21 de junho de 2017

Sobre como, honestamente, nomeei esse blog

Eu sempre odiei o som do verbo "conformar". Eu não queria participar dessa melodia esquisita. E por muito tempo na minha vida, ser "conformista" era um xingamento.
Só que essa semana, mediante todos os acontecimentos que me pegaram de surpresa, eu decidi, inconformadamente, me conformar.
Em toda a minha existência, a coisa que eu mais amei foi controle. Eu sempre quis controlar tudo ao meu redor. Por isso, quando eu era criança, decidi que seria desenhista. Minha mãe me perguntou porque, falei que queria ser dona do mundo, queria desenhá-lo, ter pleno controle dele.
Uns anos mais tarde, descobri a escrita. Foi quando me senti quase completa. Eu escrevia toda hora e ilustrava meus escritos, criava meus universos duplamente. E sempre de lápis! Eu voltava muitas vezes na mesma obra e apagava, desenhava de novo, adicionava, adaptava, coloria. Eu era Deus.
Mas então eu cresci e me vi perdida em um mundo que não havia sido criado por mim. Um mundo anterior e independente à minha existência. Um mundo que eu não controlava mais.
Escrever parou de ser um ato de dominação e virou um ato de coragem. Parei de criar e comecei a despejar os lamentos do que já havia sido criado. Desenhar não fazia mais o menor sentido. E, ah, como eu queria que esse mundo fosse meu! Queria ter escolhas e não possibilidades. Queria liberdade e não apenas contexto.
Mas no fim, é isso mesmo. Eu preciso finalmente entender que não tenho controle de nada. Que a vida gira ao meu redor e o máximo que eu posso fazer é pensar positivo. 
E tudo bem, Thainara, tudo bem. Eu me cansava das minhas narrativas loucas uma hora ou outra. Porque eu tinha tudo planejado na cabeça, não havia surpresas, nem muita coisa que me desafiasse. E às vezes, em alguns momentos, você precisa ralar pra caramba, pra que quando as coisas esperadas cheguem, possa só sentar no sofá e dizer "Que ótimo. Eu consegui". Quando as coisas vêm sempre fácil demais ou de maneira planejada demais, a gente nunca para pra agradecer o que ganhou, só nos preparamos para a próxima vitória.

17 de junho de 2017

18 coisas que eu - finalmente! - aprendi com 18

Então eu tenho 18 anos. Faz, sei lá, dois meses ou mais que eu tenho 18 anos. E eu já escrevi um post sobre isso, finalizando o projeto 18 antes dos 18. Na verdade, o que eu estava mais interessada em fazer, era escrever sobre coisas que eu aprendi até aqui, com essa existência na terra. Agora, passados alguns meses que fiz aniversário, eu me sinto mais "preparada" pra falar sobre essas coisas que eu aprendi com esses anos. Eu com certeza vou reler isso aqui sempre. E querer mudar tudo depois.

1. Eu não preciso me encaixar. É doloroso e desnecessário tentar ser "normal" ou como a maioria das pessoas. Definições com as quais eu me identifico, nunca serão capazes de totalmente definir quem eu sou o tempo todo. Elas são só um jeito que acharam pra nomear uma ideia geral. Eu sou peculiar como os outros sete bilhões de seres humanos são, então às vezes eu não vou conseguir explicar as minhas peculiaridades e nem entender as peculiaridades dos outros. Eu sempre acreditei que tudo é contexto, afinal.

2. Não posso dizer quem é "bom" ou "ruim". Como eu reclamei pontualmente no Twitter, só porque você teve uma experiência ruim com uma pessoa, não significa que ela seja ruim ou que você deva "avisar" outras pessoas sobre ela! Meus valores, preferências ou afinidade são meus! Ninguém está aqui pra se encaixar nos meus padrões morais e ideológicos (nem estéticos)! É difícil de entender, mas enquanto eu me sinto na posição de julgar quem é bom e ruim, outras pessoas também estão me rotulando desse jeito, e com certeza eu não vou apreciar. Eu entendo que a alteridade é e sempre foi um problema, mas superestimar a si próprio ao ponto de achar que pode dizer quem vale e quem não, é ridículo. 

3. Ser "diferente" não é tudo que eu tenho. Por toda a minha infância e juventude, eu achava que as minhas singularidades em comparação com as normalidades das pessoas era o que me fazia "valer a pena". Então sempre que eu achava alguém que tinha um cabelo como o meu, ou que gostava das mesmas coisas, eu ao invés de amá-la, me sentia ameaçada por ela, pensava que ela era melhor do que eu, mais autêntica do que eu. Eu sou normal, sou como as outras pessoas, eu pareço com um bocado de gente e tá tudo bem. Na verdade, está ótimo.

4. Não preciso achar que nasci pra fazer tal coisa. Até porque não acredito nisso. Ando nem acreditando em talento, na verdade. Acho que as pessoas gostam de coisas e praticam e fazem coisas que parecem boas. Mas isso é relativo, como tudo na vida.

5. Não preciso ser amiga ou gostar de todo mundo. Não posso dizer se as pessoas são boas ou ruins, mas posso dizer se gosto ou não delas, ou se quero que elas estejam na minha vida. Às vezes não tenho nenhum motivo pra não gostar de alguém e eu me sinto mal por isso. Só que na verdade, isso é uma característica humana, eu posso simplesmente não me sentir atraída por esse alguém. Ou em certos casos, algumas pessoas não mal-intencionadas me são tóxicas e eu preciso entender que a minha qualidade de vida vem primeiro.

6. Não preciso beber, ou ser sexual pra ser legal. Eu não vou ficar com pessoas nas festas, nem ficar bêbada e isso não quer dizer que vou aproveitar menos ou que não sou divertida. Eu realmente não dou a mínima pra isso. Beber demais e ficar com pessoas casualmente não é quem eu sou. Às vezes eu me sinto estranha quando estou na companhia da maioria dos meus amigos, porque parece que eu estou sendo moralista, ou sei lá. Mas a verdade é que tentar me fazer ser como eles é que realmente parece moralista.

7. Odiar pessoas religiosas não é ok. Odiar pessoas não é ok. A religião me traumatizou muito. Eu não gosto de como essa instituição me afeta e à bilhões de pessoas, e eu tenho o direito ser totalmente crítica com isso. Mas não com as pessoas que seguem religião. Elas precisam da religião, seja por que motivo for. Eu mesma preciso de certezas, crenças ou algo pra me segurar. Pessoas religiosas não são menos inteligentes ou menos legais. São só diferentes de mim.

8. Me sentir inteligente, bonita ou qualquer outro bom adjetivo não é ser arrogante. E aqui vem algo muito revelador sobre mim. Eu tenho vergonha de dizer "obrigada" e de receber elogios, mas estou sempre elogiando as pessoas. Acho que na maior parte do tempo, não me considero alguém com baixa autoestima, mas sempre que as pessoas me elogiam, eu questiono a veracidade do comentário. Será que eu sou mesmo inteligente? Meu cabelo não é nem tão legal quanto o da (insira o nome)! Eu nunca questiono os meus próprios elogios, afinal.

9. Nem sempre me sentirei inteligente, bonita ou qualquer outro bom adjetivo. Tudo bem não saber sobre um assunto, Thainara! Tudo bem não saber sobre um assunto, Thainara! Tudo bem não saber...

10. Momentos ruins não fazem minha vida ruim. 


11. Sou perfeitamente incompleta. E não preciso de ninguém pra essa autorrealização. Tudo o que eu posso fazer é me compartilhar com outra pessoa, não esperar que ela me complete.

12. Me colocar em primeiro lugar é o mínimo! Porque se eu não colocar, ninguém vai colocar. E mesmo que alguém colocasse, isso seria horrível pra mim e pra ela. Eu só vivo uma vez, como diz a Barbra Streisand, então que eu faça isso aqui ser alguma coisa.

13. Não preciso ter certeza de todas as coisas. Mas, agora, preciso ter algumas certezas.

14. Não sou uma farsa. Um dos grandes problemas de quando alguém me elogia seja pelo o que for. Eu sempre penso que não mereço de jeito nenhum ou que talvez a pessoa me ache legal porque não me conhece de verdade. Eu acho que passo tempo demais tentando ser outra pessoa que não eu. O que é um total desperdício da pessoa que eu sou.

15. Às vezes, eu preciso muito desligar o raio problematizador. E ler um chick-lit, ver comédia romântica dos anos 90, escutar as playlists da Billboard Hot 100, ver Friends sem pensar demais, analisar quando vale ou não a pena discutir...

16. Posso não concordar com as pessoas. E elas ainda serão legais! Eu posso conversar normalmente mesmo sabendo que a pessoa discorda de mim! Não dá pra falar de contexto e achar que todo mundo é igual, então sejamos coerentes.

17. Vou ter necessidades porque sou um homo sapiens sapiens! E tudo bem pedir, Thainara. As pessoas te pedem tanto.

18. Ninguém realmente se importa, mas ao mesmo tempo, se importam. E ninguém é totalmente descomplexado com isso.

5 de junho de 2017

A maldição e a benção que é ter muito pra dizer

Em um dos posts aqui do SEMFM, eu recebi um comentário que me deixou muito feliz. Assim que eu li, minha primeira reação foi sorrir e tirar print (para dias que eu preciso enxergar minha existência nas concepções positivas que as pessoas fazem de mim). Eu devo ter lido umas quatro vezes. E a última frase do comentário foi a que me marcou mais. "Admiro muito quem tem tanto a dizer como você" (Obrigada, leitor, você me fez rir e pensar).

Então, eu tenho muito a dizer. Já escrevi dois ou três posts em que falo disso. Num deles eu digo " Ando achando que estou meio vazia. (...) Vazia de palavras não! Estou tão cheias delas que me escapam sem consentimento! (...) Se a vida continuar trazendo-me palavras, e os meus dedos não me falharem, continuo escrevendo. Senão, boto um ponto final nesse infinito." Em outro, esse mais recente (o meu "comeback" depois que parei de postar no meio de 2015), no qual falo sobre a razão de eu amar a blogosfera e precisar dela, eu falo "(...)Eu era um poço de palavras, um poço bem fundo... (...) Mas a minha vida mudou drástica e felizmente. (...) Foi quando meu poço secou pra dar entrada à um novo vocabulário, este que uso atualmente. Não sei se terei olhos pra lê-lo e muito menos se terei os mesmos olhos de antigamente. Não importa, façamos tudo de novo."

Lendo esses posts, um datado de vinte e nove de maio de dois mil e quinze e outro de dezoito de julho de dois mil e dezesseis, é possível notar o quanto eu amo estar "cheia de palavras" e o quanto às vezes isso pode ser odiável. No post mais antigo, eu me reclamo de ter tanto pra falar, mas me sentir rodando e rodando sem sair do lugar. Eu reclamo de questionar tanto, mas não me encontrar em nada. Reclamo do meu medo de "pontos finais". No post mais recente, eu explico o motivo de eu ser tão apegada a esse pequeno espaço na surface da internet. Isso aqui pode ser muito irrelevante em muitos aspectos, mas eu sinto como se eu precisasse falar e ver que alguém está me ouvindo. Mesmo que só uma pessoa. Eu preciso de comentários como o que citei acima pra reafirmar o sentido da minha "validade" nesse mundo. E eu, tenho sim, muito pra falar. Sendo da coisa, no meu critério, mais relevante, ou da coisa, no meu critério, mais irrelevante.

Aqui, como eu pus na minha pequena descrição no sidebar, é onde eu derramo tudo o que está dentro de mim e que eu não consigo botar pra fora. Aqui é uma bagunça. Como eu sou. Como pessoas que acham que têm muito pra dizer são.
Eu, pessoalmente, acho que todo mundo tem muito pra falar. Cada um é um universo. Como Locke (um filósofo inglês, pra quem não conhece) falou, somos uma tábula rasa, ou uma página em branco, que a experiência vai preenchendo. Pensando assim, cada pessoa tem muito pra dizer, baseado em sua construção de mundo pelas suas experiências, mas não todas têm a necessidade de dizer. Isso tem a ver com muitas coisas. Por exemplo, não temos mais aquele amparo interior que nos fazia procurar o "porto seguro" em nós mesmos, na nossa própria essência. Somos muito dependentes do olhar do outro, e isso nos faz querer falar pela necessidade de buscar alguém que nos compreenda, alguém que concorde com a gente.

Não é todo mundo que sai por ai falando de suas divagações. E por muito tempo, eu achei que esta era uma posição egoísta, afinal, com o pensamento do outro, podemos aprender muito. Hoje, eu não sei se penso assim. Há muitas forças que agem. Minha irmã mais velha, por exemplo, não fala muito, porque acha que não têm nada de importante ou novo pra falar. Eu também não acho que eu tenha nada de novo pra falar, mas desconsidero esse pessimismo de achar que o que vem do outro ou de nós mesmos não é importante. Eu sempre me surpreendo ao receber comentários positivos aqui. E normalmente, eles vêm nos posts que eu mais fico insegura em publicar.

Novamente, não sei se esse post fez sentido. Mais um problema em ter muito pra dizer é que é necessário saber como organizar essas ideias. Eu nunca consigo acompanhar minimamente bem o que eu penso enquanto escrevo, mas vir aqui e tentar, me faz sentir menos prisioneira de mim mesma.


*A imagem que usei pra ilustrar o post, é de um filme chamado "Becoming Jane" que seria quase uma biografia amorosa da Jane Austen. Recomendo fortemente!*

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