29 de agosto de 2016

Eu queria que esse mundo fosse meu. Ele já o tinha.

Eu juro que não vou encher isso de delongas. Essa foi uma das coisas boas que a Tal pessoa deixou na minha vida. Muito boa.
O negócio é que há 58 anos atrás, em uma cidadezinha bem pequena no país mais imperialista desse planeta verde, nasceu alguém que me mudaria para sempre. Esse alguém não tinha,nunca teve e até talvez nunca tenha(depende do que você acredita), noção de quem eu sou ou do que causaria em mim. Eu também não era muito dada a conhecer sua existência, até 54 anos depois da sua vinda ao mundo. Até lá, algumas partes de mim ainda não estavam devidamente preenchidas.
Em pouco tempo desde que eu o conheci, nós tivemos uma relação bastante construtiva. Difícil de acreditar que eu me apegaria tão rápido a alguém tão diferente. Acho que ele chegou bem na hora. O caso é que eu aprendi mais com ele, naquela época bizarra da primeira menstruação e das primeiras espinhas e dos primeiros amores, do que eu teria aprendido com qualquer um. Porque ele estava sempre lá. Mas era quase que irreal.
Sabe aquelas pessoas que parecem ser sua alma gêmea, mesmo que você ache idiotice? Aquelas pessoas que você sabe que vão entender as suas lamúrias de quem não sofreu nada na vida, mas parece que carrega o Empire State nas costas todos os dias. Eu sabia que ele ia entender que os meus hormônios da puberdade estavam afetando meu cérebro, mas ele seria o único a não me dizer aquela frase medonha "É só uma fase." Tudo porque ele tinha plena consciência de que também já fora como eu. Então eu tinha certeza de que poderia confessar tudo pra ele, porque ele já me dera o que eu precisava ouvir e ver. Às vezes eu ficava sozinha no banheiro, enquanto tomava banho e escutava as coisas que ele me dizia, e então eu contava todos os meus segredos. Eu morria de rir na maioria das vezes, ficava com vergonha da minha insensatez. Quem estava lá para me ouvir falar? 
Ele estava. E respondia muito bem.
Quando eu tinha medo de qualquer coisa, ou quando eu me sentia triste ou talvez tentada a fazer algo arriscado, lá estava ele com suas sábias palavras. Funcionavam muito bem pra mim, se quer saber.
O fato é que isso durou muito tempo. Tempo demais, eu diria. Nem sei dizer se todo o tempo foi saudável, mas posso falar com toda certeza que eu precisava desse tempo. Hoje eu sou mais eu por causa disso. Descobri que sei dançar, acredita? Ele me inspirava tanto que eu queria ser exatamente como ele. Eu era uma criança, por favor. O que você esperava? Mas essa é uma prova do quanto ele me fez bem. E então eu comecei com isso, dançar quero dizer, que me define muito até hoje.
Agora, nos dias que correm, eu não estou tão próxima à ele. Isso não é ruim, é só novo. Minha vida mudou tanto! Conheci novas pessoas e aprendi coisas que ele jamais poderia me ensinar. Ele acabou ficando pequeno diante da enormidade das coisas, mas eu nunca o guardei no armário. Ele está lá na estante.
Mas apesar de não nos falarmos mais como antes, ele vai ser sempre algo sobre mim. E eu vou ser grata, sendo isso estranho ou não.

P.S: Nas partes verdes, têm links, obrigada.
Ah, isso era pra ter sido postado em 29 de agosto, mas eu fiquei sem internet, de modo que acabei chegando algumas semanas atrasada. Mas mesmo assim, eu precisava disso, sabe, falar sobre ele.

22 de agosto de 2016

Assistidos recentemente 001

E ai?
Como vocês estão, pessoas? Eu estou bem, atualmente. Quer dizer, estive doente por algum tempo essa semana, então decidi escutar Spanish guitar e Last night para ver se a glicose me dava um pouco de energia. E dai eu tive um teste de física que me deixou em frangalhos e eu entrei num concurso de redação que me faz ficar nervosa as hell todo fucking dia. Desse modo, para aplacar meus ânimos, estou lendo Jane Eyre da mais talentosa das Brontë (em minha opinião) e vendo o máximo de filmes, documentários e séries que eu conseguir.
Hoje eu decidi que precisava falar desses três filmes que assisti recentemente. Quer dizer, nem todos são filmes especificamente, mas tá valendo. E todos eles são muito bons mesmo, então nem preciso dizer que recomendo muito. O primeiro é documentário, talvez não muita gente se interesse. O segundo é estrangeiro e sobre política e história, não muito dentro do gosto geral. E o último tem o Jude Law, então...

** Twinsters **






















Esse foi um dos documentários mais legais que eu achei no Netflix. Primeiramente porque é sobre gêmeas e esse é um assunto que me interessa especialmente (também sou gêmea). 
Nesse documentário, Samantha Futerman e Anaïs Bordier documenta a história real de quando elas, filhas adotivas de diferentes casais e em diferentes países, descobrem pela internet que na verdade são irmãs gêmeas. De modo que, em frente a tamanha descoberta, elas são forçadas a descobrir o que acontece depois.
Eu pessoalmente adorei a forma como tudo foi gravado e o jeito espontâneo em que a gente é levado pra dentro da coisa toda. Além disso, há muitas informações sobre a complicada relação entre irmãs desse gênero e se você, como eu, se interessa pelo assunto, essa é com certeza uma ótima opção.

** Ele está de volta **





















Em "Ele está de volta", somos apresentados à uma produção de comédia fantástica, que faz um ótimo papel em ironizar a situação política, econômica e cultural atual. Na Berlim de 2014, Hitler reaparece como se tivesse sido transportado do meio da Segunda Grande Guerra à Alemanha contemporânea, sendo assim, ele tenta dar continuação à uma guerra que já passou, mas na verdade, nunca realmente acabou. De modo que as antigas e enraizadas culturas de ódio e separatismo voltam à tona e, de maneira bastante irônica, por meio da diversão do povo alemão.
Mas será que realmente é preciso de um novo Hitler ou da volta do original para retrocedermos? É evidente que essa figura não deixou apenas história, como um grande grupo de seguidores. Mas ficarei ofendida se achar que me refiro apenas aos assumidos neo-nazistas, peço que abranja mais o olhar a esse respeito. Intolerantes religiosos, LGBTfóbicos, sexistas, misóginos, xenofóbicos, elitistas, academicistas e preconceituosos em geral, só fazem passar à frente o que já começou há muito tempo.  Além da persistência do povo em ser indiferente, o que torna a ação desses grupos facílima. 
Ser padronizado socialmente tornou-se hoje um negócio. Tudo porque o conflito armado entre os países parece cessar, mas a guerra continua.
Sim, eu tinha que falar muito nesse aqui, sorry not sorry ~ mas tem no Netflix!

** Um Beijo roubado **

























Esse filme eu poderia descrever como doce-amargo. Claramente há certa leveza e sensibilidade, mas também há muitas relações conflituosas. Só não posso dizer com certeza, se a mistura desses elementos é perfeitamente harmoniosa. Mas me deixou meio confusa. Vejamos:
Há esse belíssimo dono de um café (belíssimo mesmo, porque estamos falando do Jude Law) e essa belíssima moça de coração partido (descrição boa para a Norah Jones). Eles se conhecem nesse momento triste da vida da menina, e eles passam a se encontrar quase todas as noites para comerem juntos as tortas que sempre acabam quase intactas no final do dia.
Então a jovem decide buscar novos horizontes, e é aí que não sabemos se vamos ver aquele romancezinho típico, que é o que o início do filme aparenta ser, ou se estamos diante de um drama bastante complicado. De todo modo, se não expliquei direito, tem ainda a Natalie Portman e a Rachel Weisz, talvez isso te convença a assistir. Não tem no Netflix ~ choremos ~ mas tem no YouTube.

19 de agosto de 2016

Crise existencial sobre o blog + A playlist mais brega desse planeta verde, azul e marrom que eu gostaria que fosse meu


E ai?
Esses dias eu meio que parei de ser tão eficiente com o blog, por uma razão bastante absurda. Eu não achava que o que eu queria falar era cool o suficiente. Não do tipo "Ah, isso é muito desnecessário!" , mas do tipo "Ah, isso não é nada alternativo/cult/alguém que gosta de coisas estranhas tipo Pierre Bourdieu". E não que algo que um ser humano tenha a falar seja mesmo desnecessário, porque eu sou muito contra esse pensamento pessimista em relação a natureza humana, de qualquer forma. O caso é que eu estava querendo me despadronizar, me padronizando. E é muito esquisito pensar que eu não falaria sobre tal assunto ou teria de falar sobre tal assunto, porque eu quero ou não que as pessoas me vejam de um jeito X. Como, vou falar de moda, porque ai eu sou muito legal e todos vão me admirar. Mas eu não sou a pessoa mais indicada pra discutir o assunto. 
Eu meio que sou responsável apenas por quem eu sou e não pelo que você pensa que eu sou. Da mesma forma são as pessoas que eu acho muito cool kid ou alternativo, tipo aquelas meninas que escrevem "90's kid" na bio do Twitter, ou sei lá.
Além disso, a gente muda tanto. Ás vezes, essas pessoas super alternativas, passam a não ser mais tão alternativas com um tempo.
Quer dizer, seja lá o que significa ser alternativo! Mas voltando...
Eu, hoje, não tenho muitas afeições por alguns temas, mas isso não é definitivo. Eu posso mesmo gostar do Pierre Bourdieu agora e eu seria uma pessoa super cult por postar coisas sobre ele e tudo mais, e dai eu simplesmente me metamorfoseio e não sou mais tão entusiasta de sociologia assim. Ai eu não seria mais cult. Por exemplo, até o meio desse ano, eu nunca postaria nada de muito profundo sobre o Jules Verne, porque até então, eu não sabia nada e nem tinha interesse nele. Hoje, eu quero fazer mil e um posts sobre ele, porque ele se tornou de uma hora pra outra e muito ao acaso, um dos meus escritores favoritos. O que isso me torna então? Digo, isso deveria me tornar alguma coisa a não ser uma pessoa que gosta do Jules Verne? Mesma coisa sobre poesia ou sobre polaroides. 
Layout é uma coisa que anda me assombrando também, além dos posts. Tipo esse layout meio lilászinho e todo fofo e essa foto de três anos atrás, quando eu sou bem diferente no meu estilo agora, apesar de ainda gostar disso. E eu não sei fazer layout de jeito nenhum, e morro de medo de mexer nisso e arruinar tudo, daí eu pensava em só voltar com o blog, depois de arranjar um novo bom layout, mas isso não ia acontecer tão cedo e era só mais uma desculpa pra procrastinar. Agora que eu comecei a postar, fico me perguntando se faz sentido escrever sobre a minha fascinação sobre a Frida Kahlo ou sobre agnosticismo e coisas do tipo, com esse layout super fofo. Eu na verdade, não preciso de credibilidade pra escrever, porque se tu quer ler o que eu escrevo, tu só lê. Não precisa do meu layout ser estrelado, pra eu falar de astronomia, certo? E eu também não preciso ter um layout da moda pra o meu blog ser ok. Aviso-lhe agora, o que eu escrevo é o que eu quero mostrar pra você, meu layout é só algo que eu acho bonitinho.
Isso é tão clichê. Se bem que eu odeio essa palavra, mas não sei nenhuma que possa substituí-la... Vejamos no Google. Eu achei estribilho, mas eu não sei se isso realmente se aplica. Acho que não. De todo modo, palavra boa.
Pensando nessas coisas assim, eu achei que seria bom compartilhar com vocês minha playlist de músicas breguíssimas, mas que eu amo e me inspiram muito quando eu mais preciso. Pois é, eu poderia me inspirar com os discursos do Malcom X ou com o Andy Warhol ou coisas mais normalmente inspiradoras, mas músicas antigas com letras ridículas e clipes péssimos sobre amor, fazem esse trabalho muito melhor. Mesmo eu sendo uma pessoa que as pessoas consideram não ser nada romântica...
Clique aqui e se inspire também. Ou não.

12 de agosto de 2016

Sobre ser "divorciada da chapinha"


       "Em terra de chapinha, cacheada é rainha!"

Essa é uma frase bastante polêmica que está rolando por aí há algum tempo. As "cacheadas" finalmente estão valorizando o que têm, tendo orgulho de algo lindo sobre elas ou estão apenas tentando aparecer e ser melhores que as "lisas"?
Bem, que tal conversarmos um pouco sobre orgulho?
Orgulho de ser negro, orgulho de ser LGBT, orgulho de ser mulher, orgulho de ser cacheada... Todos são orgulhos de algo que sempre foi desvalorizado ou até massacrado ao longo da história.
Vejamos: Há 400 anos atrás, a escravidão de negros era totalmente comum no Brasil e até hoje, vemos claramente as marcas que isso deixou. Não há representatividade negra em lugar nenhum. O racismo persiste, e é por isso que ter orgulho de ser negro é tão importante. Somos um dos países que mais mata LGBT's no mundo, e é por isso que ter orgulho de pertencer à esta comunidade é tão importante. No Brasil, uma em cada cinco mulheres já foi espancada pelo marido, e é por isso que ter orgulho de ser mulher é indispensável.
Ter "Cabelo ruim!" ou "Cabelo duro" também é motivo de orgulho.
Se não acredita, então dê uma checada ao seu redor. Quantas cacheadas ou crespas assumidas você conhece? E quantas cacheadas ou crespas que usam química no cabelo você conhece? Acho que o segundo número é maior, não? E que tal as mídias? Os filmes Hollywoodianos? Os clipes das cantoras hits? Quantos deles tem representatividade cacheada ou crespa? Quantas protagonistas têm os cabelos volumosos e desordenados? Como a Mia Thermopolis em O Diário da Princesa, por exemplo. Na "transformação" dela, a menina passa a usar química para deixar o cabelo exatamente como as patricinhas da escola dela. Qual o problema em ter cabelo em formato triangular? Se esse era o problema, por que não um corte em camadas? O problema era o volume? Então se faz um fitagem com mais definição e tudo resolvido, não? Por que ela tinha que ficar lisa?
Ah, mas esse é um filme da década passada, nada a ver com hoje em dia! Mas é exatamente aí que eu quero chegar! Foi só agora que esse movimento lindo estourou! Um monte de cacheada e crespa querendo se "despadronizar"! Agora tem até vídeo no YouTube sobre como finalizar o cabelo após o banho! Isso era inviável há alguns anos atrás. Não havia nem produtos de cabelo específicos pra esses tipos. Há agora um tanto considerável de gente que tá se assumindo e descobrindo quem é por causa do próprio cabelo. O quão empoderador é isso?
Nesse caso, qual é o problema dessas mulheres se acharem lindas e perceberem o quão maravilhosos os seus cabelos são? Elas já foram oprimidas e já se reprimiram demais e por muito tempo. Está na hora de enxergar o motivo disso tudo.
Se você tem cabelos lisos e acha que esse movimento é totalmente sobre se sentir melhor do que os outros, então eu lhe dedico isso: É fácil se sentir assustado quando se perde os privilégios, não? Tantas lisas nas mídias, todo mundo falando sobre o seu cabelo, tanta gente te elogiando por ter "Cabelo bom" e agora essas meninas vêm se achando as poderosas, né? Deve ser bem tenso mesmo.
Se você é uma cacheada ou crespa que usa química e não é "divorciada da chapinha", então essa é pra você: Isso tudo é sobre ser quem você quiser ser. Então se você gosta de ser lisa, cacheada,crespa ou não ter cabelo, isso é sobre você e só você.

Enfim, galeris, isso foi só um desabafo meio doido que eu tinha que fazer depois que eu vi uma montagem ridícula no Facebook (aquele mar eterno de coisas ridículas) que dizia "Ter cabelo cacheado não te faz melhor que ninguém!"... Tão as meninas magras que se ofenderam com All about that bass...Gente, this is all about pride, ninguém tá te dizendo que o seu cabelo liso não é lindo, porque o mundo já nos falou isso demais, né non?
Ah! Demorei pra postar porque estava muito ocupada com a gincana da escola, e quem tá no terceiro ano do ensino médio sabe o quão estressante é a última gincana da turma. Mas agora que acabou, vou ter mais tempo pra isso aqui, eu espero.
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