que eu odeie sutiãs mas "tem que usar, menina!"; que eu deixe os gatos dormirem na minha cama; que eu lave o cabelo à noite; que eu só assista "essas coisas de gente gótico"; que eu desate a falar umas horas e em outras eu nem queira dar bom dia; mesmo com tudo isso, você espera algo de mim. Obrigada, porque eu não sei se teria essa perseverança com outra pessoa.

E valeu por pintar meu quarto de amarelo, numa tentativa um tanto ridícula de me fazer não esquecer de você. Eu não esqueceria, mas obrigada por tentar.

Eu não entendo por que a senhora tem um filho bem sucedido, uma filha religiosa e uma filha organizada, mas ainda assim, tenta por mim. Acho que nem a senhora entende.

8 de maio de 2017

Checked #VNES

Mais um post do projeto #VocêNãoEstáSozinho! Sorry folks, eu deveria ter postado algo entre um #VNES e o outro, mas sabe como é, agora que eu sou universitária... cof cof


Mochila. Sapatos. Chaves. Carteira. Garrafinha de água. Checked. 13:00. 
Saio do quarto e fecho a porta forçando um pouco a pobre. Depois da última chuva, parece que ela estufou de um jeito que quase não fecha. Me olho no espelho e aproveito para dar uma última checagem. 
Mochila. Sapatos. Chaves. Carteira. Garrafinha de água. Checked. 13:05. 
Vou até a cozinha e observo o ambiente. 
Torneira fechada. Geladeira fechada. Fogão desligado. Porta do quintal devidamente trancada. Checked. 
Sorrio satisfeita e desligo as luzes. Passo voando pelo corredor imaginando se o ônibus passaria mais cedo e eu ficaria plantada naquele Sol de 70º graus. 13:08.
Saio de casa e coloco a chave na fechadura. Giro. Giro. Giro. A chave não gira mais. Está trancada. Mexo e simulo uma invasão. A porta não abre de jeito nenhum. Sorrio e saio andando pelo meio da rua deserta. Mas será que eu não deixei o fogão ligado mesmo? Eu não tenho certeza se fiz isso quando terminei de esquentar minha lasanha de ontem. Dou meia volta para casa e coloco a chave na fechadura. Giro. Giro. Giro. Abriu. Entro e empurro a porta atrás de mim sem trancá-la. Saio correndo pelo meio da casa e ao chegar na cozinha presencio o mesmo cenário de 5 minutos atrás plenamente deserto. 
Torneira fechada. Geladeira fechada. Fogão desligado. Porta do quintal devidamente trancada. Checked. 
Aff. Desliguei as luzes e enquanto passei pelo espelho prendi a respiração. Não preciso checar novamente. NÃO ESTOU ESQUECENDO NADA! 
Ergo a cabeça e saio de casa. Coloco a chave na fechadura. Giro. Giro. Giro. Trancou. Certeza? Giro a maçaneta sem a chave na fechadura e a porta não abre. 
Guardo a chave no bolso direito e puxo o celular do bolso. 13:14. MERDA! 
Seguro minha mochila e corro sem prestar atenção nos carros. Viro três esquinas correndo e ignorando olhares. Quando chego na Avenida, vejo o lindo ônibus azul passar do outro lado. Não. Pode. Ser. Passei as mãos no rosto e respirei fundo. 
Tudo bem. Pego o próximo. Sem problemas. 
Espero o sinal fechar e atravesso na frente de uma linda Range Rover preta. Meu sonho de consumo. Claro que sei que pra isso preciso ser rica. E pra ser rica preciso ter um bom emprego. E pra ter um bom emprego preciso ir bem na faculdade. E pra ir bem na faculdade preciso... preciso...! Eu preciso ir bem na faculdade! Caso não, não consigo um emprego, nem dinheiro, nem uma Range Rover. Sentei no banquinho da parada de ônibus já arrasada. Eu não conseguiria um emprego! 
Um outro ônibus vem em direção ao ponto. Repito o destino cinco vezes na minha cabeça. Não é o meu. 
Olho para o chão percebendo que estou sozinha naquele lado da Avenida. Qualquer pessoa poderia chegar aqui. Uma moça grávida. Um moço querendo voltar pra casa depois de um longo dia de trabalho. E também pode vir um moço com má intenções. Ele sentaria ao meu lado como se fosse o moço querendo voltar pra casa, mas ele não esperaria o ônibus. Ele anunciaria um assalto. Eu reagiria? Não! Não dá pra reagir a um assalto. Eu correria? Não, eu iria morrer se me jogasse nessa Avenida. Eu daria meu celular. Mas eu vou ficar sem? Eu não tenho como comprar outro. Não tenho emprego! 
Olho ao redor. Um moço passa por mim e eu prendo a respiração sentindo meu coração disparar. Ele continua andando e eu solto o ar que prendia. Obrigada, Deus. 
Mais um ônibus azul vem em minha direção. O meu destino estava estampado em letras enormes. Li mais três vezes para ter certeza de que era o meu mesmo. Levantei e observei o banco. Não deixei nada cair, deixei? Ele já estava perto quando corri para acenar. Parou. Entrei no ônibus e passei pela catraca. 
Sentei em um banco qualquer e relaxei. Sem roubos hoje. Onde está minha chave? Meu coração disparou de novo. Será que deixei cair no ponto de ônibus? Abri minha bolsa desesperada e vi o molho reluzente se mexer dentro dela. Soltei o ar que prendia, como sempre, aliviada. Olhei pela janela as plantações passarem rápido por mim.e tentei afastar imagens de um possível acidente de ônibus comigo dentro. Para! 
EU. 
ESTOU. 
SEGURA. 
Sigo repetindo as mesmas palavras mil vezes na minha cabeça. Vejo pela visão periférica alguém sentar ao meu lado. É uma colega da faculdade. Ela pergunta se eu fiz o trabalho. 
Meu coração pula do peito disparando, sim. Eu coloquei o trabalho na bolsa?
Texto de: Clarissa Assis
O projeto #VOCÊNÃOESTÁSOZINHO surgiu para compartilhar textos, sentimentos e opiniões sobre assuntos que lhe incomodam ou já lhe incomodaram. Os textos podem ser enviados a partir do dia 1 de Maio de 2017 pelo formulário no fim do blog #VOCÊNÃOESTÁSOZINHO (vcnaoestassozinho.blogspot.com.br) e seu texto será divulgado para outras pessoas se identificarem a partir de Junho. Por enquanto, no mês de Maio, alguns blogs que apoiam a causa, postarão seus textos como forma de divulgação do projeto. 

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1 de maio de 2017

EU AINDA CHORO #VNES

O projeto #VocêNãoEstáSozinho foi criado pelas blogueiras do Próxima Primavera, Nuvens dos sonhos, Cafofo Azul e Se Esse Mundo Fosse Meu, no intuito de dar voz à pessoas que precisam de ajuda. Pra entender melhor essa ação, acesse:  vcnaoestassozinho.blogspot.com.br

              São 11h da manhã. O alarme do celular toca sem parar. Será que se eu fingir que o despertador não tocou eu poderei faltar a aula hoje? Inferno. Tem prova, eu não posso deixar de ir. Levanto, vou ao banheiro, tomo banho, escovo os dentes, coloco minha roupa, solto minhas tranças do coque em que estavam, calço meu tênis e me olho no espelho do banheiro. Ok, é isso que temos para hoje, talvez se eu passar um batom...pego um gloss e passo, me sinto bonita hoje. Pego um lenço e coloco no cabelo, agarro a minha mochila e corro para cozinha. Eu sempre saio depois dos meus pais e chego antes deles então eles não estão aqui mais. Faz um mês que estudo nesse colégio, é válido salientar que eu odeio esse lugar. Sempre amei estudar, sou a típica nerd em tempo integral, mas estar numa escola, nem sempre é tão divertido. No caminho eu só penso no quanto eu queria voltar para casa me enrolar na coberta e ficar por lá por tempo indeterminado lendo algum livro ou fazendo algo que não inclua lidar com outros adolescentes. Mas eu preciso ir, não posso perder a primeira prova. Pego uma banana no balcão e saio de casa.
              São 15h da tarde. Eu estou trancada numa cabine do banheiro escolar chorando fazem 15 minutos, eu queria sair, correr, contar para alguém, mas depois vai ser pior. Eu já falei com a professora uma vez e tudo que ela disse "faz parte, é fase, daqui um tempo todos vão querer ficar perto de você" será que ela não entende que isso não vai acontecer, e pior SE for eu não quero ter que esperar a boa vontade deles? Eu comecei a estudar aqui faz UM MÊS, apenas UM MÊS e eu sempre termino o dia chorando desde então. Tudo que eu quero é sentar na minha cadeira, ter a minha aula tranquila e ir para casa. Tudo que eu fiz foi chegar na sala e sentar na mesma cadeira de sempre, encostada na parede na terceira cadeira da fileira, nem muito na frente, nem muito atrás. Na terceira aula, perto do intervalo, eu ouvi risadas, olhares em minha direção, mas não virei o rosto para saber o que era, não era a primeira vez que riam de mim por aqui.
              O sinal tocou alertando o horário de lanche, eu esperei todos saírem, inclusive a professora, mas um grupinho de meninas e meninos do fundo ficaram lá me olhando, então peguei meu lanche na mochila e fui levantar para sair quando senti minha cabeça voltando com muita força para baixo. MAS QUE MERDA?! meu cabelo estava amarrado na cadeira. Mas com muitos nós, eram muitos fios das minhas tranças presas. O grupinho do fundo começou a rir alto, e bater as mãos umas nas outras, e se preparam para sair. O que eu iria fazer? Deixar eles irem e me deixar presa aqui? Perguntar porque fizeram isso? Esperar até o próximo professor entrar na sala? Uma das meninas veio para cadeira do lado pegar o lanche dela enquanto eu prendia as lágrimas que queria descer. "Natalia, você pode me ajudar a me soltar?" "Oi? Ah, claro" eu suspirei de alívio e vi que os outros que estavam na sala olhavam para ela com cara de interrogação. Foi então que ela riu e eu senti que não seria a ajuda que eu precisava. Ela tirou uma tesoura da mochila e cortou um grupo de tranças "NÃO, NÃO É PRA CORTAR!" "Acredite, estou te fazendo um favor, você não fica bem com ela, tentando ficar bonita, não está funcionando" a primeira lágrima desceu. "Começando pelo fato de você ter o cabelo muito duro, não sei se é pior com as tranças ou sem" a terceira e a segunda também desceram. "Eu não deveria dizer isso...mas talvez se tivesse a pele mais clara..." enquanto isso ela terminava de cortar as tranças na altura no meu pescoço. Então ela saiu da sala e eu corri para o banheiro onde estou a algum tempo.
              Levanto e vou para casa, chorando durante o caminho de cabeça baixa com o capuz por cima. Chego em casa, passo na cozinho pego uma esponja de aço e corro para o meu quarto, jogo a mochila no chão e entro no banheiro. Tiro a roupa e me olho no espelho, passo a mão nas tranças e o choro compulsivo toma conta, um aperto forte no meu coração me dilacera. O QUE EU FIZ AFINAL???? Entro no chuveiro, e quando a água cai sobre meu corpo eu passo a esponja nos braços, arde, queima, minhas lágrimas se misturam com a água encanada, esfrego a esponja nas pernas, no pescoço, na barriga, por que essa cor não sai de mim??? EU NÃO QUERO SER ASSIM. Então eu grito até engasgar com as lágrimas, sento no chão do box e deixo que a água lave o que restou de mim. A força que usei na esponja fez meus braços se arranharem e alguns rasgos agora vermelhos e saindo um pouco de sangue são enxaguados pela água que ainda cai sobre mim. Eu levanto do chuveiro após uns 20 minutos, desligo a água, me enrolo na toalha e deito na cama em meu quarto do jeito que estou. Jogo uma coberta por cima e choro enquanto espero meus pais chegarem para fingir que estou dormindo e não ter que explicar o que aconteceu com meu cabelo e com minha pele.
              Eu tenho 12 anos. Faz um mês que estudo nesse colégio, é válido salientar que eu odeio esse lugar. Meus pais dizem que é porque eu ainda não fiz amigos, logo me acostumo só preciso me esforçar para conhecer novas pessoas. Minha professora diz que é brincadeira, somos todos crianças. É minha culpa não querer não existir? não ser negra? é culpa minha não me amar? é culpa minha viver esse inferno? "...mas talvez se tivesse a pele mais clara...". Sete anos se passaram. Hoje, eu sou uma menina confiante, empoderada sim, com autoestima elevada, ninguém pode ou tem o direito de me colocar para baixo, eu luto para que outras crianças não ouçam o que eu ouvi, não vejam o que eu vi, não sofram o que eu sofri. Mas não foi fácil, eu ainda escuto coisas ruins, mas hoje eu tenho força o suficiente em mim para me impor. Quando eu tinha 12 anos eu não tinha. Quando eu tinha 12 anos eu não soube pedir ajuda, eu não soube procurar socorro, eu tive medo, até meus 12 anos e anos após aquilo eu chorei horas a fio após ouvir que ser preta era o meu problema. Eu ainda choro. Mas não porque ser preta é um problema. Choro porque conviver com seres humanos que fazem esse tipo de coisa e ensinam isso para os seus filhos é um problema. Mas eu sei que não estou sozinha, essa luta não é só minha.
Texto de: Stephanie Karoline
O projeto #VOCÊNÃOESTÁSOZINHO surgiu para compartilhar textos, sentimentos e opiniões sobre assuntos que lhe incomodam ou já lhe incomodaram. Os textos podem ser enviados a partir do dia 1 de Maio de 2017 pelo formulário no fim do blog #VOCÊNÃOESTÁSOZINHO (vcnaoestassozinho.blogspot.com.br) e seu texto será divulgado para outras pessoas se identificarem a partir de Junho. Por enquanto, no mês de Maio, alguns blogs que apoiam a causa, postarão seus textos como forma de divulgação do projeto. 

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29 de abril de 2017

Uma carta estranha para um estranho // 12 cartas em 12 meses


Olá! 
Queria expressar minha santa indignação sobre essa última semana. Eu estive na bad o tempo todo e não é nem TPM, porque eu nunca tive essa coisa em 6 anos. Ou seja, algo pode estar acontecendo. Meu palpite é que eu me atarefei demais e não estou sabendo me organizar direito. Sabe o cansaço intelectual? Aquele que a gente acha que só os grandes estudiosos têm? Então, eu descobri que qualquer ser humano está a mercê disso e principalmente quando se está na faculdade. É horrível porque eu tento dormir e quando acordo estou de mal humor. Thank God.
Mudando de assunto, na última sexta-feira teve greve geral! Eu estive na manifestação de manhã e foi muito incrível. Nem sabia que tinha tanta gente com vontade de lutar. Me dei conta de muita coisa.
Enfim, a quarta carta do projeto 12 cartas em 12 meses.
  • Abril: Uma carta para um desconhecido.

Olá senhor,
Preciso confessar-lhe uma coisa. É muito esquisito que eu queira escrever uma carta para o médico que ajudou no meu nascimento. Eu não sei nem quando e porque isso começou, mas eu frequentemente penso nisso. Como seria encontrá-lo, doutor? Se é que você fez doutorado ou só se utiliza da intimidação social mesmo. Olha ai, você ajudou uma problematizadora a nascer. Duas na verdade, quase ao mesmo tempo.
Eu fico pensando se eu não te vi em algum lugar. Se você sentou ao meu lado na poltrona do cinema ou se estava na minha frente na fila do banco. É estranho pensar que quem me arrancou do útero da minha mãe para o mundo, esteja por aí vivendo sem saber quem eu sou. Claro que eu não fui a única a ser trazida à esse planeta azul pelas suas mãos, mas gostaria mesmo de te conhecer um dia. Acho até meio impossível, mas não consigo parar de pensar em como seria o encontro.
Às vezes fico imaginando quem você é, o que você faz além de tirar bebês de úteros. E espero que esteja vivo ou essa carta se tornaria extremamente mórbida. Será que você ainda é médico?
De qualquer forma, eu gosto de fantasiar sobre o seu passado. Na minha idade agora, 18 anos, o que você fazia da sua vida? Como você era? Será que já estudava medicina ou estava imerso na terrível angústia de não saber pra onde ir? Ou quem sabe, até hoje você não saiba pra onde ir... E a sua família, você tem uma? Ela se orgulha de você por ter conseguido um status de doutor? Você se orgulha de si mesmo? E as ideologias? E as paixões e aspirações? Será que você sabe quais suas motivações ou já perdeu essa reflexão em meio a correria da profissão? Espero que não, ou então você realmente está morto.
Eu tenho medo de um dia te encontrar e ficar decepcionada. Porque de algum jeito, eu me sinto muito próxima à você. Talvez eu veja na ideia que eu fiz do senhor, o meu futuro. Eu não quero ajudar pessoas a nascer como um médico faz, eu quero fazer as pessoas nascerem para a arte. O que é ridiculamente pretensioso, mas igualmente importante.
A extremamente curiosa e dramática menina que o senhor 
ajudou a vir à esse mundo que eu gostaria que fosse meu, 
Thainara Amorim.

23 de abril de 2017

(r)evolução.


A vida toda eu sempre me senti muito propícia a me metamorfosear. Não é difícil pra mim mudar de ideia, mudar de estilo, mudar de gostos... Basta apenas que conheça alguém ou algo que saiba me persuadir e lá estou eu, comprando aquela sandália que eu achava horrenda ou acreditando na ideologia que eu achava rasa. Você pode me chamar de influenciável. 

Eu me chamaria de evolucionável. 

E eu não sei se isso é uma coisa boa. Às vezes me ajuda, às vezes não. 
Esse blog nasceu assim. Eu achava que blogs eram infantis e que não acrescentariam nada nem à minha vida nem à vida das pessoas. Até um dia muito preguiçoso em 2014.
Há essa menina na internet que tem uma retórica deveras admirável (e pra acrescentar a voz dela ajuda muito), ela conseguiu me convencer em cinco minutos que eu precisava ter um blog. E assim que eu acabei de assisti-la, eu já tinha pensando em mil e um nomes para isso aqui. Foi então que eu criei um blog horroroso com a minha irmã. Nós não sabíamos nada de layout(até hoje não sabemos) e isso nos paralisou um pouco. Então ela desistiu e eu fiquei, e isso ficou, e você está nos lendo.

Toda essa delonga pra dizer que, enfim, mudamos o layout! 

Se você leu esse post que é nada mais nada menos que uma IMENSA crise existencial, você deve saber que o layout de antes não representava mais o SEMFM, e que eu não conseguia de jeito nenhum mudá-lo e isso não me deixava escrever sobre coisas que eu realmente queria escrever. Além disso, eu sempre achei que o blog deveria continuar como sempre esteve, que se eu mudasse o conteúdo vocês não o leriam mais.
Agora eu quero que o SEMFM seja assim como eu, evolucionável. Vamos descobrir se isso vai ser uma qualidade ou um defeito.

***

Quem me ajudou com essa lindeza de layout foi a Clarissa 
do Próxima Primavera que também está de roupinha nova!

19 de abril de 2017

Eu não sou sua cool girl!


Por muito tempo da minha vida, eu me perguntei por que todas as minhas amigas tinham namoradinhos ou paqueras e eu não. Sempre tentei não pensar nos motivos disso, porque me incomodava muito. Mas às vezes eu me perguntava o que tinha de errado comigo! Eu sou branca, tenho corpo padrão, meu cabelo se encaixa na categoria "ainda bem que é cacheado e não ruim!" (Categoria que podemos nomear "a mulata" dos cabelos). Meu corpo estava nas revistas, meu cabelo estava na TV! Mas por que os meninos se interessavam por todas as garotas à minha volta, menos eu?

E então a mídia me deu a resposta.

Sabe aquela menina com personalidade "masculina"? Uma menina que está dentro dos padrões de beleza, mas que pouco se esforça pra ser bonita ou não é tão vaidosa?  Aquela que faz piada escrachada, que fala palavrão? A liberal nos relacionamentos, que pega um monte e não fica com nenhum?  Aquela que é "da galera"?  E que geralmente quando varia um pouco - mostra aspectos considerados femininos (como tantas vezes aconteceu comigo) é fortemente questionada?

Ela era eu. Eu sempre estava nas rodinhas com os meninos, eu tinha facilidade de me relacionar com eles. Eles não tinham vergonha de falar nada na minha frente, desde a piadinha sobre pênis à ficada massa com a gostosa no sábado. Eu era a menina que não tinha frescuras, que não usava maquiagem, que não gostava de rosinha, que escutava "música de homem", que não lia livro de "mulherzinha", que via os filmes legais, que era "magra de ruim". Eu era um dos caras.
Ou melhor, eu era a "cool girl".

Então se algum deles se interessasse por mim, iria querer o tipo de "relacionamento liberal" que tanto sonhavam. Ou seja, usar a menina e depois dar o fora. Assim, eu não me apaixonava, eu não tinha permissão pra isso. Nem pra esperar que o cara ligasse pra mim no dia depois do primeiro encontro. Eu não podia consumir o que os caras não achassem legal e por Deus, eu não podia de forma nenhuma ser feminista! Eu estava lá para entretenimento deles e só.


O arquétipo da cool girl (garota legal em tradução literal) é bastante popular na Literatura. Geralmente é a menina que apresenta a maioria das características que introduzi acima e que despreza todas as mulheres com expressão mais feminina. Até mesmo essas novas personagens que estão surgindo, de personalidade forte e que são mostradas como guerreiras, atendem à certas características da cool girl. É algo que está tão por dentro das mídias contemporâneas que temos dificuldade de reconhecer, principalmente porque muitas vezes, essas "cool girls" são escritas por mulheres.
Na televisão e no cinema, esse arquétipo aparece de muitas maneiras. A Sam do iCarly é a típica cool girl. Não precisa nem de muita análise. Ela é praticamente um personagem masculino e quando se apaixona, todos ficam super surpresos! No seriado Sam & Cat o arquétipo é ainda mais visível, uma vez que há um contraste enorme entre a expressão de gênero totalmente masculinizada da Sam com a fofura e,  não por acaso,  burrice da roommate Cat. 
Em Gilmore Girls também somos capazes de enxergar esse trope. É muito perceptível no episódio em que a Lane Kim, amiga de uma das personagens principais, Rory Gilmore, vira líder de torcida e tem vergonha disso. Lane e Rory são inteligentes e “sem frescura", raramente estão dentro da expectativa feminina(como quando Rory aceita ser debutante em um baile, mas apenas pra agradar a vó -sqn) e sempre estão zoando as meninas que são diferentes, como a Madeline e a Louise.

A cool girl é um desserviço às mulheres e à luta feminista.
É um arquétipo machista que deslegitima as mulheres e as colocam em quadrados mais aceitáveis e menos aceitáveis. Além disso, perpetua a ideia de que há características próprias de homens e mulheres como se isso fosse natural e não construção social.
Humanos são humanos e têm características humanas.

Tudo bem gostar de livros de romance! Tudo bem usar rosa! Tudo bem gostar de maquiagem!
O que não está tudo bem é tornar a mulher um objeto de entretenimento. Ser diferente é legal, mas tentar ser diferente pra agradar homem é um investimento sem qualquer retorno.

11 de abril de 2017

18 antes dos 18!


Gente! Hoje eu faço 18 anos! 
Eu percebi há pouquíssimos minutos que o prazo do projeto 18 antes do 18 acabou hahaha Sério, parece que foi ontem que eu escrevi essas metas no meu celular...
****

  • 1.Autorrealização. Talvez isso seja um pouco impossível,mas vou sonhar mesmo assim. 
  • 3.Começar coisas que quero muito,mas que tenho um medo insano de fazer,seja por aceitação,ou qualquer outra coisa. 
  • 10.Parar de pensar incessantemente sobre oque as pessoas estão pensando de mim,porque fala sério(!),isso é um saco. 
  • 12.Parar de roer minhas unhas,e ter mais cuidado com todo o resto de mim,em geral. 
  • 17.Ter um amor épico,não importa de qual tipo seja.Se é que amor pode ser classificado em tipos. x
  • 18.Me aceitar completa e independentemente de tudo e sobre qualquer coisa e pessoa. 

A meta está em andamento, fico feliz porque ela é a mais difícil de se realizar. Tem gente que passa a vida toda sem esse negócio de autorrealização, porque eu deveria ter isso aos 18 anos? Eu tenho um monte de tempo pra me resolver ainda!
A10° e 18° metas foram um pouco difíceis, principalmente porque comecei essa lista aos 15 anos de idade. Mas até que vai indo bem. Ás vezes a gente tem aquela recaída, mas ninguém é 10/10, certo?
Quando pensei na 12° meta, eu achava que roer as unhas fosse só mais uma maniazinha minha. Hoje sei que há outras forças que agem e não posso me culpar por isso, tenho apenas que reconhecer o problema e buscar a solução. Muito difícil até o momento que escrevo, mas já consigo ver o progresso.
Não pude realizar a 17° meta. Não dependia só de mim. Tudo bem.

  • 4.Voltar a dançar. 
  • 5.Fazer mais do que me faz feliz!(Escrever,ler,gravar,dançar,editar,assistir,escutar música,ler ou assistir O Fantasma da Ópera...) 
  • 13.Ver pelo menos um musical em algum teatro legal.Resta sonhar ver O Fantasma da Ópera na Broadway :') x
  • 14.Assistir absolutamente todas as adaptações de filmes dos meus livros favoritos. 
No ano passado eu voltei com esse negócio de dançar e foi maravilhoso! É uma sensação que engrandece, sabe? Uma das melhores do mundo!!! Na foto acima estou eu e minha irmã vestida para o musical Mary Poppins que é dificílimo de performar, mas maravilhoso de assistir! A 13° meta foi meio impossível de fazer acontecer. Com 15 anos eu não entendia muito bem o preço de um espetáculo da magnitude de O Fantasma da Ópera hahaha Um dia eu consigo!
  • 2.Terminar de escrever um livro que importe tanto pra mim,que não vou achá-lo horrível e destruí-lo sem piedade assim que acabar. ...
Não sei se estou no caminho, é difícil dizer.


  • 6.Viajar para fora do país. 
  • 7.Fazer intercâmbio
  • 8.Ver neve. 
  • 9.Ser fluente em inglês
Yaaaay! Parte mais felizínea do post! Consegui as primeiras três metas e estou quaaase conseguindo a !!!!! Sair dos limites do meu quarto aos 16 anos foi uma experiência que mudou completamente minha forma de ver o mundo! Foi como se eu tivesse começado uma nova vida. Nunca imaginei que eu fosse voar pra a outra parte do continente acompanhada apenas da minha mala e das minhas inseguranças e encontrar amigos do mundo todo e de todas as idades. Eu me senti no Mito da Caverna de Platão, sério! haha é uma coisa meio nerd de se dizer, mas me lembro da minha última conversa com o meu professor de Filosofia antes da viagem e ele dizendo pra mim que depois que se via o mundo real não se podia voltar pra a escuridão da caverna e isso foi uma das poucas coisas que ele falou que fizeram sentido! Em setembro de 2015 ao pousar em terras canadenses, eu finalmente entendi que eu não era mais uma criança.


  • 11.Ter um bom término de ensino médio.  Desses de comédia do John Hughes se quer especificidade. x (Não foi dessa vez, mas até que foi legal)
  • 15.Me mudar pra a capital.Sonhos.Sempre eles. x (Esse sonho mudou completamente!)
  • 16.Começar a faculdade de cinema.  (Bem, não estou começando a faculdade de cinema propriamente, mas o curso de comunicação social tem habilitação em cinema e audiovisuais, so fair enough)
FINALMENTEEEE! Com 15 anos, o término do Ensino Médio e a entrada na faculdade era uma ideia que parecia tão, tão distante de mim! Mas eu consegui! 
Quando eu voltei pra o Brasil, eu estava com medo de entrar em depressão pós-intercâmbio ou ter problemas pra me readaptar, mas felizmente não foi o que aconteceu. Eu fiquei muitíssimo surpresa que a maior razão pra eu não entrar em tristeza profunda foi a escola! A escola! Eu NUNCA gostei da escola a minha vida inteira! Eu odiava acordar cedo, ter que fazer tarefa e trabalho,seguir uma rotina todos os dias e ter que usar um uniforme ridículo, mas então, no meu último ano eu gostei. Só por essa razão eu já achei 2016 o ano mais esquisito da vida! De qualquer forma, ano passado eu fiz muitos amigos, eu entrei de cabeça nas coisas da escola e me dediquei muito à História que é uma das maiores razões de eu não ter desistido da escola depois da quarta série. Sobre a faculdade, eu já enchi o saco de vocês de tanto falar!
Os itens que possuem um coração ao lado,são os que já foram concluídos(yaaay!).Os que tem uma estrela,são os que estão em andamento.Os que possuem um x vermelho,são os que foram anulados.
Hoje, 11 de abril, eu tenho legalmente o direito de comprar minha própria Ice no mercado do Shopping hahaha E eu sinto sim muita diferença, sabe. Meus amigos me disseram que seria a mesma coisa. E claro que nada além da minha idade mudou de ontem pra hoje. A mudança foi gradativa e silenciosa. Eu não mudei muito pra as pessoas que me conhecem, ao que me disseram. Mas eu me sinto outra pessoa. Voltei à essa lista que escrevi há 4 anos e não consigo parar de rir com essas metas. Meus sonhos mudaram, minha visão mudou, minha vida mudou. Com 18 anos, eu me sinto muito longe da menininha que criou esse blog.

9 de abril de 2017

O que aconteceu no mês mais longo da minha vida

Estamos no começo da segunda semana de abril, mas mesmo assim eu vim falar dos acontecimentos do mês passado. Eu deveria ter colocado esse post no ar há uns quatro dias, mas só agora eu pude descansar um pouco dessa loucura que é o curso superior. Todo tempinho livre que eu tive no dia, eu só conseguia pensar em escutar um pouco de música ou ver Netflix. Estou tentando fortemente voltar ao meu ritmo normal de leituras, mas às vezes eu só quero voltar pra casa e fazer absolutamente nada.
O mês de março foi provavelmente um dos meses mais loucos da minha existência nesse planeta azul. Foram 31 dias que mudaram totalmente a minha vida. Nem sei se pra melhor ou pra pior, mas estou tentando ser positiva. Eu nunca tinha realmente entendido o significado da palavra Ovewhelmed (escrevo inglês porque sou péssima tradutora), mas agora eu acho que fui eu quem inventou essa palavra.
O que aconteceu: Eu finalmente comecei minhas aulas na UFPE(sou caloura de Comunicação Social)! Agora pego dois ônibus lotados de segunda a sexta. Minhas aulas começam de duas horas da tarde, mas tenho que sair de casa ao meio-dia e meia. Pra mim que sempre fui uma pessoa preguiçosa pra se deslocar, está sendo uma experiência de perseverança! Mas é bom ir pra um lugar novo, sabe? Eu ainda não me acostumei a nada lá! Não tenho mais regras tão restritas à minhas roupas, o foco do estudo não é mais o vestibular, não estudo mais matérias exatas(não no primeiro período pelo menos) e isso não quer dizer que eu ame todas elas. As aulas são muito boas e os professores são diferentes de todos que já tive, acho que o que mais eles me ensinam é a ser adulta. Além disso, eu e meus amiguinhos formamos um grupo de debates malaviloso e fomos à minha antiga escola discutir questões sociais com alunos do primeiro ano do Ensino Médio. Sabe aquela sensação bem utópica de estar ajudando a mudar o mundo? Pois é.
Ahhh! Eu tenho outra blogueira pra conversar na sala agora, minha amiguinha Clarissa <3

O que eu li: Além das 300.000 apostilas que meus professores pediram, eu consegui ler dois livros muito bons! Boa Noite, da Youtuber Pam Gonçalves e Menina Má do William March. Boa Noite fala de uma menina que está entrando na faculdade de Sistema de Informações e que descobre muitas coisas pelo caminho, inclusive a existência do patriarcado! Dei 3 de 5 estrelas porque apesar de o assunto ser importantíssimo, não curti muito a personagem principal e achei a escrita da Pam muito junior high, mas provavelmente porque o livro não foi escrito pra mim. Menina Má é só amor! Conta a difícil trajetória psicológica da dona de casa Christine Penmark ao perceber a natureza peculiar de sua filha e desconfiar que criou uma criança criminosa. Dei 4,5 de 5 estrelas! Agora estou lendo Razão e Sentimento da menina Austen e claro, não poderia ser de outra forma, amando.
 
O que eu ouvi: Todas as músicas da playlist de primeiro dia de aula umas quinhentas vezes! hahaha Ouvi Damien Rice e as músicas de Heathers - The Musical como sempre! Conheci a famigerada dupla Anavitória e não me decepcionei(minha música preferida até agora é Nós) e voltei à minha infância ouvindo Tiziano Ferro hahaha Eu e minha irmã achamos uma playlist antiga e rimos a madrugada inteira de nosso antigo gosto musical, mas acabei me viciando novamente no italiano! Por causa do Lolla (meu sonho ir!!) voltei a ouvir o álbum Cry Baby loucamente, principalmente Mad Hatter!

O que eu assisti: Fui obrigada a ver um documentário meio paia pra a faculdade e mais alguns vídeos que não irei citar. Por plena vontade eu revi Gilmore Girls! Tô na segunda temporada pela segunda vez, mas amando como se fosse a primeira! Assisti finalmente o final de The Vampire Diaries depois de oito anos acompanhando a série! Foi muito emocionante, apesar de a série ser bem lixosa cinematograficamente. Comecei a segunda temporada de LOVE, mas duvido fortemente que eu vá continuar, porque eu tô bem ocupada e eu prefiro não "desperdiçar" essa série agora. De filmes, eu vi Nick & Norah e gostei muito, vi When I met you e fiquei meio perturbada. Devo ter visto mais coisa, mas não lembro. Inclusive, esse foi um mês bastante improdutivo nessa parte, hein!

3 de abril de 2017

Menina Má


Então esse é o segundo livro lançado pela Darkside Books que estou lendo. Uma amiga da faculdade me emprestou. É um daqueles livros que eu morro de medo de amassar uma folhinha sem querer e não porque a dona da cópia é horrivelmente incompreensiva ou porque o livro é mais caro do que eu normalmente poderia comprar.
Eu simplesmente sinto que este livro representa o início de um ciclo.
Um livro que estou lendo nas minhas primeiras semanas de faculdade e que uma amiga que fiz recentemente me emprestou. Parece que se eu cuidar mal desse livro ou não gostar dele, vai significar mais do que normalmente significaria. E isso é bem doido. 
Toda vez que tomo-o nas mãos pra ler, penso nisso. Está sendo um livro fantástico até agora. E exatamente como esse ano, está me surpreendendo cada vez mais. Eu realmente pensei que seria de um jeito e está sendo de outro totalmente diferente. O livro e o ano. E eu não quero terminar. Eu quero que ele dure. Eu quero que esse momento dure. Que essa amizade dure. 
E que finalmente esse seja o melhor tempo da minha vida. 

***
A diagramação de Menina Má é evidentemente o porquê de eu amar essa editora. O livro é todo incrível e mesmo que eu não saiba o final ainda, tenho quase certeza que não mudo de opinião. Recomendo fortemente!!

29 de março de 2017

Uma carta à um livro // 12 cartas em 12 meses


Olá!Hoje vou continuar o projeto 12 cartas em 12 meses, quase passando do prazo da carta de março, mas tudo bem hahaha Esse mês foi infinito pra mim e quase que escrevi agradecendo por finalmente março estar acabando! A UFPE tá consumindo os meus tempos livres (eu nem sei mais o que é tempo livre, fim de semana ou feriado) e assim fica cada vez mais difícil de postar. Mas vou dar o meu sangue pra continuar com isso aqui. Aquelas bem dramáticas, né? lol

  • Março: Uma carta de agradecimento.

Saudações O Fantasma da Ópera,
Tenho que ser honesta, escrever uma carta de agradecimento para um objeto é um exercício esquisito. Mas é à você mesmo, objeto, que tenho que agradecer. Vou até personificá-lo um pouco pra fazer sentido. 
Pensei em direcionar o meu mais humilde obrigado ao dono desta obra magnífica, Gaston Leroux, mas percebo que o meu amor por esse autor é novidade. Eu sempre amei sua criação, mas nunca amei o criador. Depois pensei em agradecer à narrativa em si, porque sem ela não haveria livro. Mas sem essa plataforma incrível, eu nunca poderia ler as escrituras desse jornalista francês, ela provavelmente estaria nas mãos de copistas, leitores burgueses ou até mesmo teria se perdido ao longo desses cento e nove anos.
Então que tal agradecer ao inventor da prensa, Gutemberg? É uma ideia, mas queria ser mais específica. Queria falar de você em especial, que mudou a minha vida.
Eu passei a conhecer o conteúdo de suas páginas com oito anos de idade. Quem diria que uma narrativa gótica sobre um "fantasma" que vive nos subterrâneos da Ópera de Paris escrita na euforia dos primeiros anos de 1900, teria tamanho impacto na vida de uma criança periférica brasileira em 2007? É por isso que amo tanto a Literatura.
Me lembro muito bem do dia que assisti pela primeira vez ao fantasma na minha televisão. Foi uma das raras vezes em que a minha família se reuniu pra assistir à um filme e a primeira e única vez que um filme mexeu tanto comigo a ponto de me fazer chorar. Não vou discutir sua importância histórica nem sua analogia à fobia social. Muito menos vou falar que esse é o romance mais emocionante depois de Shakespeare ou que é a narrativa mais genial, porque não é verdade por mais que eu odeie admitir, mas vou dizer que foi essencial para construir quem eu sou hoje. Assim que o filme terminou (na verdade uma minissérie  de 1990 estrelada por Charles Dance e Teri Polo), eu e minha irmã pegamos um caderno e começamos a escrever. E então nunca mais paramos.
Escrevo esta carta enquanto olho pra você, livro, bem posicionado ao lado do meu DVD da minissérie de 1990 e do filme de 1962. Foi uma luta pra conseguir uma cópia sua, parecia até que estávamos ainda no tempo dos livros reproduzidos à mão! Comecei a te procurar com oito anos e só pude finalmente vê-lo na minha estante com dezessete! Hoje ao invés de te esconder na biblioteca da escola o tempo todo (porque eu tinha um baita ciúme da nossa relação), eu posso te reler em qualquer lugar e na hora que eu quiser. Você sempre me tira das maiores ressacas literárias ou bloqueios criativos. Então tenho que te agradecer por muita coisa.
Uma promessa que eu fiz à mim mesma foi que te agradeceria por escrito na primeira página do meu primeiro livro, se um dia conseguisse publicar. Outra promessa, essa bem mais fácil de cumprir, é que eu te marcaria pra sempre na minha pele. Pra quando você não estivesse por perto e eu precisasse me inspirar.
Obrigada infinitamente, 
Thainara

25 de março de 2017

gerascofobia.


Hoje participei da reunião de um movimento político novo. Foi bem estranho.
Eu e minha irmã fomos, toda orgulhosas de estarmos participando da História, de sermos jovens "engajadas"(odeio essa palavra, mas Thâmara insiste em usar), de não estarmos omissas à situação atual do país e tudo mais.

Nossos pais não gostam muito da atividade. Acham que não vale de nada e eu não os culpo por pensar assim de jeito nenhum, mas sei que não é verdade.
Nosso primo passou por nós no ponto e perguntou pra onde estávamos indo. Respondemos com o maior sorriso no rosto. Ele riu e falou pra tomar cuidado. Cuidado com o quê? Que nada!
Entramos no ônibus toda falantes e comentando pra todo mundo escutar. Chegamos meio atrasadas e meio correndo por causa de um pequeno incidente no tal ônibus que nem vale a pena comentar.

Na reunião, a maioria das pessoas eram adultas e super conhecedoras de tudo. Daquelas pessoas grandes que fazem você se ver bem pequena no meio delas. Faz a gente se sentir um aprendiz. Tinha professor universitário, jurista, jornalista. E eu. E Thâmara.
E aí lá se foi o nosso riso fácil. Ficamos com medo. Ficamos com vergonha. Não era legal e nem engraçado estar ali. Era triste, era uma perfeita caricatura do que nos espera no futuro.
Todo aquele pessoal com muito mais idade do que a gente, meio sofrida, meio raivosa, falando forte e emocionado quando nós pouco tempo antes nos gabávamos de sermos jovens guerreiras. Gente que não queria estar ali, que estava por questão de sobrevivência e não vaidade. Pessoas que temiam não só pela própria vida, mas pela vida de pessoas que criaram.

Agora não me sinto guerreira coisa nenhuma. Mas fico feliz de ter visto a minha infantilidade no meio daquela gente toda. Porque ô medo de crescer esse que eu tenho!

*Thâmara é minha irmã*

19 de março de 2017

We Are Young // #STAG

Essa é uma história que eu conto quando alguém me pergunta sobre o meu intercâmbio pra o Canadá em 2015. 
Aquele dia começou estranho.  
"Thaineeerrra" Meu host father me chamou um dia antes, "J e M (vamos fazer a sigilosa né non) estão convidando você e mais alguns amigos pra passarem o domingo na casa deles".  Achei meio incomum. Não era muito próxima à dupla "mexicano e alemão", tanto que eles nem me chamaram pessoalmente. Liguei para os meus amigos brasileiros, todos iriam e estavam animadíssimos. Aparentemente, a dupla anfitriã tinha dado sorte na host family e eles eram riquíssimos. Mesmo assim, achei que ficaria meio de fora ou com vergonha, mas não tinha coragem de dizer aos meus hosts que ficaria em casa. Era começo de intercâmbio e eu estava bancando a popular que faz amigos e fala inglês com os brasileiros pra os meus hosts ainda, então acabei indo.
Quando chegamos, eu e minha amiga brasileira T, a gente viu que não era brincadeira. Eles moravam numa fucking casa de veraneio de frente pra a água, e não havia qualquer casa lá além da deles. Era quase que nem o primeiro filme de Amanhecer naquele casa isolada da Ilha de Esme, achei chiquérrimo. Chegamos meio atrasadas, então a maioria dos convidados já estavam em caiaques no meio do imenso IMENSO rio. Comecei a suar no frio canadense. Eu morro de medo de água concentrada (ou seja, mar, rio, lago, poça), só de ver ela na minha frente eu fiquei meio tonta. É uma coisa tensa, mesmo. Não é medinho não, é MEDO. T olhou pra mim.
"Você vai?" (ela é meio paulista).
"Vou nada, tu vai?" Respondi. Eu meio que queria ir, porque parecia muito legal, mas só de olhar pra as meninas que já estava numa ilha bem longe da gente dentro daquela coisa, eu desencorajava. Além disso, meu cérebro resolveu me lembrar de todos os vídeos de acidentes no mar e tsunamis que eu já tinha visto na vida.
"Eu quero ir no Bikeboat, mas você tem que ir junto!" Um Bikeboat, pra quem não sabe, é um barco a pedal e este, em específico, era pra duas pessoas. Era melhor que o caiaque solo, porque aí se algo der errado, você tem de verdade que saber nadar. E claro, não ter medo de água.
"Tu é doida! Vou não, chama J²!" Para registro, vamos ter dois J nessa história, uma brasileira a qual acabo de me referir e o mexicano. Também temos dois M, um brasileiro e outro alemão.

Foi ai que T, J² e os donos da casa fizeram de tudo pra me convencer a entrar no tal Bikeboat. Usaram até aquela de "Depois quando chegar no Brasil, na cidade grande, vai se arrepender de não ter passado pelas aventuras. Todo mundo vai poder falar dos momentos doidos no exterior e você vai contar sobre o café do Tim Hortons." Golpe baixo. Eu tava morando numa ilha, parecia obrigação. Além do mais, eu sabia que quando eu visse os meus host em casa e eles perguntassem se eu entrei num dos barcos e eu negasse, ia ser a ladainha de sempre. (Eles são ótimos, mas às vezes forçavam a barra pra eu participar. Entendo porquê, eu era bem boa em não participar).
Acabei entrando no barco com algumas horas de convencimento.
Me enchi de açúcar e pensamentos positivos enquanto P e G (ou P&G hahaha outras duas amigas brasileiras) estavam voltando da ilhazinha no bikeboat. Assim que elas chegaram pra dar vez a gente, eu fui lentamente descendo a escadinha para o barco. Todos os outros adolescentes estavam no meio do rio em caiaques. 
Aventure-se! Aventure-se! Aventure-se!
Eu e T entramos no barco e J² num caiaque. Começamos a pedalar meio nervosas. Era bem mais difícil do que a gente pensava. O troço girava sozinho e ficava ameaçando virar toda hora. Dei adeus a minha vida quando percebi que estávamos muito longe do ponto de partida e ainda mais longe de algum lugar terrestre. M, o alemão, que estava em um caiaque um pouco longe veio nos ajudar vendo meu desespero. Tive raiva do talento do menino na água. Foi um péssimo momento pra virar a ariana orgulhosa, tenho que admitir. Saí pedalando feito doida  e chegamos quase à ilha. 
Nosso amigo brasileiro M², (também conhecido como louco no crack) que estava em um caiaque, tentou subir no nosso bikeboat e quase caiu e nos derrubou junto. Morremos de rir e de medo.
Eu nunca tinha estado tão longe da margem daquele jeito. Eu me sentia definitivamente outra pessoa. A adrenalina foi à nível Bella Swan em Lua Nova (tô cheia de referências de Crepúsculo hoje hein), a gente se levantou, pedalou desgovernadas, tocamos na água, brincamos. Foi um momento muito bom pra mim, quebrar essa barreira que sempre me paralisou tanto. Claro que hoje, pensando no momento, eu chego a arrepiar de medo.
"Como eu fui fazer uma coisa daquelas?!" E fico pensando que poderia ter morrido e blá-blá-blá.
Mas eu me orgulho de ter me arriscado. Quando eu vi aquelas pessoinhas em barcos ao nosso lado, cada uma vinda de um lugar do mundo, eu me senti invencível.
Depois, eu e T meio que nos perdemos, aí um Iate veio na nossa direção e entramos em pânico, de modo que a gente voltou a ter medo e não sabíamos mais voltar para a margem, mas no fim deu tudo certo. Na hora que cheguei na escadinha de madeira, eu saí do barco tão rápido que cortei o meu pé, mas valeu à pena. Foi como se a minha viagem tivesse finalmente começado.

O dia todo foi incrível. Brincamos muito a tarde toda e é realmente engraçado explicar Barra Bandeira pra um monte de gringo. À noite, assamos marshmallow e conversamos e rimos tanto que todo mundo virou best. O J, mexicano, morava numa casa onde ele via várias novelas sendo gravadas! Aquelas que a gente morre de rir e que passam no SBT! Ele viu a Thalia e ainda uma galera de Rebelde, fiquei chocada. 
Enfim, foi um dia bom. Um dia que eu vou me lembrar pra sempre. Antes do fim da viagem, sentamos na grama e ficamos olhando o horizonte. Alguns brasileiros, dois alemães, um mexicano, um espanhol, alguns canadenses, uma suíça... Todos animados e esperando por grandes aventuras naquela viagem e no resto da vida. Estava escuro, então só víamos as pulseiras neon que todos estávamos usando. 
Guardo a pulseira até hoje.

Fui indicada pela Clarissa, do Próxima Primavera(obrigada por me fazer lembrar dessa história e dessa música!) a responder a STAG Aquela História (que vai até o dia 10/04 então participem) e devo indicar mais 5 blogs que quero ver participando! Lembrando que só precisa fazer a tag se tiver a fim ;)

15 de março de 2017

Conheça Tessa Violet!

Gente! Comecei a faculdade. Estava com bastante medo e não me iludi hahaha esse negócio de curso superior é fogo! Não tenho mais tempo pra muita coisa e parei de ler os meus livros pra dar atenção às imensas apostilas de História da Mídia e Filosofia, mas tô confiante ~mentira. Já estamos com medo daquela famigerada reprovação, não é meixxmo?
De qualquer forma, vou tentar não faltar com isso aqui, ainda mais agora que sou parceira do Próxima Primavera (olha menina, subi tua bola hein!).  Vão no blog dela, a Clarissa é bem legal e me dá biscoito ;)
Enfim, hoje voltei com a tag Achados, pra apresentar pra vocês essa menina maravilhosa que escreve e canta tão bem que dá raiva! Espero que vocês gostem de conhecê-la!
**
Tessa Violet é uma cantora americana que começou a fazer sucesso com os seus vídeos no YouTube. A moça faz de tudo. Covers, vlogs, canções originais e até ensina a tocá-las no seu famoso Uquelele! Com um jeito muito simpático e carismático de se aproximar do seu público, a cantora que atualmente está em tour em Londres, tem um futuro brilhante pela frente! Foi inspirada em um vídeo magnífico dela que escrevi o post Ter defeitos não me torna uma pessoa ruim, me torna só uma pessoa.
Conheci essa menina quando vi um vídeo da Thaís Frost em que ela cantava um cover de Make me a robot da Tessa, que é uma das canções preferidas pelo público. Na verdade, eu já conhecia ela, mas não lembrava. Por ser seguidora da Dodie Clark e gostar muito do canal Justkissmyfrog, eu já tinha visto ou ouvido coisas da Tessa, mas foi com Make me a Robot, apesar de não ser minha música preferida dela, que resolvi dar uma chance. Sem arrependimentos.

*Não sei se vocês lembram, mas indiquem essa música no início do ano nesse post.*
Minha versão preferida dela é a acústica, mas a Tessa lançou uma versão bem agitadinha e robótica que também é muito legal e recomendo conferir!


Outra música que eu adoro sim ou claro? hahaha Na verdade, foi essa música que me tornou fã da Tessa e nessa versão acústica também. Not Over You tem um clipe bem legal e fofs que eu curto bastante, mas esssa versão mais intimista e romântica é mais a minha cara e acho que da Tessa também.

Outra coisa que me inspira muito na Tessa, é o estilo dela! Eu gosto muito dos tons pastéis que ela usa e dos casaquinhos bem barbiezinha e às vezes eu fico achando que não combina muito comigo, mas acho besteira. Já me inspirei muito na Tessa pra me vestir e tenho muita vontade de cortar o cabelo. Quando ela e a Dodie cortaram ficou tão legal que quis entrar pra o clube!
E a Tessa além de linda e (top) talentosa, é muito gente boa e sempre tá trazendo as melhores questões e nos melhores jeitos pra o seu canal.
Ah! Ela tem um EP maravilhoso no Spotify chamado Halloway para os interessados ;)
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