16 de setembro de 2015

I wanna see you be brave. #DiárioDeIntercâmbio

Eu achava que não tinha nada demais em fazer isso."Ah!Só um semestre fora de casa?Moleza!Quem não consegue?"Sempre que as pessoas me perguntavam se eu realmente tinha coragem,eu pensava "Claro!Não tem nada de muito difícil na coisa toda!" E eu sinceramente,não sei porque eu pensava assim.Ninguém nunca me disse que seria fácil.Mas ninguém me disse que seria tão difícil assim.
Mudar de país pode ser um sonho,mas também pode ser um pesadelo.Especialmente se a sua única companhia,é a sua mala.Se tem uma coisa que a minha irmã já disse certo na vida(o que acreditem,é uma raridade),é que é a fase mais bipolar da sua história como ser humano.Você quer que o tempo acelere,mas se queixa de que ele está passando rápido demais.Você fica ansioso pra voltar pra casa e contar a todo mundo as aventuras que passou,mas só de pensar em deixar esse novo capítulo da sua vida,você quer adiar mais e mais o momento.Como quando naquela vez em que Bentinho penteava os cabelos de Capitu.Tudo era novo e assustador,tudo era incrível e maravilhoso,e mais do que qualquer coisa,ele não queria parar de sentir aquilo,queria que os cabelos dela fossem intermináveis.Eu nunca tinha sentido isso,até agora.
Eu tinha certeza que era uma das pessoas mais covardes que se podia conhecer,e normalmente,era como se todo mundo tivesse a função de me subestimar.Incluindo eu.Mas sentada agora na minha nova cama,do outro lado do continente,com o computador no meu colo,as 11 da manhã,com a barriga roncando horrores e morta de vergonha de descer as escadas e abrir a geladeira,eu me sinto,e talvez seja,a pessoa mais corajosa do mundo.
Acho que ser intercambista,além de todas aquelas coisas bonitas que os meus coordenadores me disseram,é se sentir a Joana D'Arc sempre que você precisa ir ao banheiro pra fazer o número 2.E eu não tô brincando,as casas aqui são de madeira.
Olhando pela a janela do meu quarto agora,eu me sinto tão longe e tão perto.É terrivelmente assustador pensar que a minha vida mudou completamente,e eu também,e não dá pra voltar atrás.Quero dizer,eu só tenho 16 anos!E não é como se eu pudesse pegar um ônibus e voltar pra aquela antiga casa que eu quase nem me lembro mais.Desde que eu entrei naquela sala de embarque,sou só eu e mais ninguém na coisa toda.Eu me sinto sozinha,mas com todo mundo ao mesmo tempo.E é realmente engraçado,quer dizer,eu finalmente posso falar com os meus(novos)amigos(brasileiros) e ninguém entender nada,coisa que na minha infância,eu sempre tentei fazer com aqueles códigos e tudo mais,que eram tão estúpidos que nem mesmo a gente(digo,eu e meus antigos amigos) se entendia.E trágico também,quando eu esqueço que estou em outro país e respondo "Está aberta" quando os meus host parents batem na minha porta.Difícil acreditar que eu conseguiria me esquecer,mas ás vezes,agora na maioria das vezes,eu me sinto em casa.Exceto pela parte em que eu tenho que manter um estoque de doces dentro da gaveta da cômoda porque a comida deste lugar é simplesmente uma das coisas mais esquisitas de se estar aqui ~eu sinceramente não quero falar da desilusão que são os waffles.
São tantas coisas querendo sair de dentro da minha cabeça mas os meus dedos não são capazes de acompanhar,que eu acho que vou parar por aqui.Se eu estou bem?Nunca estive tão bem e tão mal na minha vida.
Mas como o meu host father sempre diz:Don't worry,That's okay.
                       

2 de setembro de 2015

Eu sou quem eu quiser ser!


E ai?
Há algum tempo atrás,eu tinha uma mania ridícula de me importar constantemente com o que as pessoas pensavam de mim.E eram tipo besteiras enormes!Como por exemplo,a música que eu ouvia.Eu achava que as pessoas iam me zoar se soubessem que eu era louca pela Britney Spears e até tinha poster na parede do quarto.Eu escondia um monte de coisas,como uma foragida mesmo.Minha opinião foi outra que censurei duramente,apenas por pensar que me julgariam se soubessem que nunca fui uma garota que acreditava em qualquer coisa,que eu questionava a igreja,as regras,a escola,a vida...E desse jeito,me tornei uma ditadora.E o pior:A oprimida era eu mesma!
Não sei como fui percebendo o quanto eu estava me fazendo mal com isso.Mas não foi muito fácil,até porque quando você está meio que passando por essa transição entre renúncia e autoaceitação,parece que o mundo inteiro resolve atrapalhar.Alguém zoa outra pessoa que tem os mesmos gostos que você na sua frente,aquela garota insuportável da escola decide falar mal do seu cabelo,o carinha que você tá afim reclama daquele "grupo brega pra menininha" que você adora(secretamente,é claro),e isso vai lentamente te desmotivando,até que você volta pra a sua ditadura particular novamente.
Comigo não foi diferente,todo dia eu via 100 motivos pra eu continuar me reprimindo e 1 pra eu ser quem eu quisesse.Até que parei um pouquinho de questionar os outros governos e passei a me concentrar no meu próprio governo sobre mim.Sim,percebi que eu era uma dura opressora.E adivinha quem era a única pessoa que estava sofrendo com isso?
Foi ai que eu passei da garota quieta e meiguinha,para a de gênio forte e difícil de lidar.Mas com difícil de lidar,me refiro não a todos em geral,mas aqueles que me incentivam a me tornar uma fugitiva de meus próprios ideais.Simplesmente deixei de me importar se o tal carinha reclamava do grupo que eu gostava,ou se alguém se incomodava de o meu cabelo ser alto e enrolado.Decidi ser eu mesma.Me libertar.
Encontrar a chave do meu cadeado foi um pouquinho complicado,mas hoje ele está bem aberto e sem previsão de fechar.Sou mulher e falo palavrão,sou nerd e falo de sexo,gosto de política e sou feminista,acredito em fantasmas e vida fora da terra e sou fã das antigas boybands e girlgroups mais bregas deste universo,odeio arrumar o quarto e sou péssima em matemática.E querem saber de mais uma?Não estou nem ai.
Ah!Lá vai um trechinho de uma música da Thalia(isso mesmo,a Maria do Bairro ç.ç),que era outra artista que eu adorava mas que morria de medo de alguém ficar sabendo.Aliás,escutem!Não é tão ruim quanto se pensa."A quem importa oque eu faço?/A quem importa oque eu digo?/Eu sou assim e assim seguirei/Nunca mudarei!"(quer dizer,talvez eu mude.Mas porque eu quis,não porque alguém me forçou a faze-lo).
E antes de me despedir,quero dar um conselhinho bem clichêzão pra vocês queridos: Escutem Thalia Vocês podem ser quem quiserem,e a vida é curtíssima pra a gente ficar se policiando, então não se reprima,não se reprima! portanto,não percam essa oportunidade!
Até o próximo post! ;)

Mas Thainara,e o seu intercâmbio?Deu certo e tudo mais?Gente,esperem um pouquinho e eu vou contar absolutamente tudo a vocês,mas como eu não tenho muito tempo agora(esse negócio de intercâmbio parece que é mais difícil do que fazer o mundo parar de ser machista),eu deixei esse post acima que eu escrevi faz tipo,um milhão de anos.Se tiver besteira,me perdoem.
By a Lady.... Tecnologia do Blogger.
Se Esse Mundo Fosse Meu... © , All Rights Reserved. BLOG DESIGN BY Sadaf F K.